
Ártemis
Irmã gémea de Apolo, é, sob certos aspetos, a sua forma feminina: ambos iluminavam alternadamente o mundo-Ártemis era a deusa da luz, como ele era a do sol; Apolo era Febo e ela Febe (a ''brilhante''). tal como seu irmão, tinha vários nomes: na Terra era ártemis; no céu, a Lua ou Selene; no Inferno, Hécate. Tendo nascido um dia antes de Apolo, concebeu tal horror pelo casamento que, segundo a tradição, obteve de Zeus, seu pai, o privilégio de conversar eternamente a virgindade, assim como atena (foram, as duas, chamadas as ''deusas brancas'').
Manteve-se assim alheia às paixões amorosas dos deuses e dos homens. É a mais casta das deusas. Rainha das florestas e das montanhas, que percorria acompanhada pelas suas ninfas- setenta, chamadas Oceâneas, e vinte Ásias -, o seu maior prazer era caçar animais selvagens, como o arco e as flechas de ouro, que o seu pai lhe dera, e os treze cães que lhe foram oferecidos pelo deus Pã. Exigia das ninfas inviolável castidade e impunha o mesmo voto aos seus sacerdotes e sacerdotisas, punindo sem piedade os que o infringiam. Gostava de se banhar nas águas límpidas das fontes e castigava implacavelmente aquele que a surpreendesse no banho: Actéon, que teve essa ousadia, foi transformado em veado e dilacerado pelos cães.
Sendo embora a deusa caçadora, tinha grande predileção pela música e pela dança.
A região que mais lhe agradava era a Arcádia, habitada por pastores e agricultores, que protegia, assim como todos os jovens que se lhe conversavam fiéis. Mostrava-se, pelo contrário, ciumenta, vingativa e inflexível para com os que esqueciam o compromisso tomado para com ela. Quando se sentia ofendida, não hesitava em matar, destruir as searas e os rebanhos, espalhar epidemias e humilhar fosse quem fosse que a tivesse afrontado, como se conta nas inúmeras lendas que lhe dizem respeito.
Contudo, apaixonou-se por Endimião, pastor de rara beleza, a quem Zeus, seu avô, concedera, conforme ele lhe pediu, o dom de um sono perpétuo, que o eximisse à morte e o conservasse eternamente jovem. Selene (a Lua) ia todas as noites contemplá-lo na gruta do monte Latmos, na Cária, onde ele estava adormecido, mas de olhos abertos e divinamente calmo. Esta deusa, de carácter extraordinariamente complexo, odiava as mães prolíferas, tendo-se juntado alegremente a seu irmão Apolo para crivar de setas os filhos da desventurada Niobe (filha de Tânttalo e esposa de Anfíon, de quem teve sete filhos e sete filhas- Homero atribuiu- lhe doze, e Hesíodo vinte, metade de cada sexo; foi uma heroína tebana).
Especialmente venerada na Arcádia, era adorada em todos os países montanhosos e selvagens do mundo grego. O seu templo mais célebre era o de Éfeso- uma das sete maravilhas do mundo-, de extraordinária riqueza, para cuja construção e ornamentação, que levou duzentos e vinte anos, concorreu toda a Ásia.
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