da Escola Básica Dr. Garcia Domingues
2022

O Sacarrabos e
a Lontra
4ºA GD

Era uma vez um sacarrabos e uma lontra que viviam perto de uma ribeira no Geoparque Algarvensis.
Apesar de a lontra ser simpática e meiga com o sacarrabos, ele não queria ser amigo da lontra. O sacarrabos estava tão farto da lontra que decidiu pregar-lhe uma partida. O sacarrabos foi a casa da lontra e perguntou:
- Querida Lontra, quer ter a honra de vir jantar a minha casa?
- Claro!! Vou já atrás de si! – respondeu a Lontra.
Quando chegaram a casa do Sacarrabos, ele disse:
- Volta já, vou buscar o jantar.
Saiu de casa e quinze minutos depois voltou com duas cobras. Mal a Lontra viu as cobras exclamou:
- Mas… eu não como cobras!
- Se não come, como eu! - respondeu o Sacarrabos todo contente por ter toda a comida por sua conta.
A Lontra ficou todo o jantar a ver o Sacarrabos devorar as cobras. Como ela não era tonta, percebeu o que realmente se estava a passar. Então decidiu vingar-se.
Uma semana depois, a Lontra foi falar com o Sacarrabos para perguntar se ele queria almoçar com ela. Ele respondeu que sim, pensando que a Lontra não se tinha apercebido da partida que pregara. Quando o Sacarrabos chegou a casa da Lontra, pediu para entrar e sentou-se à mesa. Esperou meia hora até que a Lontra chegasse com o almoço. Quando viu a comida, o Sacarrabos exclamou:
- Ahhh… eu não vou comer isso! Eu não gosto de lagostins!
- Não gosta? Mas os lagostins são deliciosos… Não se preocupe, eu como tudo – disse a Lontra.
Ela acrescentou ainda:
- Está a ver, não faça aos outros aquilo que não gosta que façam a si.
- Desculpe, quer ser meu amigo e esquecer isto tudo? – perguntou o Sacarrabos arrependido do que tinha feito.
- Sim. Não há problema! Podemo-nos tratar por tu? – propôs a Lontra.
- Claro! – disse o Sacarrabos.
O Sacarrabos aprendeu a lição e passaram a ser grandes amigos!
O bufo-real
e o Peneireiro-
cinzento
4ºB GD

O Bufo-real era uma ave grande e majestosa que vivia numa zona rochosa da serra. Ele tinha muita vaidade por ser a maior ave das redondezas. Todas as aves da sua família eram notívagas, ou seja, estavam acordadas e caçavam durante a noite. Ele estava farto desta vida monótona. Ele adormecia quando nascia o sol mas via outras aves e outros animais acordarem precisamente quando ele adormecia. Isso intrigava-o. Ele sentia curiosidade em saber como era o dia.
Um dia, muito cedinho pela manhã, o Bufo-real decidiu não adormecer e ir viajar para conhecer a planície. Como estava um dia nublado, a luz solar não o incomodou muito.
Ao chegar à planície pousou num sobreiro. Para sua grande surpresa, avistou um ninho com um passarinho. Ele, que estava farto de comer sempre o mesmo, pensou que isto seria um belo petisco. Quando se aprontava para engolir a pequena ave, chegou o pai desta, o Peneireiro-cinzento. Apesar de o Bufo-real apresentar uma estatura maior, o pai não sentiu medo deste e enfrentou-o dizendo:
- Por favor, não comas o meu único filho. Ele ainda é tão novinho, precisa de viver para crescer, conhecer o mundo e ter uma família.
Além disso, visto que V. Exa é uma ave tão grande, de certeza que ficaria com fome com uma iguaria tão pequena. Ao fazer-me este favor quem sabe se um dia não o irei recompensar?
- Ah, ah, ah… - riu-se o Bufo-real – Eu precisar de ti!?! Ah, ah, ah… Tu não passas de uma ave insignificante!
Apesar da sua altivez, o Bufo-real decidiu não comer a cria e continuar a sua viagem. Contudo, à tardinha, regressou para junto da sua família.
No dia seguinte, resolveu aventurar-se, de novo, pela zona de planície. Como estava um dia soalheiro, o Bufo-real encandeou-se com a luz solar, embateu contra um sobreiro e ficou preso num ramo da árvore.
Muito aflito, começou a pedir socorro. O Peneireiro-cinzento, que se encontrava nas proximidades, reconheceu a voz do Bufo-real e aproximou-se para ver o que se passava. Bastante alarmado, o Peneireiro-cinzento chamou pelos seus amigos. Todos juntos, conseguiram cortar as folhas e os pequenos ramos que rodeavam o Bufo-Real e assim salvaram-no. Este agradeceu o Peneireiro-Cinzento e reconheceu que tinha errado.
O Bufo- Real aprendeu que nunca devemos subestimar a capacidade dos mais pequenos e fracos.
O Abelharuco
e o Ouriço-
cacheiro
4ºC GD

O Ouriço-cacheiro andava à procura das mais lindas flores do campo. Ao fim de uma hora de viagem, finalmente encontrou o que pretendia. Ele procurava flores porque era lá que se encontravam as abelhas para o seu almoço. Nesse momento apareceu o Abelharuco que também queria almoçar umas belas abelhinhas. Ele pensou numa forma de desviar o Ouriço-cacheiro daquele local, de forma a ficar com as abelhas todas para ele. Então disse ao Ouriço-cacheiro:
- Porque não vais ao cimo daquele monte? Sabes amigo Ouriço-cacheiro, lá existem muito mais flores do que aqui.
- Mas isso vai demorar muito tempo e eu estou cheio de fome – respondeu o Ouriço-cacheiro.
Então o abelharuco pegou num pau e desenhou um quadrado, no meio fez um traço e dividiu o quadrado. Num dos lados desenhou um ponto e no outro vinte pontos.
- Este lado que tem um ponto é aqui e o de vinte é no cimo do monte. Como podes ver amigo Ouriço-cacheiro, vale a pena o esforço. Se fores lá acima vais encher a tua barriguinha – afirmou o Abelharuco.
O Ouriço-cacheiro não esperou nem mais um minuto e desatou a correr. Entretanto o Abelharuco ficou com as abelhas todas por sua conta, tendo um almoço bem abastecido.
O Ouriço-cacheiro correu, correu, parecia que quanto mais corria mais longe ficava a serra. Depois subiu, subiu o monte até que chegou ao topo. Realmente havia algumas flores mas não tantas como o Abelharuco tinha indicado. Como já era de noite, as abelhas já se tinham retirado todas. O Ouriço-cacheiro apercebeu-se, então, que o Abelharuco tinha planeado tudo e ele caíra na sua armadilha.
Ele aprendeu que não devia ser tão ganancioso: “Quem tudo quer tudo perde” e “Quem muito abarca, pouco abraça”.
A Borboleta-castanhinha
e a Raposa
4ºD GD

Num belo dia de primavera, a Borboleta-castanhinha encontrava-se a passear pelo campo. Andava feliz a pousar de flor em flor.
Sorrateiramente uma Raposa aproximou-se e observou a Borboleta a voar. Como estava esfomeada, pensou numa forma de a apanhar. Então disse numa voz doce:
- Borboleta-castanhinha, aproxima-te de mim para conversarmos um pouco.
A Borboleta-castanhinha não se deu ao trabalho de responder pois não conhecia aquela raposa.
A Raposa continuou a tentar convencer a Borboleta:
- Sabes borboletinha, podemos ser grandes amigas e contar histórias fantásticas uma à outra.
Desta vez a Borboleta-castanhinha respondeu:
- Não gosto de conversar com quem não conheço. Além disso vou-me já embora.
A Raposa, porém, insistiu com palavras meigas:
- Querida, se vieres conversar comigo revelo-te um segredo muito importante.
A Borboleta-castanhinha desconfiou da insistência da Raposa e voou até à árvore mais próxima, para se afastar dela.
- Sabes Raposa, estou ansiosa por ouvir o teu segredo.
Ao ouvir estas palavras a Raposa pensou “ Não tarda, tenho-te no papo!”
A Borboleta-castanhinha acrescentou:
- Sobe, então, até aqui acima onde eu estou para conversarmos as duas. Sendo como és uma raposa tão esperta deves, com certeza, conseguir subir a árvore.
A Raposa compreendeu que a Borboleta-castanhinha era, afinal, mais esperta do que ela e assim deu meia volta e continuou o seu caminho envergonhada.
"Quem duvida, não se engana."
"Arte de agradar, arte de enganar."
“Mais depressa se apanha um mentiroso do que um coxo.”
