Alguns alunos leram e ilustraram estas estrofes.
Foi um trabalho realizado no âmbito da comemoração do 25 de abril e do Dia Mundial da Voz.

Era uma vez um cravo
nascido no mês de abril
para enfeitar a tarde
de uma festa infantil
E esse cravo de abril
de um vermelho tão vivo
olhei o mundo ao redor
com o seu olhar altivo
Mas era um cravo triste
porque triste era o país
e a sua tristeza ia
desde o caule à raiz
Mas nessa noite acordou
ao ouvir na telefonia
uma música bonita
que anunciava alegria
Um cantor chamado Zeca
dizia no seu refrão
que era tempo de amizade
com um travo de emoção
E esse cravo de abril
Ouviu marchas militares
e viu sair os soldados
entre vivas e cantares .
E a D. Floripes
nessa loja de flores
disse aos cravos e às rosas:
vão chegar dias melhores”.
Tinha um filho na guerra
outro em Paris exilado
e sonhava com o dia
de os ter de novo ao seu lado
Esse dia estava perto
e ela bem o sabia
por isso limpou as lágrimas
e colou-se à telefonia
As notícias eram boas
e fresquinhas como cravos
e alegria nas praças
custava poucos centavos
Os cravos eram baratos
e toda a gente os queria
tinham a cor garrida
da festa da poesia
Uma campainha soou
estava o telefone a tocar
era o filho de Paris
a dizer que ia voltar
À frente da sua loja
vinha um tanque a passar
ela saiu do balcão
e veio para a rua acenar
Mas vinha de mãos vazias
e algo queria oferecer
aos soldadinhos valentes
que a faziam renascer
Foi então pegar no cravo
que estava ali a espreitar
e foi pô-lo na espigarda
que trazia um militar
O soldado agradeceu
com o rosto iluminado
levantou bem alto o cravo
no seu tanque engalanado
Era um cravo de paz
em arma de fazer guerra
era a flor desejada
para enfeitar esta terra
E a D. Floripes
tomou uma decisão:
abriu as portas da loja
à festa da multidão
Cada cravo era um instante
da sua grande alegria
queria inundar Lisboa
com cravos de poesia
E o cravo desta história
que aqui se conta rimada
foi o símbolo da festa
nascida de madrugada
Lá passou de mão em mão
entre o Carmo e o Rossio
era um cravo esvoaçante
a espreitar ao fundo o rio
Os soldados, os capitães
da guerra já fatigados
trocavam balas por cravos
com os civis abraçados
E esse cravo de abril
renasce todos os anos
com o aroma dos afetos
para fazer novos planos


E NO FUNDO PARA LEMBRAR
QUE ABRIL NÃO ACABOU
POIS NÃO É SÓ UMA DATA
MAS O FUTURO QUE COMEÇOU.
