"O verdadeiro analfabeto é aquele que sabe ler, mas não lê."
Mário Quintana

INDÍCE
1.Fernando Pessoa (página 3)
1.1.Poesia Ortónima (página 8)
1.2.Poesia Heterónima (página 15)
2.Primo Levi ( página 23)
FERNANDO PESSOA
trabalho do 1º Período
Fernando António Nogueira Pessoa nasceu em 1888, em Lisboa, aí morreu em 1935, e poucas vezes deixou a cidade e os seus arredores em adulto, mas passou nove anos da sua infância em Durban, na colónia britânica da África do Sul, onde o seu padrasto era o cônsul Português.
Pouco depois de completar 17 anos, voltou a Lisboa para entrar no Curso Superior de Letras, que abandonou depois de dois anos, sem ter feito um único exame. Preferiu estudar pela sua própria conta na Biblioteca Nacional, onde leu livros de filosofia, de religião, de sociologia e de literatura a fim de completar e expandir a educação tradicional inglesa que recebera na África do Sul.
Embora solitário por natureza, com uma vida social limitada e quase sem vida amorosa, foi um líder ativo da corrente modernista em Portugal, na década de 1910, juntamente com outros escritores como Almada Negreiros, Mário Sá Carneiro e Santa Rita Pintor.
Pessoa manteve-se afastado das luzes da ribalta, exercendo a sua influência, todavia, através da escrita e das tertúlias com algumas das mais notáveis figuras literárias portuguesas.


Fernando Pessoa começou a escrever poemas em criança – o seu primeiro poema data de 1895, quando tinha sete anos. Fê-lo desde logo em português, mas depressa passou a usar também outras línguas. Começou pela poesia e alargou-se cedo a outros géneros como as notícias, charadas e anedotas que couberam no jornal O Palrador.
A par da poesia, escreveu ensaio, teatro, correspondência vária, novelas policiárias e dedicou-se também à astrologia, além de ser inventor, crítico literário e publicitário. Manteve-se sempre ligado a projetos editoriais e revistas, como a Orpheu (grande motor de arranque do movimento modernista, em 1915), a Athena, a Presença e a editora Íbis.
Fernando Pessoa é dono de uma vasta obra, ainda que tenha publicado somente 4 obras em vida.
Esta obra é constituída por vários textos e poemas, escritos em seu nome e com outros nomes. Assim, os poemas assinados por Pessoa, ele mesmo, constituem a poesia ortónima e aqueles que apresentam nomes de diferentes personalidades criadas por Pessoa (com personalidades diferentes e biografia e estilos próprios), constituem a poesia heterónima.
Além dos heterónimos Alberto Caeiro, Ricardo Reis e Álvaro de Campos e do semi-heterónimo Bernardo Soares, o número de figuras por si criadas e relacionadas com a autoria de textos ou poemas ascende a mais de uma centena, como António Mora, Jean Seul de Mérulet, Dr. Pancracio, Charles Robert Anon, Alexander Search ou Abílio Quaresma
O grande valor de Fernando Pessoa está na sua profunda, quase chocante, originalidade. Ele nunca pensa nem diz como os outros, a força do seu estilo está no imprevisto, no choque do paradoxo e sobretudo do jogo artístico do fingimento. Para ele a arte é um jogo entre sensibilidade e razão.
As suas últimas palavras foram escritas a lápis, em inglês, na véspera da sua morte: "I know not what tomorrow will bring" (Não sei o que o amanhã trará).

POESIA
ORTÓNIMA

Não digas nada!
Não digas nada!
Não, nem a verdade!
Há tanta suavidade
Em nada se dizer
E tudo se entender —
Tudo metade
De sentir e de ver...
Não digas nada!
Deixa esquecer.
Talvez que amanhã
Em outra paisagem
Digas que foi vã
Toda esta viagem
Até onde quis
Ser quem me agrada...
Mas ali fui feliz...
Não digas nada
Este poema de Fernando pessoa, trata-se de um poema ortónimo, que apesar de curto, mostra ser intensamente dramático.
Neste poema, o sujeito poético dirige-se a um interlocutor, não nomeado, pedindo-lhe silêncio. O eu lírico sente que perdeu a sua amada (“...ali fui feliz...”) e perante essa situação , este deseja diante da despedida, simplesmente ficar na companhia da voz “do silêncio”.
Fernando Pessoa pede silêncio, para que possa sonhar com a sua relação como forma de não ouvir a realidade. A este apenas lhe basta o sonho de uma felicidade que nunca se tornará real.
Escolhi este poema, pois mostra-nos que o silêncio nem sempre é um inimigo, mas sim um companheiro. É no silêncio que podemos encontrar a paz e refletir acerca de um turbilhão de pensamentos residentes em nós mesmos. Este é valioso, pois auxilia-nos a caminhar com muita mais leveza e ajuda-nos no desapego, na libertação de algo que nada mais faz sentido.
Como leitora, consegui sentir a frustração do sujeito poético e a sua vontade em se isolar do mundo, devido a toda a dor que sentia. A dor de deixar, algo que já foi nosso, partir.
Cansa sentir quando se pensa.
Cansa sentir quando se pensa.
No ar da noite a madrugar
Há uma solidão imensa
Que tem por corpo o frio do ar.
Neste momento insone e triste
Em que não sei quem hei-de ser,
Pesa-me o informe real que existe
Na noite antes de amanhecer.
Tudo isto me parece tudo.
E é uma noite a ter um fim
Um negro astral silêncio surdo
E não poder viver assim.
(Tudo isto me parece tudo.
Mas noite, frio, negro sem fim,
Mundo mudo, silêncio mudo —
Ah, nada é isto, nada é assim!)
Este poema pertence a Fernando Pessoa ortónimo, tendo muito presente a dualidade sentir/pensar.
Neste poema, a dor de pensar é provocada pela intelectualização do sentir: quando pensamos muito no que estamos a sentir, deixamos de ter sensações e emoções puras, pois o pensar elimina o sentir, e cansa.
A dor de pensar resulta também da ausência de respostas, que leva o sujeito poético a sentir-se só, numa "solidão imensa", simbolizada pela "noite", pelo "negro astral", pelo "silêncio surdo", pelo "frio", pelo "negror sem fim" e pelo "silêncio mudo".
Pessoa preocupa-se com o mistério da existência pois para ele a vida é uma ilusão e a ausência de respostas provoca a consciência da tragicidade da vida. Tal como se pode constatar pelo último verso do poema, o poeta não pode viver sem a verdade, sem a obtenção de respostas.
Escolhi este poema porque demonstra o sentimento presente quando muitas vezes pensamos demais, o que pode ser agravado pela ausência de respostas, que gera em nós uma incerteza, juntamente com solidão e dúvida, deixando-nos cabisbaixos e num estado de espírito triste e escuro.
A verdade é que todos temos momentos na vida em que nos questionamos, em que as dúvidas pairam sobre a nossa cabeça e isso leva a nos subcarregarmos com o pensamento. Ao ler este poema de Pessoa percebemos que temos aqui presente uma certa incapacidade de viver e uma certa confusão do interior e acabamos por sentir isso também.
POESIA
HETERÓNIMA

Alberto Caeiro, heterónimo de Fernando Pessoa, é o autor deste poema. Alberto Caeiro nasceu em Lisboa em 1889 e morreu em 1915, mas viveu quase toda a sua vida no campo. Não teve profissão, nem educação quase nenhuma, apenas a instrução primária. Escrevia mal o português.
Foi o primeiro heterónimo a aparecer e Pessoa chama-lhe “Mestre” por não procurar um sentido para a vida, dado que se contenta com o que vê e sente em cada momento.
É o poeta bucólico, apresenta-se como um simples “guardador de rebanhos”, que só se importa em ver, de forma objetiva e natural, a realidade com a qual contacta a todo o momento. Daí o seu desejo de integração e comunhão com a Natureza, defendendo a necessidade de estar de acordo com ela, de fazer parte dela.
O poeta confessa não ter “ambições nem desejos”. Ser poeta é a sua “maneira de estar sozinho”.

Este é um poema do heterónimo Alberto Caeiro, incluído nos "Poemas Inconjuntos" do poeta e publicado pela primeira vez em 1945 na revista "Athena".
Neste poema, o poeta escreve sobre a morte, a primavera e a continuidade das coisas da vida.
Ao descrever a chegada da Primavera e ao colocar-se, hipoteticamente, já morto, o sujeito poético pretende transmitir essa mesma sensação de naturalidade. A natureza não pensa e por isso todos os seus processos são conjuntos e não individuais. No seio da natureza a ausência de um elemento não para a evolução contínua dos restantes. É por isso que um pensamento aparentemente triste - a morte - gera uma alegria tão grande em Caeiro. Se a natureza ignora a sua morte, é porque ele faz parte da natureza e é aceite por ela como seu constituinte.
Nestes versos temos presente a aceitação do destino, que é outro ponto fundamental na visão do mundo de Alberto Caeiro. Não aceitar o destino seria pensar na vida e não a aceitar tal como ela é, algo que ele repugna.
Aquilo que me fez escolher este poema foi a "simplicidade" com que a morte é aqui retratada. A verdade é que nós, seres humanos, tememos imenso a morte e é um tema bastante delicado e ligado a todo o tipo de sentimentos menos positivos. Mas aqui, para Caeiro, não. A morte é natural, faz parte e devemos aceitar o correr da vida tal como ele é. E acho que se todos pensássemos assim, sofríamos menos e vivíamos a morte de outra forma.
Sem dúvida, que como leitora, este poema mexeu um pouco com a minha mente pois não é habitual ouvirmos falar da morte com todo este à vontade e falta de importância. Acho que este poema leva-nos mesmo a questionar se a nossa morte terá importância ou se mudará alguma coisa quando partirmos.
FLOR

MURCHA
Quando estávamos a tentar encontrar um elemento natural para incluir neste trabalho, houve um que nos veio logo à memória: a flor. É capaz de ser um dos elementos da Natureza mais conhecido e básico, mas a verdade é que a nossa flor não é uma flor colorida, com vida e fresca. É uma flor murcha e acho que combina muito bem com os poemas escolhidos.
Ao lermos Fernando Pessoa ortónimo ficamos com sentimentos como a tristeza, o sofrimento, a solidão e o desespero, muito presentes. É realmente uma poesia que retrata mais aspetos negativos do que positivos, tal como demonstram os dois poemas ortónimos escolhidos para este trabalho: no primeiro, o poeta sofre em silêncio, ou seja, ele sonha com algo que não irá acontecer para tentar atenuar o sofrimento da realidade; no segundo, o poeta pensa tanto que acaba por lhe trazer sofrimento e com este o poeta sente também, incapacidade de viver e uma grande confusão interior.
A flor murcha representa, então, muito bem todos estes sentimentos mais infelizes.
Já no terceiro poema, de Alberto Caeiro, podemos associar a flor murcha ao tema da morte. A flor está a perder a sua vitalidade, está a chegar ao fim de um ciclo que foi a vida e já não estará cá “quando vier a primavera”. Alberto Caeiro diria que é a naturalidade das coisas a acontecer, a flor floresce e passando algum tempo acaba por morrer, tal como deve de ser e nada devemos fazer para mudar isso.
Não é por acaso que Fernando Pessoa é um dos mais célebres escritores portugueses e que passando quase 100 anos da sua morte, continue a ser falado e estudado por muitos, em Portugal e não só. Tanto na poesia ortónima como na heterónima os seus poemas são carregados de diversas emoções e sentimentos que nos fazem quase “viver” o poema, algo que pudemos constatar ao ler e aprofundar um pouco estes poemas.
PRIMO
LEVI
trabalho do 2º Período
- enriquecimento do vocabulário
- desenvolver um prazer/gosto pela leitura
- ampliar os níveis de criatividade
Objetivos para este trabalho:
Primo Levi, (Turim, 31 de julho de 1919 — Turim, 11 de abril de 1987), químico e escritor italiano na cidade de Turim, escreveu memórias, contos, poemas e novelas, sendo mundialmente conhecido pelo seu trabalho sobre o Holocausto ("Se questo è un uomo"), em particular, por ter sido um dos sobreviventes dos horrores do Holocausto, na segunda Guerra Mundial, no campo de concentração em Auschwitz.
Com os seus 24 anos, a 13 fevereiro de 1943, é capturado pelas forças alemãs, sendo levado para o campo concentração, onde só é libertado em 1945.

"Se é isto um Homem "
Este livro é um testemunho do autor sobre o período que ficou em Auschwitz, que foi apenas para o campo de concentração em 1944 ( faltava ainda bastante para acabar a Guerra ) onde permaneceu 11 meses.

É um dos pouquíssimos sobreviventes, e por isso resolveu escrever este livro, que muito além de ser um testemunho pessoal é um depoimento de uma tragédia que afetou milhões de pessoas.
Foi difícil a sua publicação, em 1947, devido ao conflito e quase censura pela carga psicológica de todos os que sofreram com os horrores do Holocausto que não tinham recuperado inteiramente, e pela vergonha própria das atrocidades dos alemães , acabando por ser publicado por uma editora pequena na cidade natal do escritor.
Escolhi este livro, pois achei o título bastante interessante, destacando-se dos restantes livros. A curiosidade em perceber o significado do título ("Se é isto um Homem") foi o que mais me levou a ler o livro, ficando surpreendida quando percebi que o nazismo era o seu tema, pois sempre tive interesse em ler, ver filmes, documentários acerca do que aconteceu nos campos de concentração, sobre as crueldades cometidas com os judeus, homossexuais, ciganos... e o processo de humilhação e tortura a que foram sujeitos.
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Disciplina de português
Professora Elvira Ferreira
Curso de Ciências Socioeconómicas
Escola Secundária de Ponte de Lima

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