
Bolinha de Ar vivia com os seus pais, Ox e O2, numa árvore do parque infantil de uma pequena aldeia do Algarve chamada Vale Judeu.
Um dia, reparou que as suas amigas, que viviam na árvore em frente, começaram a desaparecer, entrando pelo nariz de um menino que brincava alegremente no baloiço do parque.
Curiosa, foi perguntar ao seu pai, Ox, por que razão aquilo estava a acontecer às suas amiguinhas. O pai explicou:
- Bolinha, nós somos bolas de oxigénio e, um dia, todos nós iremos ser inspirados por alguém, pois precisam de nós para sobreviver.
- E depois, o que nos vai acontecer?
- Entramos no organismo da pessoa que nos inspirou e fazemos uma fantástica viagem pelo corpo humano. – Respondeu o pai.
- Então e nós, quando vamos? Podemos ir agora?
- Podemos ir já. Vamos esperar por um menino que esteja em boa forma para termos a certeza de que a
viagem irá correr melhor. Vai chamar a tua mãe para irmos todos juntos.
Q uando já estavam os três reunidos, apareceu uma menina saudável, a fazer exercício físico, que lhes pareceu ser perfeita. E lá foram…

A menina inspirou e assim, entraram as três bolinhas de ar pelas fossas nasais, dois buraquinhos localizados no nariz, que pareciam túneis escuros repletos de pelos que prendiam coisas estranhas e feias.

O pai explicou que eram as impurezas do ar e os micróbios que ficavam impedidos de entrar no organismo. A Bolinha de Ar pensou imediatamente “serão estas impurezas, os chamados macacos do nariz!?”
Seguindo a sua viagem, avistaram um outro buraco escuro que parecia a entrada de um escorrega de um famoso parque aquático do Algarve, chamado “Aquashow”, onde a Bolinha de Ar tinha estado com os pais no último verão. A diferença é que este escorrega tinha nome, era a faringe.
A mãe explicou que aquilo era um canal comum ao sistema digestivo e uma espécie de porta, chamada epiglote impedia que o ar fosse para o esófago e que os alimentos fossem para a traqueia, para onde iriam seguir a sua viagem. Antes de chegar à traqueia, passaram pela laringe, uma porta esquisita que abria e fechava, como as portas do metropolitano de Lisboa por onde a Bolinha de Ar nunca quis entrar com medo de ficar presa, por se fecharem demasiado depressa. Bolinha de Ar não gostava de ir à capital, porque o ar estava muito poluído, preferia a sua aldeia calma, cheirosa e bem verdinha.
Passando finalmente aquela porta, eis que se deparam com outro “escorrega” com cartilagem, ao qual o pai Ox chamou de traqueia.
Bolinha de Ar estava a adorar aquele passeio. Aprendia imensas coisas sobre o corpo humano, divertia-se a valer e sentia-se muito relaxada. Desejava que aquela viagem durasse para sempre.
No final da traqueia, surge um novo cruzamento e com tanto entusiasmo, Bolinha de Ar nem se apercebeu que os seus pais seguiram pela direita enquanto ela seguia pela esquerda. De repente, sentiu alguém puxá-la e era a sua mãe:
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As aventuras da bolinha de ar © 2022 by Celina Santos is licensed under CC BY-NC-ND 4.0

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