Este texto foi elaborado no âmbito de uma oficina de escrita, após a análise de um excerto da obra «O Mundo em que Vivi», de Ilse Losa.




Fiquei contente, pois já estava cansada da viagem, mas quando olhei para a casa, fiquei um pouco desiludida.
A casa era de madeira, quase toda coberta de musgo, as janelas enferrujadas e a chaminé deitava um fumo negro. Parecia até uma casa abandonada...

Entrámos; a porta rangia como um bebé a chorar.
Deparei-me com a minha mãe, uma mulher muito bonita, morena, de olhos castanho mel e um cabelo preto como uma azeitona.
Estava sentada numa poltrona em frente à lareira, mas quando me viu, rapidamente se levantou e veio abraçar-me.

- Ó minha filha, tive tantas saudades tuas! Estás tão crescida!- dizia ela.
Preparou-me uma caneca de leite e deu-me umas bolachas.
Falámos durante muito tempo...

Realmente, a vida na cidade não tinha nada a ver com a vida na aldeia, mas também tínhamos de ser muito mais cautelosos, devido aos nazis que nos estavam a perseguir.
A mãe disse-me uma série de regras que tinha de cumprir. Não percebia porque é que tinha de andar numa escola própria, nem porque é que tinha horas para sair de casa; era tudo tão estranho!...

Passado um bocado, foram mostrar-me onde é que era o meu quarto. Ficava perto da cozinha e ao lado do quarto do Bruno (o meu irmão). Era um quarto simples, com uma cama individual e uma mesa de madeira. Ao lado, havia uma pequena janela com vista para um bosque. Para mim estava ótimo, na casa dos avós também era assim.

As noites e os dias passaram...
Um dia, ao jantar, a mãe e o pai vieram falar comigo e disseram-me que eu tinha de ir para a escola. Eu, sem hesitar, disse que sim. Agradava-me a ideia de ter novos amigos e de conhecer mais pessoas até porque na aldeia o meu único amigo era o meu avô.

No dia seguinte, quando fui tomar o pequeno almoço, ao lado da mesa, estava uma mochila e um saco com um pão.
Logo de seguida, a minha mãe chegou e disse que eu tinha de ir para a escola naquele dia. Recomendou-me que mal eu acabasse as aulas, deveria vir para casa. Eu concordei e a minha mãe foi levar-me à escola para eu aprender o caminho.

Ao início, estava muito entusiasmada, mas logo percebi que era tudo muito rigoroso. Não podíamos falar alto, tínhamos de estar os dias sentados a olhar para a frente e a ouvir o professor falar. As aulas com a senhora Lebehuhn, na aldeia, não eram nada assim. Mas também fiz muitos amigos como a Ali.


Numa tarde de chuva, regressava da escola com a Ali quando vimos uma gata com três filhotes do outro lado da estrada, ao frio e à chuva. Fomos ver, mais perto, pois queria levá-los para minha casa mas, ao atravessar a estrada, fomos capturadas pelos Nazis que nos levaram numa carroça para um campo de concentração.



Os meus pais estavam já muito preocupados, sem saber onde é que eu estava e foram à escola, ao supermercado, foram a todo o lado à minha procura... Até que o meu pai se lembrou de ir falar com o avô, pois como eu estava com saudades, podia ter ido ter com ele...

O avô disse-lhe que eu não estava com ele... Então, toda a família começou a pensar que eu tinha sido levada pelos nazis... O avô lembrou-se, de seguida, que tinha velhos amigos que estavam no exército e que estavam agora a trabalhar para Hitler. Ligou-lhes a perguntar sobre mim, deu os meus dados e um soldado foi procurar-me e disse-lhes que eu tinha acabado de chegar.

O meu avô tentou convencer o soldado a levar-me, em segurança, para casa dos meus avós.
Então, o soldado apareceu no local onde me encontrava e disse-me “vem comigo”. Eu fui e ele levou-me para uma cabine onde passei a noite. De manhã, o guarda colocou-me numa carrinha e levou-me para casa dos meus avós.

Escola Básica Infante D. Henrique
Ano letivo 2021-2022
