Revisão gramatical: Maíra Maiana de Oliveira Garcia
Vou dedicar este pequeno livro aos verdadeiros amigos, aos Dani da vida. Em especial ao meu amigo Daniel Alves de Lima. Que todos saibam: eu tenho um grande amigo! E este grande e iluminado amigo me fez enxergar, que as pessoas podem ser boas ou ruins, mas depende muito mais de você do que delas.

E você que vai ler este livro, também gostaria de ter um amigo igual ao Dani, me responda depois que ler, ou ouvir este livro.

Meu amigo, Dani.
Eu acabava de mudar de escola e ia para o 6º ano. Confesso que estava muito irritado; na minha mente lembrava das brigas que me metia, e das muitas gozações que faziam comigo. Hoje chamam isso de bullying…
-Será que nessa escola vai ser diferente? - pensei
Quando cheguei na escola fiquei surpreso ao ver que na sala de aula um colega da turma sorriu para mim, como se me conhecesse. Normalmente a minha cara amarrada nunca conseguia fazer amizades com facilidade.
Enfim, começou uma aula e a professora estava usando um projetor que jogava imagens em uma tela, e a sala ficava meio escurecida. Tinha uma luz que saía da máquina, aquela luz começou a provocar alguma coisa ruim em mim. Como eu não podia sair da sala, uma irritação enorme tomou conta de mim. Tanto que eu não escutava mais a professora… Puxa vida, eu já estava começando a causar uma confusão; juro que eu não queria, mas o jeito era enfrentar. Eu não sei explicar, minha vontade era só de sair dali.
Aquele menino que sorriu para mim, percebeu que eu não estava bem, ele entendeu que algo me incomodava e foi falar com a professora. A aula foi interrompida, logo, ele correu para fora e me trouxe um copo de água. A professora estava me olhando e eu estava me sentindo meio desnorteado. Amarrei a cara para enfrentar todo mundo, pois, não sabia como arrumar toda àquela confusão, eu achava que a culpa era minha. Logo depois me surpreendi com o Dani novamente; ele sorriu para mim como se fossemos amigos de muito tempo, e me disse:
-Tome isso, vai desfazer o efeito da kriptonita.
-Bonita? - Perguntei entre os goles meio forçados de água. Ele achou graça e repetiu:
-“kriptonita”. Você acabou de sofrer o efeito da kriptonita, igual ao Super-homem.
Em seguida ele pegou no meu ombro e fomos para o corredor. Curioso, eu perguntei:
- Como sabe disso?
- Sei porque meu irmão também tem problemas com as kryptonitas.
- O que são kryptonitas?
- Kriptonitas são todas as coisas que nos tiram as forças ou a atenção e desviam o nosso pensamento daquilo que é importante.
Falo assim, porque comparo ao super-homem, elas são as únicas coisas que o enfraquecem.
- Como você sabe essas coisas?- perguntei...
- Sei porque tenho experiência. Meu irmão também sofre com as kryptonitas e lá em casa somos uma equipe. Meu irmão faz muitas coisas legais para todos nós, e nós o ajudamos quando ele se depara com alguma kriptonita. Agora, vejo que devemos formar uma equipe em nossa sala também. Dessa forma, você pode nos ajudar quando tivermos problemas, e nós te ajudaremos com as kriptonitas. O que você acha?
Não sei o que respondi, estava curioso...
- Mas uma luz pode ser kriptonita para mim?
- Sim, algumas luzes podem nos afetar, mas isso não acontece com todas as pessoas. Eu também tenho uma kriptonita…
- Sério? E qual é?
- Se eu tiver um machucadinho meu sangue não para de sair, então, preciso de ajuda imediata para fazer parar…
- Estarei atento, vou conseguir um curativo. No caso de você precisar, poderei te ajudar…
- Obrigado, trato feito. Eu tenho um aqui, você pode pegar em minha bolsa se precisar agir.
E foi assim que conheci o Dani. Ele era o mais velho da turma e a professora sempre pedia ajuda a ele. O Dani me pedia ajuda algumas vezes, pois sabia que podia contar comigo.
Ele também entendia bem os professores e me explicava que eu não deveria brigar com a professora. Ela não era chata, e na verdade queria que eu não me distraísse perdendo o tempo de fazer o trabalho, isso ajudava a fortalecer a inteligência. Algo parecido com exercícios para criar músculos, ali no caso é para preparar o cérebro para receber maiores poderes.
Às vezes, nas apresentações de trabalho na turma, o meu amigo Dani cochichava:
- “Calma amigo, deixe os outros apresentar primeiro agora”. Ele afirmava que eu me empolgava muito às vezes, e que um jeito de me fortalecer para não sofrer com as kriptonitas era não ser apressado demais.
Eu confiava no Dani e com o tempo percebi que na minha turma havia muitos colegas legais; era só eu ter paciência com eles, principalmente com as meninas, pois meninas pensavam um pouco diferente dos meninos. Uma coisa é certa, no fundo, todos nós temos nossas kriptonitas e nossas superforças; assim como o Super-homem e a Super-mulher.
Uma vez perguntei:
-Como você pode ser legal com o…? (Não vou falar o nome dele, mas era um colega que sempre brigava com todo mundo)
E ele respondeu:
-Viu que dificilmente ele briga comigo? Eu mostro a ele que eu sou legal, independente dele merecer ou não. Então ele sabe que não vou ameaça-lo”.
Fiquei pensando, isso é verdade. Já vi o Dani perdendo a paciência, e com algumas respiradas fundas ele logo voltava a sorrir.
Se existe uma pessoa que vale a pena ter por perto, essa pessoa é o Dani, ele sabe das coisas. Até os adultos percebiam. Meu pai uma vez ao me buscar na escola viu o Dani e perguntou para mim:
-Quem é esse menino?
Parece iluminado. É seu amigo?
- É o Dani, ele é amigo de todo mundo!
Foi o Dani quem me fez compreender que a escola é um lugar privilegiado e que a gente aprende com os professores e também com os colegas.
Mas isso não significou que não tivesse mais problemas nas escolas onde passei. No entanto, aprendi que em qualquer colega pode ter um Dani, ou um irmão do Dani. Então penso que todos nós temos pontos fortes e outros pontos que ainda devem ser fortalecidos com os conselhos de pessoas iguais a ele.
Mas que o Dani era legal, sim, era mesmo. Não só comigo, ele era simpático com todos e todos gostavam dele.

Uma história de João Alberto Garcia
por incentivo de Denise Targino
