




Pelos princípios do século xx (vinte) havia uma família pobre das Fontes, na Graciosa, a quem morriam muitas criancinhas pouco depois de terem nascido. É verdade que os pais eram pobres e não tinham posses para criar muitos filhos, mas se Deus os dava, tinham de amá-los e criá-los.















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Pensando isto, pôs-se logo alerta. Pouco saía de casa para vigiar tudo o que se aproximava do bercinho do recém-nascido.
Numa certa hora, quando estava à espreita, olhou, por acaso, para o texto e viu uma aranha muito, muito grande. Metia medo. Depois o bicho feio saiu da teia e começou a descer vagarosamente por um fio, na direção da cama.
O homem, que estava cheio de raiva, pegou numa tesoura que tinha à mão e, com violência, cortou a teia de aranha.













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Imediatamente o repugnante bicho se transformou numa linda rapariga, mas que ele não conhecia na vizinhança. Ela começou a dizer que ele tinha de a ir levar a casa, como sempre acontecia, senão algum mal lhe viria. O homem estava tão zangado que nem o espanto nem o medo o fizeram hesitar. Disse que não ia com quantas forças tinha e, pegando num bordão de marmeleiro, foi-lhe dando verdascadas, enquanto lhe dizia:
“Bruxa! Feiticeira! Já me chupaste os pequenos todos, mas não me chupas mais nenhum, senão mato-te!”
A feiticeira desistiu da ideia de que ele havia de ir levá-la a casa, fugiu a sete pés e nunca mais teve coragem de se aproximar dos filhinhos do dito homem.










FIM
