Cada esperança abre horizontes infinitos e possibilidades imprevistas. O futuro é absolutamente aberto. Sempre. Construído pelas mãos dos que o sabem esperar.

Durante muitas noites frias, uma íbis solitária vagueou pelo bosque. Embora estivesse longe de casa, a íbis não se sentia sozinha, pois o ser que a acompanhava impedia que se sentisse solitária. Era a Morte.
O manto que a cobria era florido, cheio de cor, trazendo esperança à íbis, o que contrastava com a personificação da Morte que só lhe causava medo e desespero.
E era assim a rotina monótona da Morte. Ela tinha o dever de encontrar viajantes e acompanhá-los pela floresta sombria até ao final.
Até que um dia, a Morte encontrou um grupo de viajantes que a deixou curiosa. Eram todos diferentes. Havia girafas, coelhos, patos, elefantes, carneiros e muitas outras espécies diferentes umas das outras. Mas o que deixou a Morte intrigada, foi o facto de não haver ódio nem desprezo entre eles. Tratavam-se como família. Como a Morte era curiosa, decidiu segui-los.
Todos os viajantes que a Morte acompanhava não chegavam ao ser destino. Mas a Morte não tinha culpa, afinal, era o trabalho dela.
Depois de se apresentar ao grupo, a Morte ofereceu-lhes um presente. A oportunidade de acabarem com o seu sofrimento e, finalmente, descansarem em paz. Nunca mais teriam de voltar para o sítio de onde vieram, mas também nunca chegariam ao outro lado da floresta.
O grupo rapidamente recusou, embora fosse uma proposta tentadora, eles não iam desistir, pois tinham a certeza que no final daquele caminho cheio de obstáculos e dificuldades, eles iriam encontrar algo incrível. Não sabiam o quê, mas estavam dispostos a tentar.
E assim foram, horas, dias, meses. A Morte, a cada dia, ficava mais curiosa para descobrir o destino daqueles viajantes.
O caminho foi atribulado, mas aos poucos ultrapassaram todos os obstáculos e, com a ajuda da íbis, uma velha amiga da Morte, esta conseguiu acompanhá-los durante o seu percurso.
À saída da floresta, o grupo agradeceu à Morte a companhia e, rapidamente, saiu da sombra, deixando para trás o receio e uma velha amiga curiosa.
Mas apesar de não terem aceitado o seu presente, a Morte continuou confiante, pois em breve iriam encontrar-se outra vez.
A Morte, por fim, voou na sua íbis e acompanhou a nova etapa daquele grupo que, esperançoso, embarcou num pequeno barco, rumo à mudança, a uma vida melhor. Mas o mar é implacável e o pequeno barco naufragou. Nem todos sobreviveram e a Morte apareceu para colher os seus despojos.
A despedida foi penosa, mas era necessário continuar o caminha para a PAZ.

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