Dedicado aos Estremocenses, artesãos, colecionadores e outros apaixonados pela arte.
Foto Capa: Óleo de Pedro Büisel
Outras Imagens:
Bonecos de Estremoz
Museu Joaquim Vermelho - Estremoz
Centro Interpretativo dos bonecos de Estremoz
(Palácio dos Marqueses da Praia de Monforte - Estremoz)
Texto: Fátima André (2022)
Fonte principal: CME

Olá! O meu nome Fátima, sou estremocense e com a ajuda do Pantufa, vou contar-vos a história dos Bonecos de Estremoz.
Querem conhecê-la?

Inês Conceição

ORIGENS
As primeiras referências ao figurado de Estremoz são de princípios do séc. XVIII. Em 1770, sabemos da existência das “boniqueiras”, mulheres que faziam curiosidades e figuras de barro. Trabalho que, na altura, não era reconhecido enquanto ofício.
Os bonecos certamente tiveram início na necessidade espiritual do povo que queria ter em casa os santinhos da sua devoção. Comprá-los em talha era impossível, dadas as dificuldades do quotidiano. Presume-se que uma mulher habituada a lidar com o barro se terá atrevido a modelar pela primeira vez um santinho da sua devoção particular e daqui terá nascido a tradição, numa terra onde o barro era abundante.
Dos santinhos, e dada a expansão do gosto presepista da Escola de Mafra de setecentos, passou-se às cenas de natividade. Os Presépios eruditos, observados nos Conventos e casas abastadas, depressa foram adaptados à mundividência popular das bonequeiras. Assim, na cena envolvente à da Sagrada Família nasceram os Reis Magos, os Ofertantes regionais e um vasto reportório, como o “Pastor a comer”, o “Pastor a dormir”, a “Mulher das Galinhas”, o “Pastor com o cabrito às costas”, entre muitos outros.
Hoje estas figuras “sobrevivem” fora do Presépio. Em oitocentos, os homens começam a intrometer-se na arte, segundo relato da barrista Georgina, que confirmou a Sebastião Pessanha, no princípio do séc. XX, ter aprendido a arte por intermédio do seu esposo.







Imagens de Santos
Cenas do quotidiano


Presépio em trono de Liberdade da Conceição (1913-1990)
O RESSURGIR
Em 1935, José Maria Sá Lemos, Diretor da Escola Industrial de Estremoz, convenceu a artesã Ti Ana das Peles, que apenas sabia modelar “Assobios”, a ensinar o que sabia da arte e a participar no processo de “ressuscitar” as figuras que já ninguém modelava desde a década passada.




Deste feliz encontro de saberes, nasce o gosto da família oleira Alfacinha pelo figurado de barro, nomeadamente Mariano da Conceição, que o transmite a alguns empregados da Olaria e a familiares diretos.



Liberdade Conceição - esposa
Mª Luísa Conceição - filha
Jorge Conceição - neto

Inês Conceição bisneta
Mariano da Conceição na sua oficina (1915-1988)
A Produção de Figurado em Barro de Estremoz integra o Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial, desde 2014, e foi declarada Património Cultural Imaterial da Humanidade da UNESCO em 07.12.2017.
Foto: 2017 na Coreia do Sul
NOVOS DESAFIOS
1. Formação de novos barristas (2019)
A Formação sobre “Técnicas de Produção de Bonecos de Estremoz”, decorreu no Palácio dos Marqueses da Praia e Monforte - Estremoz, a “Escola” por excelência da aprendizagem e criação do único figurado do mundo que é Património Cultural Imaterial da Humanidade.
Estiveram envolvidos 16 formandos e os formadores Hugo Guerreiro, Isabel Borda de Água, Luís Parente e Jorge da Conceição, que aprenderam e ensinaram, respetivamente, toda a informação sobre a história dos Bonecos de Estremoz, as suas características específicas e diferenciadoras de outros géneros de figurado, a arte da modelação manual das figuras em barro cozido, policromado, segundo uma técnica com origem há pelo menos 300 anos.
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