Todos vivemos acontecimentos extraordinários, aventuras inesquecíveis, conhecemos e convivemos com pessoas e animais especiais, temos sonhos que nos preenchem, escutamos histórias que nos fascinam, por isso decidimos partilhar tudo isto convosco, através da escrita.
Esta ideia surgiu e cresceu durante a leitura do Diário Inventado de um menino já Crescido, de José Fanha.
Logo que terminamos o livro, avançamos com o nosso projeto e, embora tudo o que registamos nestas páginas seja verdadeiro, não deixamos de lhe adicionar os temperos da nossa imaginação.
Esperamos que seja do vosso agrado e sirva de mote para manterem vivos os vossos memorandos.

Um dia incrível com a família
Uma vez por ano eu costumo ir ao circo na altura de Natal com a minha família. Um dia, quando chegamos à porta do Coliseu, havia uma multidão, mas rapidamente entramos e sentamo-nos nos lugares que nos estavam reservados.
O espetáculo começou, havia palhaços, mimos e muitas mais coisas.
Quando chegamos ao intervalo, todas as crianças receberam uma prenda e um saco cheio de doces.
Quando chegou a segunda parte, abrimos os presentes e comemos os doces.
A melhor parte é que, algumas vezes, posso levar duas ou três amigas comigo. Depois, costumamos ir para casa e experimentamos os presentes como na última vez em que recebi uma câmara que grava e tira fotos dentro de água.
Dias como estes com a família e amigos continuam a ter um sabor incrível!
Inês Pinheiro

Que saudades
da casa
da
minha
avó!
Quando eu vou para casa dos meus avós eu demoro três horas de carro porque a minha avó vive em Trás-os-Montes, mais precisamente, na vila de Vinhais.
Eu gosto muito de os visitar porque posso brincar ao ar livre e adoro cuidar e brincar com os animais que os meus avós têm.
Houve um ano em que eu, a minha avó, a minha mãe, o meu irmão e outras pessoas da aldeia fomos apanhar batatas e foi muito divertido!
Eu gostaria de ir passar lá a Páscoa porque a minha avó faz uns folares de enchidos (fumeiro) e uns assados que são de comer e chorar por mais.
Depois de fazer estas iguarias, a casa fica com um cheiro característico do folar que é irresistível.
Nesta altura do ano, a Páscoa em Vinhais tem um sabor e um encanto especiais: os campos ficam todos floridos de várias cores porque estamos na primavera e ouve-se o cuco a cantar. Que vontade de voltar a casa da minha avó!
Maria Afonso
Se perguntarem por mim, eu não estou
Num dia de verão eu estava a falar com o meu grupo de amigos no pátio sobre uma ida ao cinema. Eu concordei com a decisão e fui para casa, pois já estava tarde.
Na manhã seguinte, eu acordei com um “monte” de mensagens a falar sobre a hora do encontro. Encontramo-nos às 10 horas da manhã, na porta do cinema e fomos ver Godzilla o rei dos monstros. Eu levantei-me imediatamente da cama e fui a correr vestir-me, uma vez que estava em pijama. No entanto, tinha-me esquecido de um acordo com uns amigos meus sobre um jogo na playstation, cuja hora coincidia com a do cinema
No momento, eu enlouqueci e fui a correr comunicar aos meus amigos que não podia jogar, pois ia às compras com a minha mãe.
Eles aceitaram o meu argumento e disseram que estava tudo ok e que jogaríamos noutra altura. Eu respirei de alívio e fui ter com os meus amigos ao cinema. O que eu não estava mesmo à espera é que um dos que joga playstation comigo aparecesse para ver se eu estava realmente nas compras com a minha mãe. Nessa altura, ele viu-me e descobriu que eu os tinha enganado. Ficou furibundo e quase me agrediu, mas eu fugi para casa. Foi a maior corrida que eu já fiz na vida.
Concluindo não vi o filme e fiquei cansado, pois corri que nem um cavalo. Sabem que mais “Se voltarem a perguntar por mim, eu não estou”.
Rodrigo Mota
Uma ida ao espaço
Um dia, não sei como, mas tenho a certeza, fui à lua em pequenino.
Sempre me diziam que a lua era feita de queijo e quando fui lá, não tive tempo de a provar. Às vezes ainda lá vou, mas não o tempo suficiente para a provar.
Acontece-me, várias vezes, nas aulas que menos aprecio, ir à lua e regressar. Quando isso acontece, há sempre alguém que me faz voltar. Eu gosto muito de estar na lua. É um lugar tranquilo, onde posso voar, gritar e relaxar.
Sempre alimentei o sonho de pisar a lua. Como eu gostava de ser o Apolo 11 e viajar pelo espaço, ver meteoros a saltar e ficar a flutuar pelo infinito. Tenho pena que isso só aconteça nos meus pensamentos. Só aqui entre nós, quem sabe se um dia eu não ponho mesmo lá os pés.
Rodrigo Antunes
É
tão
bom
sonhar! Em 2017,
eu fazia parte de
uma turma de dança
contemporânea
numa escola perto da
minha casa.
Eu tinha vários sonhos, entre
eles a enorme vontade de pisar um palco
e ser aplaudida no final das apresentações,
mas a estrela favorita, que também estava matriculada na mesma escola, era a minha prima. A família toda aplaudia-a em primeiro lugar, e, só depois é que se lembravam que existia outra dançarina em casa. Eu sentia-me muito excluída, sempre que ouvia um elogio e este envolvia a minha prima. Quem fazia mais isso era o meu avô materno e eu sentia-me muito frustrada, pois parecia que não reparavam em mim.
Certo dia, íamos ter a primeira apresentação, e estávamos nos últimos ensaios. Eu adorava a coreografia da Sia e empenhava-me muito, até ouvir a minha professora dizer que eu não faria parte, pois não sabia executar todos os passos da dança tal como ela pretendia. Na altura eu ri, mas o que eu queria mesmo era chorar.
Entretanto, a apresentação decorreu, mas quando voltei para casa e vi todas as fotos que os parentes tiraram da minha prima, a vontade de chorar teimou em apoderar-se de mim.
Já passou meio ano, e eu desisti da dança contemporânea. Hoje em dia pratico em casa e tenho toda a aprovação da minha família. Agora que cresci, dizem-me que a preferência pela minha prima, pela parte dos parentes, era tudo da minha imaginação, e que, me admiravam muito, mas mesmo assim, ainda penso que eu era excluída.
Matilde Reinaldo
Dez minutos de caos
Num dia eu estava no meu quarto a jogar playstation quando a minha mãe bateu à porta e me perguntou se conseguia cuidar dos meus irmãos cerca de dez a quinze minutos, enquanto ia lá abaixo buscar uns ovos para fazer ao jantar. Durante esse tempo foi o caos total. Os meus irmãos fizeram muito barulho, não se calando nem por um bocado.
Correram em todas as direções, percorrendo todas as divisões da casa sem parar.
Estavam com uma energia tal que não obedeciam às minhas ordens. Nessa altura, tomei uma decisão radical: fechei o meu quarto e a cozinha, disse num tom autoritário “Basta” e fomos para a sala ver televisão. Eu estava a tremer com medo da reação da minha mãe e só aí é que eles perceberam que as consequências poderiam não ser as melhores, uma vez que teríamos de nos preparar para a reação da nossa mãe quando chegasse.
Nesse preciso instante, ela meteu a chave na porta e apareceu à nossa frente. Nós ficamos paralisados, cheios de medo, e começamos logo a pedir imensas desculpas. Ela aceitou e pelo menos, no fim, correu tudo bem, já que não nos castigou nem ficou chateada connosco.
Há dias em que o convívio com os irmãos mais novos pode ser um verdadeiro CAOS!
Ricardo Macedo
O desejo do meu pai
Quando o meu pai era criança mais ou menos da minha idade, o maior desejo dele era ter uma bicicleta de corrida. O meu pai desejou aquela bicicleta durante muito tempo, mas os meus avós ainda não tinham tido a oportunidade de lhe a oferecer.
Estava a chegar o dia do aniversário do meu pai e, então, o meu avô levou o meu pai ao Porto de comboio para comprar a bicicleta.
O meu pai estava muito ansioso e, na volta para casa, tiveram de comprar um bilhete extra para a bicicleta.
Naquele tempo, os comboios eram estreitos e a bicicleta teve de ir ao pé do maquinista, e o meu pai como era o dono dela veio também ao pé do maquinista. Ele ficou muito contente, pois ele gostava muito de comboios e, nesse dia, ele podia estar à frente de um.
Ao chegar à estação de Pedras Rubras, o meu avô não quis ir a pé para casa e disse:
- Ó rapaz, eu agora levo a bicicleta e tu vais no quadro.
O meu pai lá foi, mas a meio do caminho rebentaram os travões porque o meu avô era gordo.
O meu pai ficou chateado porque tiveram de vir a pé o resto do percurso e por ter estragado a bicicleta nova, no entanto o meu avô lá a arranjou e o meu pai ficou todo satisfeito.
Martim Esteves
Um animal muito especial
Tudo começou no dia em que a minha mãe trouxe um pássaro da feira. O pássaro era na realidade um agaporni, que tinha um bico avermelhado, uma cabeça alaranjada e o seu corpo estava coberto por uma linda plumagem verde.
No mesmo dia compramos uma gaiola grande da mesma cor do pássaro. Nós ficamos muito tristes por ele, porque o pássaro não tinha uma pata e por isso, ninguém o queria.
Mas não foi esta diferença que nos impediu de dar uma oportunidade à vida do pássaro. Ele cantava muito bem, sempre todas as manhãs, acordava-nos como se fosse um despertador. Todos aqui em casa adorávamos as suas melodias, até a minha cadela, a Kika, não saía de perto da gaiola, com um olhar surpreendido fixo nele. Sempre que lhe abríamos a gaiola para que se alimentasse, ele tentava fugir e picava-nos.
A avezita era muito esperta, pois apesar de só ter uma pata, um dia, sem que nos apercebêssemos, conseguiu abrir sozinha a gaiola e fugiu. Parecia que tinha aprendido muito bem como se abria a porta da liberdade. A partir daí, nunca mais a vimos e ficamos sem o nosso maravilhoso despertador de todas as manhãs.
Alexandre Pereira
A conquista de muitos prémios
Na minha ainda curta vida já ganhei muitos prémios. Desde os meus cinco anos de idade que treino uma hora e meia, quatro dias por semana e já tenho uma parede cheia de prémios e medalhas, as minhas conquistas. É preciso muito esforço e dedicação, pois não se
conquista nada sem estes dois fatores.
Já vi amigos meus que foram experimentar e, no final de um ou dois dias, já não conseguiam e alguns já não queriam. Para fazer o que eu faço é preciso muita força de vontade e empenho.
Quem começou com isto foi o meu irmão José Carlos Dias, o meu herói. Ele já anda nesta vida há oito anos e já é cinto castanho, além disso também é guarda redes. Depois foi o meu pai, Carlos Dias, que gostou e juntou-se ao meu irmão. Já lá vão sete anos e é cinto negro.
Eu fui crescendo a assistir aos treinos deles e às competições, muitas vezes o meu irmão chegava a casa do treino, falávamos como correu e, por vezes, eu corrigia-o... O gosto pela modalidade já se tinha apoderado de mim
Comecei a praticar com apenas cinco anos e, neste momento, já sou cinto verde. Para quem não sabe, o cinto verde é o anterior ao cinto castanho e o castanho anterior ao cinto preto. Por isso, neste momento, cá em casa, com um ano de treino apenas de diferença entre cada um de nós, também temos apenas um cinto de diferença.
Os meus prémios foram conquistados com muito esforço, quer físico quer psicológico. É preciso gerir muita coisa para conseguir ter as conquistas que eu tenho, e agradeço aos meus pais e ao meu irmão por estarem sempre ao meu lado.
Deixo-vos agora apreciarem as Conquistas dos meus Prémios!
Gabriel Dias
Jogos e brincadeiras
Vou contar-vos uma história sobre mim,
um menino “quase” crescido que gosta
de jogar e brincar.
Gosto muito de jogar, sobretudo jogos na playstation, mas nada se compara às brincadeiras ao ar livre. Para mim, jogar e brincar são sinónimos.
Certo dia, já há algum tempo, pois agora estamos sempre confinados, fui brincar com alguns dos meus amigos. A brincadeira era o jogo das apanhadinhas. A certa altura, foi a minha vez de apanhar. Depois de algum esforço, lá consegui apanhar o Pedro Macedo que parecia que tinha cara de quem tinha comido algo azedo!
Quando o apanhei, é verdade que dei tudo de mim, ele caiu no chão e “rachou-se” todo. Explicando melhor, para além das nódoas negras no corpo, também rachou literalmente o chão todo.
Concluindo, meteu-se em despesas e teve de pagar uma tijoleira nova.
Enfim, joguem e brinquem, mas cuidadosamente!
Tiago Coutinho
Umas férias em casa dos avós
Para chegar a casa da minha avó demoro no mínimo uma hora porque se situa em Trás-os-Montes e pertence ao concelho de Mondim de Basto.
Passo sempre lá alguns dias de férias. Quando lá vou a casa está sempre cheia de gente. Lá é tudo muito divertido, mas quando os meus primos lá estão, fica tudo mais incrível.
Nesta vila transmontana, é tudo diferente, desde as comidas caseiras feitas com produtos dos campos, as ruas largas, onde quase não passam carros e podemos andar de bicicleta, e as típicas festas da terrinha bem divertidas.
Também gosto muito de ir para o campo apanhar batatas com o meu avô e primos. Nós gostamos de atirar batatas uns os outros, sem magoar, é claro! No entanto, os meus tios não apreciam muito a brincadeira. Também costumamos apanhar feijões e descascá-los.
Quando vamos para o rio é o momento alto das férias. Chegamos pela manhã, bem cedo e por lá ficamos o dia todo. Fazemos piqueniques, jogamos às cartas e só regressamos ao final do dia.
Eu adoro ir para Mondim e, sempre que posso, vou matar saudades da família que mora longe.
Beatriz Alves
Um dia em que nevou
Eu tenho o sonho de ir à Serra da Estrela por causa da neve e das paisagens e hei de concretizá-lo.
Um dia acordei e tive de ir para a escola como toda a gente, por isso levantei-me da cama, vesti-me e comi.
Estávamos a sair de casa eu, a minha irmã e a minha mãe para fazermos o percurso a pé. Nessa altura andava no 2.º ou no 3.º ano, e, de súbito, começou a nevar. Depois de cair uma fina camada eu comecei a andar à roda, mas para minha infelicidade eram pequenos flocos de neve que rapidamente se desfizeram.
Miguel Santos
Flávio um primo especial
O Flávio é meu primo e é espetacular. Ele, às vezes, liga-me pelo telefone e diz-me:
-Olha, estás a ouvir-me?
E eu respondo:
-
Eu estou a ouvir-te, mas como vou estar a ver-te, se estás a ligar-me pelo telefone? Não dá para te ver. É óbvio!
Ele tem cada mania que até me faz rir. Mas eu acho que já não
é mania, é vício porque sempre que me liga diz a mesma coisa.
Agora, quando ele me liga, eu até gozo com ele e repito:
-Olha, estás a ouvir-me? Ah! Ah! Ah!
Mas eu gosto muito dele e é um primo muito fixe.
O meu primo é mais velho do que eu 17 anos e nós somos muito amigos. Numa festa de Natal, eu era pequeno e a minha mãe comprou-me uma roupa igual à dele: umas botas amarelas, umas calças rotas e um casaco de couro preto. Estávamos mesmo iguais.
Um dia, fui com o Flávio e os amigos dele ao café, e eles chamavam-me “mano”! E eu fiquei conhecido por mano do meu primo Flávio!
Agora ele está em França e já é pai do meu primo Rafael! E como o pequenito ainda não sabe falar, o Flávio liga-me por videochamada e continua a repetir:
-Olha, estás a ouvir-me?
E eu brinco com ele, respondendo com uma sonora gargalhada:
- Sim, estou a ouvir e a ver-te. Olá, Rafael!
Daniel Duarte
Dias Penosos
Certo dia, comunicaram-me a dizer que a minha bisavó tinha ido para o hospital e fiquei muito preocupado. Entretanto, quando ela saiu da operação, contactaram-me a dizer que estava tudo bem e eu fiquei muito confiante com essa informação.
No entanto, quando cheguei a casa, recebi a mais triste notícia que até então me tinham transmitido: afinal tinha havido um retrocesso no seu estado e a minha avó tinha partido. Fiquei destroçado, pois estava cheio de esperança e acreditava num desfecho favorável.
Nesse dia, relembrei todos os momentos inesquecíveis que passei com ela, desde os mais tristes e felizes aos mais assustadores e perigosos.
Antes de ela partir, nós íamos com alguma frequência, à piscina e ao parque aquático de Amarante. Eram momentos de grande diversão que vivíamos juntos.
No dia do funeral toda a gente estava vestida de preto, mas eu achava que nos íamos vestir de branco, porque, na minha opinião, nós devíamos iluminar os mortos.
Quando fui ao funeral, eu chorei muito porque ela cuidou de mim durante toda a sua vida, tendo sido como uma mãe.
É triste e penoso vermos aquelas pessoas especiais partirem.
Francisco Amaral
Uma visita inesquecível
Num dia muito quente e ensolarado, eu, a minha irmã e os meus pais fomos a um parque de exposições de animais pré-históricos, mais precisamente de dinossauros. A entrada foi grátis, porque recebi um cupão, ao completar uma caderneta.
O parque chamava-se “Dino parque de Lourinhã” e foi uma visita muito especial. Quando entramos, recebemos raspadinhas, como se fosse um quiz, cujo prémio era um boneco em formato de dinossauro, eu e a minha irmã é que participamos, claro!
De seguida, fomos à rota do
triássico, onde vimos um T-rex,
um Sauropode e algumas outras
espécies, das quais não me lembro!
De imediato, seguimos a segunda rota, onde se encontrava um Carnotauro, um Braquiossauro e vários outros Sauropodes para além de um Estegossauro.
Na terceira rota, vimos um Iguanodonte, um Triceratops, um Anquilossauro e um Espinossauro entre outros.
Quando chegámos à quarta rota, lá encontrámos somente um Dimetrodon.
Entretanto, era a hora do almoço e como tal fomos comer e descontraímos um pouco.
Depois de almoçarmos, entregamos as raspadinhas e ganhamos, eu e a minha irmã, o prêmio que como já referi é um boneco em formato de dinossauro e fizemos, ainda, outras atividades.
Gostei bastante desta visita que para mim foi inesquecível!
Gil Teixeira
Um dia do meu confinamento
Era um dia em que estava em casa em confinamento,
na varanda a apanhar ar. Mais tarde, quando
estava a falar com os meus amigos e tinha a janela aberta, reparei que me tinha entrado qualquer coisa para dentro de casa.
Curiosa, fui ver o que era. Procurei por todo o lado o que tinha entrado e só quando entrei na cozinha é que avistei um pássaro. Aproximei-me dele e percebi que estava ferido numa asa.
Cuidadosamente fui tentar ver se localizava bem o ferimento e, logo que consegui, comecei a tratar do pássaro.
Durante alguns dias, alimentei-o e cuidei muito bem dele … Ao fim de uma semana, a ferida sarou e verifiquei se a avezita conseguia mover a asa. Pareceu-me que adquirira a energia necessária e a capacidade de voar para poder regressar ao seu habitat natural.
Entretanto, fui libertá-lo num jardim. Foi assim que consegui ter uns dias de confinamento diferentes e em que me senti útil ao cuidar de um frágil passarito que poderia não conseguir sobreviver sem a minha ajuda.
Iara Cunha
Uma amiga que veio de longe
Certo dia, eu e os meus pais fomos de carro até à Nazaré. Alugamos uma casa num prédio de dois ou três andares. Já não me lembro muito bem. A casa era simples: dois quartos, uma casa de banho, uma sala, uma dispensa e uma cozinha. Felizmente, era perto da praia, porque na altura em que fomos estava calor.
Era a minha primeira viagem, se não me engano! Estávamos num local bastante agradável e eu estava a adorar... o único problema era a televisão que só tinha canais em língua espanhola, se bem que os programas até tinham a sua graça.
A primeira coisa com que nos deparamos na chegada foi um bar, no primeiro andar, onde à noite havia Karaoke. A minha mãe, que adora um bom Karaoke, decidiu que iríamos lá jantar e socializar, visto que não conhecíamos nada, nem ninguém por aquelas redondezas…
A dona do bar, cujo nome não me lembro, era brasileira e, por acaso, logo à primeira deu-se bem com os meus pais e estes com ela. Ela tinha duas filhas, a mais velha tinha precisamente a minha idade e chamava-se Luana…
Enquanto lá estivemos éramos inseparáveis, eu ia a casa dela para brincarmos, algumas vezes, enquanto os nossos pais estavam no bar a divertirem-se…
Entretanto chegou o dia de partida, de volta ao Porto… Foi triste!
Uns anos mais tarde, uns quatro talvez, fomos de novo à Nazaré. Desta vez, só mesmo por aquele dia.
Foi incrível como nos reconhecemos de imediato! Foi, de facto, um dia muito alegre. Passados alguns anos, voltar a ver a Luana foi bom…
Desde então, não voltamos lá, nem sabemos como estão. Contudo, nunca esquecerei aquela amiga que veio de longe...
Iara Machado
Uma noite assustadora
Era uma noite diferente das outras, com muita chuva e um intenso nevoeiro. De súbito, lembrei-me que tinha a roupa a secar no jardim. Quando a fui apanhar, apareceu um homem desconhecido com um tom de pele bastante escuro, que respirava alto e de forma assustadora e tinha um taco de golfe na mão. Com medo, não fiz qualquer pergunta e entrei em casa numa corrida. Fui fechar as portas e janelas e, mal fechei a janela do meu quarto, apercebi-me que ele tentava espreitar para dentro. Corri logo para debaixo da minha cama, onde me escondi.Já estava há algum tempo escondido quando ouvi o barulho de uma janela a ser partida. Foi aí que aquela figura que, agora, parecia ainda mais aterradora, entrou.
Dei conta que ele andou às voltas no quarto parecendo procurar alguma coisa. Ao fim de alguns minutos que me pareceram horas, deixei de o ouvir. Esperei mais alguns minutos para ter a certeza que já não estava em casa.
Assustado com tudo o que tinha acontecido, sai do meu esconderijo, corri na direção do quarto dos meus pais para os avisar do perigo que tinha corrido. Qual não foi o meu espanto, ao abrir a porta e ligar a luz, constatar que, deitado na cama, não estavam os meus pais mas aquele homem escuro e aterrador.
Nessa altura só pensei fugir de casa à procura de ajuda. Corri desesperadamente até que avistei um homem a andar pela rua. Abordei-o e como este se apercebeu da minha aflição, perguntou-me:
-Por que razão estás a correr agitado pela cidade?
-Há um homem a seguir-me! Pode ajudar-me a fugir, por favor?
Então o homem aceitou o pedido, mas como não podia acompanhar-me sem estar preparado, foi a sua casa buscar uma pá para poder enfrentar um possível perigo.
Logo de seguida fomos a minha casa para verificar os estragos e se ainda lá estaria o homem que os tinha provocado. Mal chegamos a minha casa apercebi-me logo que não estava lá ninguém e que não havia quaisquer sinais de janelas ou portas que tivessem sido forçadas. Perante este cenário, o senhor pensou que eu tinha inventado toda aquela história e achou que eu estaria maluco. Mal o senhor se afastou, apareceu à minha frente a mesma figura NEGRA e MEDONHA de que tanto falei. Agarrou-me e eu, cheio de medo, comecei a gritar.
De seguida acordei na minha cama e apercebi-me que tinha sido um sonho e voltou tudo ao normal.
Joaquim Alves
Uma aventura em família
Um dia fui aos passadiços de Paiva com a minha família, nós achávamos que éramos fortes e resistentes, até… àquele dia. Era um percurso bastante longo e sempre que percorríamos alguns metros, sentíamo-nos incapazes de continuar sem beber um pouco de água.
Foram precisos apenas dois quilómetros para ficarmos sem as nossas reservas de água.
Nesse momento, parámos e procurámos uma forma de reabastecer as nossas garrafas de água vazias. Pedimos informações a outra família que caminhava em sentido contrário e que se cruzara connosco, foi então que ficamos a saber que havia uma pequena loja, mais à frente, onde podíamos comprar mais água. De forma a garantir que não passávamos pela mesma situação, os meus pais decidiram comprar mais água do que aquela que tínhamos inicialmente.
Seguimos a nossa aventura em família e perto do final dos passadiços deparámo-nos com umas longas escadas. Já cansados, deitámos as mãos à cabeça, olhamos uns para os outros e ganhámos forças para continuar. Tentei no início contar todas as escadas que subíamos, naquele momento, mas bem antes de chegar a meio desisti, pois já tinha contado mais de 100 degraus e estava a perder a minha motivação para continuar. Aos poucos, fomos subindo, degrau a degrau, até chegar ao topo da montanha. Pelo caminho, aproveitámos para tirar algumas fotografias da paisagem que era muito bonita.
O nosso objetivo nesta aventura era, sem dúvida, ir e voltar a fazer o percurso inverso, mas ao chegar ao final daquela longa caminhada não sentimos forças para regressar. Os meus pais decidiram apanhar um táxi que nos trouxe ao ponto de partida, onde tínhamos o nosso carro para regressarmos a casa.
Concluímos, no final desta aventura, que não estávamos tão bem preparados fisicamente para poder fazer o percurso de ida e volta como pensávamos, mas mesmo assim foi um dia muito divertido e iremos, com toda a certeza, repetir.
Simão Rodrigues
EBS Dr. Vieira de Carvalho, maio 2021
