Muitos foram os poetas que “lavraram” as ideias de abril.
Antes e depois da Revolução dos Cravos muitos poetas portugueses escreveram sobre as ideias de liberdade, igualdade e democracia, contra a ditadura e o pesadelo do Estado Novo.
Muitos o fizeram pondo em perigo a sua própria liberdade, acabando nas masmorras e na solidão das celas das prisões do Aljube a Caxias, de Peniche a Angra do Heroísmo ou mesmo ao Tarrafal.
Muitos optaram pelo exílio forçado para, em liberdade, escreverem belas páginas de liberdade e resistência, pasto fértil para a proliferação da música de intervenção.
No ano em que se comemoram os 50 anos do 25 de Abril, os alunos da turma do 6º A com a professora de HGP, também sua Diretora de Turma, e a professora de TIC puseram mãos à obra e decidiram conduzir os alunos na prestação de uma pequena homenagem a esses poetas. Uma amparou na seleção, leitura, análise e contextualização dos textos no tempo em que foram produzidos. Outra capacitou para que a divulgação do trabalho pudesse ser em formato de e-book ilustrado, marca do tempo novo.
Professoras:
Carla Lopes (TIC) e Lúcia Ribeiro (HGP/DT e CIDES)

Índice:

Índice:


Trova do mês de abril
Foram dias foram anos a esperar por um só dia.
Alegrias. Desenganos. Foi o tempo que doía
com seus riscos e seus danos.
Foi a noite e foi o dia na esperança de um só dia.
Foram batalhas perdidas. Foram derrotas vitórias.
Foi a vida (foram vidas). Foi a História (foram histórias)
mil encontros despedidas. Foram vidas (foi a vida) por um só dia vivida.
Foi o tempo que passava como se nunca passasse.
E uma flauta que cantava como se a noite rasgasse toda a vida
e uma palavra: liberdade que vivia na esperança de um só dia.
Musa minha vem dizer o que nunca então se disse esse morrer de viver
por um dia em que se visse um só dia e então morrer.
Musa minha que tecias um só dia dos teus dias.
Vem dizer o puro exemplo dos que nunca se cansaram musa minha
onde contemplo os dias que se passaram sem nunca passar o tempo.
Nesse tempo em que daria a vida por um só dia.
Já muitas águas correram já muitos rios secaram
batalhas que se perderam batalhas que se ganharam.
Só os dias não morreram
em que era tão curta a vida por um só dia vivida.
E as quatro estações rolaram com seus ritmos e seus ritos.
Ventos do Norte levaram festas, jogos, brincos e ditos.
E as chamas não se apagaram.
Que na ideia a lenha ardia toda a vida por um dia.
Fogos-fátuos cinza fria.
Musa minha que cantavas a canção que se vestia
com bandeiras nas palavras.
Armas que o tempo tecia.
Minha vida, toda a vida por um só dia vivida.
MANUEL ALEGRE, in “Atlântico”. Lisboa, Moraes, 1981
Liberdade, que estais no céu...
Rezava o padre-nosso que sabia,
A pedir-te, humildemente,
O pio de cada dia.
Mas a tua bondade omnipotente
Nem me ouvia.
- Liberdade, que estais na terra...
E a minha voz crescia
De emoção.
Mas um silêncio triste sepultava
A fé que ressumava
Liberdade
Da oração.
Até que um dia, corajosamente,
Olhei noutro sentido, e pude, deslumbrado,
Saborear, enfim,
O pão da minha fome
Miguel Torga
Quis saber quem sou
O que faço aqui
Quem me abandonou
De quem me esqueci
Perguntei por mim
Quis saber de nós
Mas o mar
Não me traz
Tua voz.
E depois do Adeus
Em silêncio, amor
Em tristeza e fim
Eu te sinto, em flor
Eu te sofro, em mim
Eu te lembro, assim
Partir é morrer
Como amar
É ganhar
E perder


Tu vieste em flor
Eu te desfolhei
Tu te deste em amor
Eu nada te dei
Em teu corpo, amor
Eu adormeci
Morri nele
E ao morrer
Renasci.
E depois do amor
E depois de nós
O dizer adeus
O ficarmos sós
Teu lugar a mais
Tua ausência em mim
Tua paz
Que perdi
Minha dor que aprendi
De novo vieste em flor
Te desfolhei.
E depois do amor
E depois de nós
O adeus
O ficarmos sós.
José Niza


A Revolução teve uma flor o cravo.
Não teve um animal e, como tal,
proponho o elefante tão paciente e sofredor
durante tanto ano
mas quando a paciência se esgotou
foi coisa de se ver violento eficaz empolgante.
Depois, voltou a ser lento bom rapaz algo distante.
Mas, atenção, nunca se viu morrer um elefante!
Carlos Pinhão, Bichos de Abril, Editorial Caminho, Lisboa, 1977
Elefante de Abril



Votava de cruz
à ordem do pastor
mas veio abril
e já começa a ter cor
e já começa a saber o que quer
e já começa a votar
a pensar pela própria cabeça
Ser ou não ser carneiro
e não pela cabeça do parceiro.
Em resumo:
já não é carneiro.
Carlos Pinhão
Grândola, vila morena
Terra da fraternidade
O povo é quem mais ordena
Dentro de ti, ó cidade
Dentro de ti, ó cidade
O povo é quem mais ordena
Terra da fraternidade
Grândola, vila morena.
Em cada esquina um amigo
Em cada rosto igualdade
Grândola, vila morena
Terra da fraternidade
Grândola Vila Morena
Terra da fraternidade
Grândola, vila morena
Em cada rosto igualdade
O povo é quem mais ordena
À sombra duma azinheira
Que já não sabia a idade
Jurei ter por companheira
Grândola a tua vontade
JOSÉ AFONSO, in “Cantigas do Maio”, 1971
ABRIL
Abril
Havia uma lua de prata e sangue
em cada mão.
Era abril.
Havia um vento
que empurrava o nosso olhar
e um momento de água clara a escorrer
pelo rosto das mães cansadas.
Era abril
que descia aos tropeções
pelas ladeiras da cidade.
Abril
tingindo de perfume os hospitais
e colando um verso branco em cada farda.
Era abril
o mês imprescindível que trazia
um sonho de bagos de romã
e o ar a saber a framboesas.
Abril
um mês de flores concretas
colocadas na espoleta do desejo
flores pesadas de seiva e cânticos azuis
um mês de flores
um mês.






















Havia barcos a voltar
de parte nenhuma
em abril
e homens que escavavam a terra
em busca da vertical.
Ardiam as palavras
Nesse mês
e foram vistos
dicionários a voar
e mulheres que se despiam abraçando
a pele das oliveiras.
Era abril que veio e que partiu.
25 de abril
Era um dia puro e limpo,
Aquele dia de abril,
Em que as ovelhas do medo
Fugiram do seu redil.
Um dia que amanheceu,
Com os capitães da guerra,
A lutarem pela paz
Com gente da nossa terra.
Dia de cravos vermelhos,
Nos canos das espingardas,
Dos gritos de liberdade
Nas bocas amordaçadas.
Não pode morrer abril,
Que nós não vamos deixar.
Hão de florir sempre cravos,
Basta alguém os semear.
Luísa Ducla Soares
Imagem de <a href="/pt">Freeimages.com</a>


Qual a cor da liberdade?
É verde, verde e vermelha.
Quase, quase cinquenta anos reinaram neste país,
e conta de tantos danos, de tantos crimes e enganos,
chegava até à raiz.
Qual a cor da liberdade?
É verde, verde e vermelha.
Tantos morreram sem ver o dia do despertar!
Tantos sem poder saber com que letras escrever,
com que palavras gritar!
A cor da Liberdade

Qual a cor da liberdade?
É verde, verde e vermelha.
Essa paz de cemitério toda prisão ou censura.
e o poder feito galdério, sem limite e sem cautério,
todo embófia e sinecura.
Qual a cor da liberdade?
É verde, verde e vermelha
Esses ricos sem vergonha,
esses pobres sem futuro,
essa emigração medonha,
e a tristeza uma peçonha
envenenando o ar puro.
Qual a cor da liberdade?
É verde, verde e vermelha.
Essa guerra de além-mar
gastando as armas e a gente,
esse morrer e matar sem sinal de se acabar por política demente.
Qual a cor da liberdade?
É verde, verde e vermelha.
Esse perder-se no mundo o nome de Portugal,
essa amargura sem fundo, só miséria sem segundo, só desespero fatal.
Qual a cor da liberdade?
É verde, verde e vermelha.
Quase, quase cinquenta anos durou esta eternidade,
numa sombra de gusanos e em negócios de ciganos,
entre mentira e maldade.
Qual a cor da liberdade? É verde, verde e vermelha.
Saem tanques para a rua, sai o povo logo atrás:
estala enfim, altiva e nua, com força que não recua,
a verdade mais veraz.
Qual a cor da liberdade?
É verde, verde e vermelha.
JORGE DE SENA, 1979. In “40 Anos de Servidão”. Lisboa Edições 70, 1990

Ontem apenas fomos a voz sufocada dum povo a dizer não quero;
fomos os bobos-do-rei mastigando desespero.
Ontem apenas fomos o povo a chorar
na sarjeta dos que, à força,
ultrajaram e venderam esta terra, hoje nossa.
Uma gaivota voava, voava, assas de vento, coração de mar.
Como ela, somos livres, somos livres de voar.
Uma papoila crescia, crescia,
grito vermelho num campo qualquer.
Como ela somos livres, somos livres de crescer.
Uma criança dizia, dizia "quando for grande não vou combater".
Somos Livres
Como ela, somos livres, somos livres de dizer.
Somos um povo que cerra fileiras,
parte à conquista do pão e da paz.
Somos livres, somos livres, não voltaremos atrás.
Ermelinda Duarte



Menina dos olhos tristes
Menina dos olhos tristes o que tanto a faz chorar
o soldadinho não volta do outro lado do mar.
Vamos senhor pensativo olhe o cachimbo a apagar
o soldadinho não volta do outro lado do mar.
Senhora de olhos cansados porque a fatiga o tear
o soldadinho não volta do outro lado do mar.
Anda bem triste um amigo uma carta o fez chorar
o soldadinho não volta do outro lado do mar.
A lua que é viajante é que nos pode informar
o soldadinho já volta está mesmo quase a chegar.
Vem numa caixa de pinho do outro lado do mar
desta vez o soldadinho nunca mais se faz ao mar.
Reinaldo Edgar de Azevedo e Silva Ferreira
Pedra Filosofal
Eles não sabem que o sonho
é uma constante da vida
tão concreta e definida
como outra coisa qualquer,
como esta pedra cinzenta
em que me sento e descanso,
como este ribeiro manso
em serenos sobressaltos,
como estes pinheiros altos
que em verde e oiro se agitam,
como estas aves que gritam
em bebedeiras de azul.
eles não sabem que o sonho
é vinho, é espuma,
é fermento, bichinho álacre e sedento,
de focinho pontiagudo,
que fossa através de tudo
num perpétuo movimento.
Eles não sabem que o sonho
é tela, é cor, é pincel, base, fuste, capitel,
arco em ogiva, vitral, pináculo de catedral,
contraponto, sinfonia, máscara grega, magia,
que é retorta de alquimista, mapa do mundo distante,
rosa-dos-ventos, Infante, caravela quinhentista,
que é cabo da Boa Esperança, ouro, canela, marfim,
florete de espadachim, bastidor, passo de dança,
Colombina e Arlequim, passarola voadora,
pára-raios, locomotiva, barco de proa festiva,
alto-forno, geradora, cisão do átomo, radar, ultra-som, televisão,
desembarque em foguetão na superfície lunar.
Eles não sabem, nem sonham,
que o sonho comanda a vida,
que sempre que um homem sonha
o mundo pula e avança
como bola colorida
entre as mãos de uma criança
ANTÓNIO GEDEÃO, in “Movimento Perpétuo”. Coimbra, Atlântida, 1956
ANTÓNIO GEDEÃO
Mulheres do meu país
Deu-nos abril
o gesto e a palavra
fala de nós
por dentro da raiz
Mulheres
quebrámos as grandes barricadas
dizendo: igualdade a quem ouvir nos quis
E assim continuamos de mãos dadas
O povo somos: mulheres do meu país.
MARIA TERESA HORTA, in “Mulheres de Abril”. Lisboa, Caminho, 1977
Mulheres de Abril

Desobediência
Sou feita de muitos nós
desobediência e meio-dia
Sou aquela que negou aquilo que os outros queriam
Disse não à minha sina de destino preparado
recusei as ordens escusas
preferi a liberdade e vivo
deste meu lado.
MARIA TERESA HORTA, in “Mulheres de Abril”. Lisboa, Caminho, 1977
Desobediência

Trova do vento que passa
Vi minha pátria pregada nos braços em cruz do povo.
Vi minha pátria na margem dos rios que vão pró mar
como quem ama a viagem, mas tem sempre de ficar.
Vi navios a partir (minha pátria à flor das águas)
vi minha pátria florir (verdes folhas verdes mágoas).
Há quem te queira ignorada e fale pátria em teu nome.
Eu vi-te crucificada nos braços negros da fome.
E o vento não me diz nada só o silêncio persiste.
Vi minha pátria parada à beira de um rio triste.
Ninguém diz nada de novo se notícias vou pedindo
nas mãos vazias do povo vi minha pátria florindo.
E a noite cresce por dentro dos homens do meu país.
Pergunto à gente que passa por que vai de olhos no chão.
Silêncio — é tudo o que tem quem vive na servidão.
Vi florir os verdes ramos direitos e ao céu voltados.
E a quem gosta de ter amos vi sempre os ombros curvados.
E o vento não me diz nada ninguém diz nada de novo.
Vi minha pátria pregada nos braços em cruz do povo.
Vi minha pátria na margem dos rios que vão pró mar
como quem ama a viagem, mas tem sempre de ficar.
Vi navios a partir (minha pátria à flor das águas)
vi minha pátria florir (verdes folhas verdes mágoas).
Há quem te queira ignorada e fale pátria em teu nome.
Eu vi-te crucificada nos braços negros da fome.
E o vento não me diz nada só o silêncio persiste.
Vi minha pátria parada à beira de um rio triste.
Ninguém diz nada de novo se notícias vou pedindo
nas mãos vazias do povo vi minha pátria florindo.
E a noite cresce por dentro dos homens do meu país.
Peço notícias ao vento e o vento nada me diz.
Mas há sempre uma candeia dentro da própria desgraça
há sempre alguém que semeia canções no vento que passa.
Mesmo na noite mais triste em tempo de servidão
há sempre alguém que resiste há sempre alguém que diz não.
MANUEL ALEGRE, in “Praça da Canção”, 1965. [Coimbra, Atlântida, 1965]
A SALGUEIRO MAIA
Aquele que na hora da vitória
respeitou o vencido
Aquele que deu tudo e não pediu a paga
Aquele que na hora da ganância
Perdeu o apetite
Aquele que amou os outros e por isso
Não colaborou com a sua ignorância ou vício
Aquele que foi «Fiel à palavra dada à ideia tida»
como antes dele
mas também por ele
Pessoa disse.
Sophia de Mello Breyner Andresen
Salgueiro Maia
Ficaste na pureza inicial do gesto
que liberta e se desprende.
Havia em ti o símbolo e o sinal
havia em ti o herói que não se rende.
Outros jogaram o jogo viciado
para ti nem poder nem sua regra.
Conquistador do sonho inconquistado
havia em ti o herói que não se integra.
Por isso ficarás como quem
vem dar outro rosto ao rosto da cidade.
Diz-se o teu nome e sais de Santarém
trazendo a espada e a flor da liberdade.
MANUEL ALEGRE, in “País de Abril”. Lisboa, Dom Quixote, 2016
Não há machado que corte
a raiz ao pensamento
não há morte para o vento
não há morte.
Se ao morrer o coração
morresse a luz que lhe é querida
sem razão seria a vida
sem razão.
Livre
Nada apaga a luz que vive
num amor num pensamento
porque é livre como o vento
porque é livre.
Carlos de Oliveira

Eu vi abril por fora e abril por dentro
vi o abril que foi e o abril de agora
eu vi abril em festa e abril lamento
abril como quem ri como quem chora.
Eu vi chorar abril e abril partir
vi o abril de sim e abril de não
abril que já não é abril por vir
e como tudo o mais contradição.
Abril de Sim e abril de não
Vi o abril que ganha e abril que perde
abril que foi abril e o que não foi
eu vi abril de ser e de não ser.
Abril de Abril vestido (abril tão verde)
abril de abril despido (abril que dói)
abril já feito. E ainda por fazer.
Manuel Alegre
Abril de Abril
Era um Abril de amigo Abril de trigo
Abril de trevo e trégua e vinho e húmus
Abril de novos ritmos novos rumos.
Era um Abril comigo Abril contigo
ainda só ardor e sem ardil
Abril sem adjetivo Abril de Abril.
Era um Abril na praça Abril de massas
era um Abril na rua Abril a rodos
Abril de sol que nasce para todos.
Abril de vinho e sonho em nossas taças
era um Abril de clava Abril em ato
em mil novecentos e setenta e quatro.
Era um Abril viril Abril tão bravo
Abril de boca a abrir-se Abril palavra
esse Abril em que Abril se libertava.
Era um Abril de clava Abril de cravo
Abril de mão na mão e sem fantasmas
esse Abril em que Abril floriu nas armas.
Manuel Alegre, in 30 Anos de Poesia Publicações Dom Quixote
A cantiga é uma arma
A cantiga é uma arma e eu não sabia
tudo depende da bala e da pontaria
tudo depende da raiva e da alegria
a cantiga é uma arma de pontaria
há quem cante por interesse
há quem cante por cantar
há quem faça profissão de combater a cantar
e há quem cante de pantufas para não perder o lugar.
O faduncho choradinho de tabernas e salões
semeia só desalento misticismo e ilusões
canto mole em letra dura nunca fez revoluções
a cantiga é uma arma contra a burguesia
tudo depende da bala e da pontaria

tudo depende da raiva e da alegria
a cantiga é uma arma de pontaria.
Se tu cantas a reboque não vale a pena cantar
se vais à frente demais bem te podes engasgar
a cantiga só é arma quando a luta acompanhar.
Uma arma eficiente fabricada com cuidado
deve ter um mecanismo bem perfeito e oleado
e o canto com uma arma deve ser bem fabricado.
A cantiga é uma arma (Contra quem camaradas?) Contra a burguesia
tudo depende da bala e da pontaria
tudo depende da raiva e da alegria
a cantiga é uma arma de pontaria!
José Mário Branco

25 de abril
Esta é a madrugada que eu esperava
O dia inicial inteiro e limpo
Onde emergimos da noite e do silêncio
E livres habitamos a substância do tempo
SOPHIA DE MELLO BREYNER ANDRESEN, 27 de Abril de 1974. [In "O
Nome das Coisas", Lisboa, Moraes Editores, 1977
Revolução
Como casa limpa
Como chão varrido
Como porta aberta
Como puro início
Como tempo novo
Sem mancha nem vício
Como a voz do mar Interior de um povo
Como página em branco
Onde o poema emerge
Como arquitetura
Do homem que ergue
Sua habitação.
SOPHIA DE MELLO BREYNER ANDRESEN, 27 de Abril de 1974. [In "O
Nome das Coisas", Lisboa, Moraes Editores, 1977
Portugal Ressuscitado
Depois da fome,
da guerra da prisão e da tortura
vi abrir-se a minha terra
como um cravo de ternura.
Vi nas ruas da cidade
o coração do meu povo
gaivota da liberdade
voando num Tejo novo.
Agora o povo unido nunca mais será vencido nunca mais será vencido
Vi nas bocas vi nos olhos
nos braços nas mãos acesas
cravos vermelhos aos molhos
rosas livres portuguesas.
Vi as portas da prisão
abertas de par em par
vi passar a procissão do meu país a cantar.
Agora o povo unido nunca mais será vencido, nunca mais será vencido.
Nunca mais nos curvaremos às armas da repressão
somos a força que temos a pulsar no coração.
Enquanto nos mantivermos todos juntos
lado a lado somos a glória de sermos Portugal ressuscitado.
José Carlos Ary dos Santos
LIBERDADE
Viemos com o peso do passado e da semente
Esperar tantos anos torna tudo mais urgente
e a sede de uma espera só se estanca na torrente
e a sede de uma espera só se estanca na torrente
Vivemos tantos anos a falar pela calada
Só se pode querer tudo quando não se teve nada
Só quer a vida cheia quem teve a vida parada
Só quer a vida cheia quem teve a vida parada
Só há liberdade a sério quando houver
A paz, o pão
habitação
saúde, educação
Só há liberdade a sério quando houver
Liberdade de mudar e decidir
quando pertencer ao povo o que o povo produzir
quando pertencer ao povo o que o povo produzir.
Sérgio Godinho





Maré Alta
Aprende a nadar, companheiro
aprende a nadar, companheiro
Que a maré se vai levantar
que a maré se vai levantar
Que a liberdade está a passar por aqui
que a liberdade está a passar por aqui
que a liberdade está a passar por aqui
Maré alta
Maré alta
Maré alta
Sérgio Godinho
“50 anos do 25 de abril de 1974 - abril na poesia”
Aluno do 6º A - POEMA
António Lopes - Trova do mês de abril - Manuel Alegre
Beatriz Silva - Liberdade -Miguel Torga
David Melo - E depois do Adeus - José Niza
David Coelho - Elegante de Abril // Ser ou não ser carneiro - Carlos Pinhão
---- - Grândola Vila Morena - José Afonso
Henrique Reinas - Abril - José Fanha
Iara Barata - 25 de abril - Luísa Ducla Soares
Joana Gouveia - A cor da Liberdade -Jorge de Sena
Lara Pais - Somos Livres - Ermelinda Duarte
Lara Luís - Menina dos olhos tristes - Reinaldo Edgar de Azevedo e Silva Ferreira
“50 anos do 25 de abril de 1974 - abril na poesia”
Aluno do 6º A - POEMA
Laura Alves - Pedra Filosofal - António Gedeão
Maria Sousa - Mulheres de Abril // Desobediência - Maria Teresa Horta
Maria Eduarda Kilian - Trova do vento que passa - Manuel Alegre
Miguel Loureiro - A SALGUEIRO MAIA - Sophia de Mello Breyner Andresen
Miguel Loureiro - A SALGUEIRO MAIA - Manuel Alegre
Ruben Loureiro - Livre - Carlos de Oliveira
Samuel Almeida - Abril de Sim e abril de não //Abril de abril - Manuel Alegre
Simão Duarte - A cantiga é uma arma - José Mário Branco
Sofia Teixeira - 25 de abril // Revolução-Sophia de Mello Breyner Andresen
Tiago Ferrão - Portugal Ressuscitado- José Carlos Ary dos Santos
Vicente - Liberdade // Maré Alta - Sérgio Godinho
