Foi em 2019, na 40ª sessão da Conferência Geral da UNESCO que se proclamou o dia 5 de Maio de cada ano como "Dia Mundial da Língua Portuguesa". Não sei se sabes mas há muitos falantes de Português no mundo.
Vamos, então, conhecer mais um pouco !

« Minha Pátria é a língua Portuguesa » Fernando Pessoa
A pátria da língua portuguesa tem hoje mais de 265 milhões de falantes, o que a torna a língua mais falada no hemisfério sul.
Na verdade, uma língua é mais do que um meio de comunicação, é também uma forma de ver e sentir, uma partilha de símbolos e experiências, de literatura, de poesia, de música, sonhos e utopias.



Comunidade de Países de Língua Portuguesa - ( CPLP )
A CPLP é constituída por Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné Bissau, Guiné Equatorial, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe, Timor Leste e pelo território de Macau, todos eles plantados à beira-mar.
A Língua Portuguesa é também língua de trabalho ou oficial de organizações internacionais como a União Europeia, a União Africana ou o Mercosul.
O O que é a CPLP ?

Quais os objetivos da CPLP ?
- Promover e difundir a língua portuguesa;
- Fomentar a cooperação em todos os domínios: cultura, educação, ciência e tecnologia, economia, diplomacia, entre outros.
Em 2050, o número de falantes irá aumentar: mais de 100 milhões de pessoas vão juntar-se aos falantes de português. A língua portuguesa será a terceira língua mais falada na Europa.


O português teve origem no latim, como todas as outras línguas românicas. Foi durante a fase do domínio romano que se criaram as bases da língua portuguesa, no entanto, permanecem até aos nossos dias marcas da influência de outros povos que passaram pela Península Ibérica ou que estiveram em contacto com a cultura portuguesa e os portugueses.
Origem do Português


Mas como nasceu a Língua Portuguesa ?

No século III a. C, os romanos ocuparam a Península Ibérica. Então, iniciou-se a Romanização, com transformações dos locais, com infra-estruturas, nova administração e o Latim.
Passa, então a haver o Latim falado ( latim vulgar) e o latim escrito ( latim erudito )



Substratos, Superstratos
Já os superstratos são as que vieram depois do latim. É o caso das línguas germânicas ( dos Suevos e Vândalos ) ou do árabe, mas este também pode ser considerado adstrato ( porque coexistiu durante muito tempo com o latim )
As línguas românicas ou novilatinas são todas as que derivam do latin, como o português, o galego, o catalão, o francês, o italiano, o castelhano, etc.
Exemplos de Substratos e Superstratos
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Eis alguns exemplos de substratos pré-romanos : sapo, bruxa várzea, , chaparro, mata, Olisipo ( Lisboa ), Ossonoba ( Faro)...
Exemplos de superstratos germânicos: Ricardo, Rodrigo, Ramiro, broa, branco, luva, roupa; superstratos do árabe: «alfândega», «alcaide», «alfaiate», «almocreve», «andaime», «açoteia», «arroz», «azenha», «álgebra», «cifra» .
A partir dos século VI e VII , o romance começa a ganhar identidade própria, resultando da junção do latim com os substratos.
Apareciam assim muitas diferenças entre os romanos peninsulares de algumas regiões galego-portuguesa, castelhana, leonesa, navarra-aragonesa ou catalã. Com a ocupação muçulmana, no ano de 711. Verificou-se a coexistência de algumas falas moçárabes no centro e sul da península e o árabe. ,
Do Latim ao Português
A primeira fase é o Português Antigo -século XII a XV. Coincide com a autonomização do português e pouco a pouco a formação do reino de Portugal.
Temos como exemplo a Poesia Trovadoresca - Cantigas de amigo, Cantigas de Amor e Cantigas de Escárnio e Maldizer - de que D. Dinis foi um grande autor.
Fases do Português




« Declaro o Português como língua oficial dos documentos oficiais » El Rei D. Dinis
Nesta fase, houve uma vontade de reconhecer a identidade da nossa língua e de a valorizar cultural e politicamente e, por isso, no fim do século XIII, no reinado de D. Dinis, a Chancelaria Real adota o português como língua dos documentos oficiais, substituindo o latim.
O PORTUGUÊS ANTIGO (SÉCULOS XII A XV)
Na região galego-portuguesa, o português autonomizar-se-á cada vez mais sendo então aí importante o processo de constituição do Reino Português. Durante a fase inicial, a língua propaga-se para o Sul do território, com a Reconquista Cristã.
A “Notícia de Fiadores” (1175) é o texto escrito em português, mais antigo, mesmo se tratando de um texto com expressões em latim, com numerais e nomes. Da mesma época temos também “Pacto de Gomes Pais e Ramiro Pais”.
Mas, até há pouco tempo dizia-se que a “Notícia do Torto” e o “Testamento de Afonso II” de 1214 eram os documentos mais antigos escritos em português.
Neste período está em evolução a distinção entre o português e o galego.
No fim do século XIII, durante o reinado de D. Dinis, o latim foi substituído pelo português, como língua dos documentos oficiais.

O sistema fonético (o conjunto de sons da língua) não é muito diferente do que hoje temos: as principais diferenças residem na existência de vários hiatos (encontros de vogais pertencentes a sílabas diferentes e que, portanto, não se pronunciam como ditongos) — as palavras «soo» (só) e «mão» (mão), exemplo do resultado da síncope de -L- e -N- intervocálicos, tinham então duas sílabas — e na existência de consoantes africadas como [tʃ] (em «chão») ou [dʒ] (em «gente»).
Morfologicamente, muitas palavras tinham formas que desapareceram posteriormente, como as cantigas medievais atestam. A par dos possessivos «minha», «tua» e «sua» ocorriam as formas átonas «ma», «ta», «sa». As formas verbais da segunda pessoa do plural
mantêm o -d-, que mais tarde cairá (fazedes; amades). Encontramos ainda palavras cujo género gramatical não coincide com o de hoje: «linhagem» e «linguagem» eram masculinos. No plano lexical, regista-se um número apreciável de empréstimos de palavras francesas (dama, sage) e provençais (assaz, trobador).
2ª fase - Português Clássico
XVI- XVIII
Nos domínios fonológico e morfológico, observa-se uma progressiva eliminação dos hiatos típicos dos português antigo ( cre-o[<credo ]>creio; lã-a [<Lana]> lã ) e a uniformização das terminações nasais ( mã-o [<Manu]>mão; oraçõ [<Oratione] > oração. comparem-se estas formas de singular com os respetivos plurais «mãos», «orações».
Assiste-se também à sincope do -d- nas desinências verbais da segunda pessoa do plural ( amades > amais) e a substituição dos particípio passado em -udo- por -ido- nos verbos da 2ªconjugação ( perduda > perdida).


«E se mais mundo houvera, lá chegara» Lusíadas, ( VII- 14) Camões
Com os descobrimentos marítimos, o léxico do português aumenta, pois o contacto com novos povos, novas culturas, fauna, flora, etc troxe novas palavras: Eis alguns exemplos:
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Vocábulos oriundos de outros continentes:
abacaxi cachaça biombo
cafuné fubá soja
mandioca cachimbo
caju
canoa
Com os Descobrimentos, novas palavras entraram para o nosso léxico, que ficou mais rico. Eis alguns exemplos de palavras oriundas de outros continentes que passaram a fazer parte da Língua Portuguesa.
América do Sul : amendoim, batata, cacau, carioca, chocolate, jacaré, tomate, urubu....
África: banana, candonga, macaco, missanga, sanzala, tanga, zebra...
Ásia ( Índia) - caril, canja, pijama, xaile
Enriquecimento lexical
Vocábulos oriundos de outros continentes...
Ásia ( Malásia ) : bambu, bule,jangada, lancha, pires, rajá.
Ásia ( China ): chá, chávena. junco, laca.
Ásia ( Japão ) :leque, micado, quimono





A Literatura, a Gramática e o aumento da escolarização contribuíram para estabilizar a Língua nos últimos duzentos anos. O português contemporâneo herda as estruturas lexicais e gramaticais da fase anterior, mas o grego e o latim suavizaram o seu peso.
Agora, a língua recebe alguns conceitos científicos e técnicos, como por exemplo oftalmologia, ecológico, exógeno. Mas também o português recebe palavras do Francês, como por exemplo garagem, bisturi e cassete, e depois do Inglês nas áreas da ciência, da tecnologia e do espetáculo. ( são os empréstimos )

O PORTUGUÊS CONTEMPORÂNEO
Estrangeirismos Europeus
Galicismos- abat-jour, croissant, collant, bibelô, restaurante...
Italianismos - piano, maestro, xícara, galeria.
Anglicismos- bar, bife, sanduiche, clube, box, futebol
Homenageamos a Língua Portuguesa com as palavras de Eugénio de Andrade:
Língua;
língua da fala;
língua recebida lábio
a lábio; beijo
ou sílaba;
clara, leve, limpa;
língua da água, da terra, da cal;
materna casa da alegria
e da mágoa;
dança do sol e do sal;
língua em que escrevo;
ou antes: falo. Eugénio de Andrade
Bibliografia
- Mensagens 10 - manual de Português, 10º ano, Texto Editora, Célia Cameira, Ana Andrade, Alexandre Dias Pinto
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