"Emigrar é separarmo-nos de metade de nós."

Um dia, quando eu ainda era muito pequenina, a minha mãe disse-me que íamos fazer uma viagem. Eu adorava viajar com a mamã. Quando saímos de casa, encontrámos muitos outros animais. Todos eles traziam as suas crias e mais um monte de coisas. Eu estava muito animada para a viagem, mesmo que a mamã não me tenha dito para onde íamos e nem pareça tão animada como eu.
Os animais começaram a organizar-se numa fila muito grande e todos seguimos atrás uns dos outros, rumo a um lugar desconhecido.
Andámos, andámos e andámos sem parar, todos mantínhamos a cabeça para baixo até que parámos.
Os adultos começaram uma conversa de adultos, daquelas em que as crianças são sempre proibidas de ouvir.
Os animais pousaram as coisas no chão e alguns deles subiram para se sentar nas árvores. A mamã pegou em mim e disse que íamos apenas descansar uns minutos e que, depois, retomaríamos a nossa viagem para um lugar melhor.
Os meus olhos já estavam pesados e não foi difícil eu cair no sono.
Alguns minutos depois, fui forçada a abri-los, quando um barulho alto se fez ouvir. Algumas das crianças estavam a chorar, mas eu estava demasiado chocada para ter qualquer reação. Ninguém se preocupou em pegar nas suas coisas, nós só corremos o mais depressa que conseguíamos. Desespero é uma palavra que podia descrever a forma como nos sentíamos. Nós chegámos a um rio e todos tentaram subir para um barco que lá se encontrava.
Assim que avançámos alguns metros, em cima do dito barco, ele afundou. No momento em que voltei a pôr os meus pés em terra, ouvi um dos adultos dizer que nem todos tinham conseguido.
Eu não sabia bem o que aquilo queria dizer, mas quando olhei para cima, vi uma ave enorme levar alguma coisa em direção ao céu.
Não consegui ver o que é que a ave levava e nem tive tempo de pensar nisso, já que todos voltaram a correr e eu, como era pequena, tinha que correr o dobro para os apanhar.
Os nossos pés eram os únicos sons que se ouviam. Muitas horas depois. finalmente, vimos algo, algo... colorido! Eu não sabia o que era, mas gostei. Quando os adultos viram, ficaram espantados e pareciam cheios de esperança.
Eu cheguei-me à frente, pronto para a minha próxima aventura.
