Filosofia da Ciência aborda duas perguntas, sendo elas:
Há progresso científico? Será a ciência objetiva?
A primeira questiona a evolução da ciência.
A segunda questão leva ao problema da objetividade da ciência, que aborda se o desenvolvimento científico se processa de modo estritamente racional.
Serão as teorias científicas objetivamente verdadeiras ou falsas?
Os indutivistas pensam que podemos saber se certas teorias são objetivamente verdadeiras
Popper pensa que podemos saber se certas teorias são objetivamente falsas
Kuhn tem uma visão relativista de ciência já que para ele a ciência não é acerca da realidade, mas sim acerca de certos modelos teóricos

Eu, Karl Popper, advogo que a ciência progride, ainda que de forma irregular.
De acordo com o meu falsificacionismo, uma teoria é melhor do que a anterior se resistir aos constantes testes de falsificabilidade que visam refutá-la


A evolução científica é um processo contínuo de aproximação à verdade, embora a “verdade última" seja inalcançável

Acredito que o conhecimento científico é objetivo. Cada vez que uma conjetura é falsificada, ficamos a saber, de modo conclusivo, como a realidade não é, avançando progressivamente, e de modo irregular por afastamento progressivo do erro, em direção a uma compreensão de como ela objetivamente é.

Eu Kunh, acredito que a ciência não é uma atividade exclusivamente racional e objetiva, mas sim uma investigação influenciada por elementos irracionais e subjetivos acerca de determinados modelos explicativos da realidade

Sendo que denominei de pré-ciência à fase de desenvolvimento.
Esta fase é marcada pela existência de várias escolas e investigadores rivais, que apresentam diferentes perspectivas.
O que considero que distingue a ciência da não ciência é a existência de um paradigma.


Um paradigma é um modelo teórico adotado por uma comunidade científica, orientando a investigação, incluindo um conjunto de regras, instruções, pressupostos teóricos e metafísicos, metodologistas e instrumentos de trabalho.
O aparecimento de um paradigma origina a passagem da fase pré-científica para a investigação científica, podemos então dizer que estamos num momento de emergência paradigmática.

Depois da emergência de um dado paradigma, começa-se uma nova fase do desenvolvimento científico, à qual foi dado o nome de "ciência normal”, já que equivale àquilo que os cientistas fazem na maior parte do tempo (aplicação e consolidação).

Durante o período de ciência normal, os cientistas esforçam-se por consolidar o paradigma, tornando-o mais preciso, consistente e de acordo com a natureza. A função do cientista neste período é alargar o âmbito e o alcance do paradigma.

Eu considero que a aceitação quase dogmática e acrítica do paradigma por parte dos cientistas, reveste-se de uma importância crucial para o desenvolvimento científico, assim só podendo avançar na investigação sem se estar sempre a rever os seus fundamentos.

Por vezes os cientistas “esbarram-se” em acontecimentos que o paradigma não é capaz de explicar adequadamente ou que não estão de acordo com aquilo que se observa na natureza.

Pequenas anomalias tendem a ser ignoradas ou desvalorizadas pela comunidade científica. No entanto se o fracasso for particularmente persistente, a confiança no paradigma vigente é naturalmente abalada e a ciência entra em crise

Uma crise pode abalar a confiança em um paradigma. A existência de poderosas e numerosas anomalias começa a pôr em causa o próprio paradigma. A crise dá assim lugar a uma nova fase, que designei por "ciência extraordinária"

Este é um período em que surgem teorias alternativas que visam encontrar a melhor forma de fazer ciência. Por vezes, entre essas alternativas, há uma que se começa a destacar pelo seu enorme poder explicativo, e a capacidade de lidar com as anomalias.

Os conservadores recusam-se a deixar o velho paradigma, mantendo a sua confiança nele. Já os revolucionários tentam procurar uma revisão completa, de forma a encontrar um novo paradigma

De entre as várias propostas apresentadas, uma delas acabará por ser apelativa para reunir o consenso da comunidade científica, e substituir o velho paradigma. Sendo isto a “revolução científica"

A tese de incomensurabilidade dos paradigmas
Para Kuhn, paradigmas diferentes são incomensuráveis, ou seja, não podemos comparar objetivamente dois paradigmas entre si para concluir que um é superior ao outro. Isto porque não existe uma medida comum, ou um padrão neutro, que permita objetivamente estabelecer a superioridade de um paradigma em relação ao outro. Para defender esta tese ele recorre a dois argumentos:
-Argumento baseado na insuficiência dos critérios objetivos;
-Argumento baseado na impossibilidade de tradução entre paradigmas,
Argumento baseado na visualização dos critérios objetivos
Kuhn considera os paradigmas incomensuráveis já que estes não se podem justificar a preferência por um paradigma através de critérios puramente objetivos. Pois apesar de Kuhn reconhecer que existem critérios objetivos existem outros fatores subjetivos que interferem no processo de adoção de um novo paradigma.
Argumento baseado na impossibilidade de tradução entre paradigmas
Neste argumento Kuhn defende a ideia de que se o significado de certos termos científicos só pode ser captado no contexto de uma determinada teoria, ou seja, varia de um paradigma para outro, faz com que os paradigmas sejam incomensuráveis, porque não há forma de traduzir certos termos científicos de um paradigma para o outro.
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