Esta história vai fazer parte da próxima fase do CNL e temos uma aluna da nossa turma, que vai fazer parte desta fase do concurso.

Um sem-abrigo é uma pessoa que por não ter condições económicas e/ou sociais, vive na rua ou em abrigos improvisados, não dispondo de morada fixa.

Quando eu era pequenino, via pessoas a dormir na rua e achava que estavam ali, noite após noite, porque gostavam muito de olhar para as estrelas. Para mim, eram uns sortudos, porque, no meu quarto, da minha cama, não conseguia ver o céu imenso e estrelado. Apenas um teto branco e a sombra do luar no candeeiro.



Anos mais tarde, já um pouco mais crescido, os meus pais explicaram-me que as pessoas que viviam na rua estavam, na verdade muito tristes
Para mim, era normal ver muitas caras diferentes na rua, umas felizes, outras mais tristes.



Por exemplo: a senhora Sofia, dona da farmácia anda sempre triste. Já o meu vizinho, senhor Manuel, que sabe o peso de tudo ( de um avião, de um camião, de um foguetão), é bastante feliz. Fiquei confuso. Afinal havia pessoas que traziam tristezas muito grandes dentro de si. Mas porquê?
Então, os meus pais explicaram-me que podemos ficar tristes por muitas razões. Quando gostamos de alguém que não gosta de nós, por exemplo.
Ou o contrário: quando alguém está apaixonado por nós e não sentimos o mesmo. E há situações mais graves, como a morte de alguém próximo, a perda de emprego ou sabermos que um familiar ou amigo está com dificuldades em pagar as contas no final do mês.
Contaram-me que se dá o nome de sem-abrigo a quem não tem casa. São homens e mulheres não têm onde viver, uma porta com fechadura para abrir e fechar quando quiserem.
Não têm uma casa que os proteja de chuva, do calor ou do vento. Não têm uma cama para se esticarem depois de um longo dia. Não têm quem os abra ou ajude. Muitos deles estão completamente sós. No vão das escadas de um teatro, num canto de uma estação de metro, debaixo do comboio de um viaduto.
Os pingos da chuva não batem nas janelas, mas sim nos seus rostos.
Porque será que estamos todos a ajudar os sem-abrigo?
Decidi que queria fazer algo por eles!
Falei com os meus pais e disse-lhes que, todos os anos, no dia de Natal, iriam procurar instituições de apoio aos sem-abrigo e reunir roupa e comida para lhes oferecer. Era a minha parte favorita de Natal, poder partilhar os sacos que tinha organizado com mantimentos e agasalhos.
Até cheguei a ouvir um “Obrigado. És um miúdo muito simpático. Da cá mais cinco!”
Eu dava. E ali ficávamos a conversar como se fôssemos amigos há muito tempo.




N as conversas, linha e exemplos, o senhor tinha a estudar na Universidade, teve um exemplo, o senhor, a estudar na Universidade, teve um exemplo, a aprender, mas trinta anos que dorme no chão…


“Há uns anos, pedi um livro, A história da Filosofia.
Ofereceram-mo, mas roubaram-mo logo aqui na rua.
Agora já não quero nada. Perdi parte da visão e deixei de conseguir ler.”
Conheci outro senhor que, todas as manhãs dava migalhas das suas sobras aos pombos…
Sempre me ensinaram que, na vida, não devemos ter medo ou vergonha de fazer perguntas, por isso perguntei-lhe:
“O que gostou de receber no Natal?”
A resposta surpredeu-me :
Sempre que terminava estas conversas, ficava a pensar como os sem-abrigo são pessoas como nós, que só querem uma casa, um emprego, uma vida nova.
Um lugar seguro de onde possam olhar as estrelas no céu. É uma ligação ao mundo, alguém que os oiça e compreenda, que lhes dê algo tão importante como o aconchego do lar: amizade.


Já no carro, a minha mãe dizia-me que, à medida que vamos crescendo, vamos mudando de opinião sobre muitos assuntos, vamos olhando para as coisas de novas perspetivas, percebemos que as nossas convicções, em pequenos, não sobrevivem à realidade.






Todos os o meu maior desejo é que este
deixa de fazer sentido. Será sinal que a amizade e o amor venceram e de que todas as pessoas têm um abrigo a que chamar seu.
A história vista pelos artistas!!!
