As informações presentes nesse livro tratam-se de tópicos conceituais de Análise do Discurso elaborados através de um verbete teórico-ilustrativo a partir da obra "Análise de Discurso: Princípios e Procedimentos" (ORLANDI 2001).
Os conceitos são descritos a partir da obra/base teórica Eni Puccinelli Orlandi (2001);
Verbete/Dicionário foi elaborado pela autora Joice Caroline Machado através da disciplina de Análise do Discurso ministrada pela docente Luciane Thomé Schröder na Universidade Estadual do Oeste do Paraná - UNIOESTE.
2022

O DISCURSO
A Linguagem em Questão
Um Novo Terreno e Estudos Preliminares
Filiações Teóricas
Discurso
SUJEITO, HISTÓRIA LINGUAGEM
A Conjuntura Intelectual da Análise de Discurso
Dispositivo de Interpretação
Um Caso Exemplar
Condições de Produção e Interdiscurso
Esquecimentos
Paráfrase e Polissemia
Relações de Força, Relações de Sentido, Antecipação: Formações Imaginárias
Formação Discursiva
Ideologia e Sujeito
O Sujeito e sua Forma Histórica
Incompletude: Movimento, Deslocamento e Ruptura
DISPOSITIVO DE ANÁLISE
O Lugar da Interpretação
As Bases da Análise
Uma Questão de Método
Textualidade e Discursividade
Autor e Sujeito: O Imaginário e o Real
Função – Autor
A Análise: Dispositivo e Procedimentos
O Dito e o Não-Dito
Tipologias e Relações entre Discursos
Marcas, Propriedades e Características: o formal, o discursivo e o conteudista
Enunciação, Pragmática, Argumentação, Discurso
Conclusão
O livro "Análise de Discurso" da autora Eni P. Orlandi é um livro introdutório à Análise do Discurso, aos conceitos chaves da AD. É uma Análise um pouco mais complexa e menos didática, mas ele (o livro) relaciona melhor com os autores que deram origem a AD.
A AD é um campo do saber! E quando falamos em AD, temos: Análise de Discurso vs. Análise do Discurso, porém, Eni Orlandi opta por falar numa Análise de Discurso! Ela fala assim porque está abrindo uma possibilidade ampla de trabalhar com discursos na sua diversidade, isto é, aqui não presume um discurso, e sim são vários discursos/inúmeros discursos, ou seja, Análise de discurso.
Essa Análise de Discurso é de Linha Francesa, vinculada a uma tradição marxista - no sentido de tomar a linguagem como algo material (a linguagem em sua materialidade – como a linguagem altera e regula as relações humanas).
A Análise de Discurso Francesa está preocupada em se voltar para os materiais linguísticos e entender como os discursos se constroem/são distribuídos na sociedade, como eles falam sobre nós (nós falantes da língua), como eles falam sobre suas condições de produção, mas sem necessariamente querer intervir nessas condições.
OS CONCEITOS...
O DISCURSO
Um DISCURSO é qualquer situação que envolva comunicação em um determinado contexto, envolvendo quem fala, para quem e sobre o que falar.
O DISCURSO
Segundo Pêcheux (2015), chamamos de discurso uma sequência linguística de dimensões variáveis.
A prática da linguagem é capaz de produzir sentido entre interlocutores sob condições já determinadas.

Disponível em: http://sharllesguedes.blogspot.com/2015/03/charge-sobre-educacao.html. Acesso em: 07/06/22.
Podemos perceber que o discurso apresentado na charge da página anterior retrata muitos problemas! Um deles é a falta de alunos em sala o que acaba causando um impasse para a realização do mesmo. Ou seja, ao invés do aluno ter alguma dúvida em relação ao conteúdo do trabalho, a grande preocupação dele é de não saber do que se trata esse "trabalho em grupo", aí também já se inserem outras questões de evasão escolar, pandemia... São muitos discursos que precisam ser relacionados e entendidos em todos esses contextos.
"A noção de discurso, em sua definição, distancia-se do modo como o esquema elementar da comunicação dispõe seus elementos, definindo o que é mensagem." (ORLANDI, 2001, p. 20).
DISPOSITIVO DE INTERPRETAÇÃO
Segundo Orlandi (2001), toda leitura precisa de um artefato teórico para se efetuar.
A análise do discurso visa permitir-nos compreender como os objetos simbólicos geram sentido e, assim, analisar os gestos interpretativos que ela percebe como ações no domínio simbólico, pois interferem na autenticidade do sentido.
"A Análise do Discurso não estaciona na interpretação, trabalha seus limites, seus mecanismos, como parte dos processos de significação." (ORLANDI, 2001, p. 26).


Disponível em: https://br.pinterest.com/pin/535998793146043718/. Acesso em: 07/06/22.
Disponível em: https://br.pinterest.com/pin/535998793146825105/. Acesso em: 07/06/22.
Observa-se nas charges da página anterior que através da relação das imagens com os sentidos dos discursos presentes nelas o que está dito significa assim como o que não está dito significa também!
Os gesto de interpretação estabelecem a relação entre o sujeito com a língua e a história através das charges que tratam sobre o meio ambiente. Ou seja, ao comparar o que o sujeito diz em um lugar com o que é dito em outro lugar há diferentes ideologias/sentidos/interpretações.
CONDIÇÕES DE PRODUÇÃO E INTERDISCURSO
O aparecimento do conceito de interdiscurso no aparato teórico da análise do discurso de linha francesa fez com que outros conceitos, antes tidos como de extrema importância – condições de produção e formação discursiva – saíssem um pouco de foco.
No discurso existem algumas Condições de Produção, determinações que caracterizam um processo discursivo. São responsáveis pelo estabelecimento das relações de força no interior do discurso e mantêm como a linguagem uma relação necessária, constituindo com ela o sentido do texto.

Disponível em: https://revistas.ufpr.br/revistax/article/download/74267/42750. Acesso em: 07/06/22.
Ao observar a charge da página anterior, destaca-se a compreensão de que o sujeito na AD é visto como resultado da relação com a linguagem e a história e, também, que o sujeito do discurso não é totalmente livre nem totalmente determinado por mecanismos exteriores.
Na charge temos posição-sujeito de professor que nos é apresentada num discurso de forma a provocar efeito de sentidos negativos. Como bem definiu Pêcheux (1990, p. 82): “discurso é o efeito de sentido entre locutores”.
Na charge temos uma professora que se encontra diante de uma situação calamitosa por não poder pagar a faxina de cinquenta reais a uma empregada doméstica. Isto é, temos efeito de sentidos negativos relacionados à posição-sujeito de professor, referência a instâncias relacionadas à formação de sua identidade docente.
LINGUAGEM
Segundo Orlandi (2001), a análise do discurso não trata da língua e nem da gramática, embora esses fatores lhe interessem. Ela trata/envolve o discurso, ou seja, a linguagem em questão envolve as muitas maneiras pelas quais a língua é aprendida/estudada, mas neste caso o foco está na AD, para a qual o discurso é uma palavra em movimento e a prática de linguagem. A linguagem em questão é a intermediação do homem e o contexto social em que se dá a materialização dos processos históricos e ideológicos.


Disponíveis em: https://www.todamateria.com.br/exercicios-sobre-linguagem-verbal-e-nao-verbal/. Acesso em: 07/06/22.
Observa-se nas tirinhas da página anterior, a linguagem em questão, ou seja, linguagem só é linguagem porque faz sentido. Na primeira tirinha observamos que a professora não consegue entender a linguagem de seu aluno, pois a linguagem dele está inserida num contexto histórico diferente do dela.
Então são contextos diferentes que fazem sentidos para uns e para outros não. Vai depender da pessoa em estabelecer relação ou não.
É linguagem, é essa forma de relação com o outro, mas que necessita de se inscrever na história para fazer sentido.
Ainda falando sobre questões de Linguagem...

Disponível em: https://midiamixooh.com.br/midia-exterior/outdoor-midia-mix/. Acesso em: 07/06/22.
Sobre essa imagem, realmente, outdoor chama atenção, muitas pessoas vêem... Mas e se tratando de linguagem, as pessoas entendem? Conseguem fazer relação de sentido com o que está escrito? Faz sentido? Os sentidos se estabelecem?
ESQUECIMENTOS
O esquecimento divide-se em ordem da enunciação e ordem do ideológico. Ou seja,
Enunciação: escolhemos nossas palavras e as estruturamos em uma cadeia linguística, por isso temos uma falsa impressão de que essa nossa escolha é consciente.
Ideológico: iludimo-nos achando que somos a origem do que dizemos, mas, apenas retomamos sentidos pr´é-existentes.

Disponível em: https://eventos.set.edu.br/enfope/article/viewFile/4839/1808. Acesso em: 07/06/22.

Disponível em: http://www.ivancabral.com/2012/03/charge-do-dia-professores-ontem-x-hoje.html. Acesso em: 14/06/22.
SENTIDO - EFEITOS DE SENTIDO
Os sentidos não estão na fala/nas palavras, estão além delas. Um enunciado não é o sentido, é um efeito de sentido.
Efeito de sentido é a produção oriunda da enunciação, é no campo da enunciação que temos os efeitos de sentido.


Disponível em: https://br.pinterest.com/pin/811914639046771364/. Acesso em: 07/06/22.
Disponível em: https://brainly.com.br/tarefa/41287502. Acesso em: 07/06/22.
Podemos observar nas charges da página anterior os sentidos e os efeitos de sentido. Observa-se também que o efeito de sentido da charge é provocado pela combinação de informações visuais e recursos linguísticos.
Nota-se também a polissemia, ou seja, aos múltiplos sentidos da expressão “bala” e também "rede social".
Sentidos além das palavras!
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ANÁLISE DE DISCURSO
Verbete teórico-ilustrativo a partir da obra “Análise de Discurso: Princípios e Procedimentos” (ORLANDI, 2001); valendo-se do quadro conceitual exposto no sumário da obra supracitada.
UNIOESTE - 2022

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- END >
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