
Ao longo da história da humanidade, as civilizações humanas foram confrontadas com situações que pareciam não ter uma explicação totalmente racional. Então com o objetivo de as explicar, criam-se:
- Lendas, uma narrativa fictícia e/ou fantástica passada oralmente de geração para geração, que junta factos reais e históricos com factos irreais, da nossa pura imaginação (existem algumas lendas que foram mesmo confirmadas como sendo verdadeiras);
- E mitos, uma narrativa fantástica, simbólica e imaginética, que evolui com o avanço da cultura e etnia dos povos.
No século XV, Portugal iniciou um grande período histórico, a Era dos Descobrimentos Portugueses, que começou em 1415, com a conquista de Ceuta.
Portugal descobriu ao longo dos anos muitas outras regiões, uma delas o Arquipélago da Madeira, em 1418, devido a um desvio sofrido pela embarcação comandada por João Gonçalves Zarco e Tristão Vaz Teixeira (primeiramente descobriram a ilha de Porto Santo e um ano mais tarde, juntamente com Bartolomeu Peristelo, descobriram a Ilha da Madeira).
O Descobrimento do Arquipélago da Madeira
Mitos e Lendas da Madeira: Roteiro
A viagem ao conhecimento das lendas e mitos da Madeira começa na costa este da Ilha da Madeira, na Baía de Machico. Avançaremos depois na direção sudoeste, junto ao litoral, onde visitaremos o Cabo do Carajau. Posteriomente, deslocar-nos-emos para o interior, no sentido noroeste, em direção ao Terreiro da Luta. Continuaremos a viajem avançando pelo interior na direção sudoeste até Ribeira Brava, na costa, e logo ao lado visitaremos Ponta do Sol. Atravessaremos depois o interior para norte, para chegar até São Vicente, na costa. Finalmente, faremos uma deslocação junto ao litoral ou por mar na direção noroeste e chegaremos a Porto Moniz, e a poucos quilómetros a leste, visitaremos também a Igreja de Santa Maria Madalena, o local final.

Imagem - encurtador.com.br/jnuPR
1ª Paragem: Baía de Machico - A Lenda de Machim
Então, Machim e os seus amigos combinam um plano para fugirem com Ana, na véspera do seu casamento, para França, que estava na Guerra dos Cem anos com Inglaterra.
Ao entrarem no mar, uma tempestade desvia o barco deles, e como Roberto não sabia velejar, ficaram alguns dias em mar. Até que avistam uma grande mancha verde, a hoje em dia chamada Ilha da Madeira. Decidem entrar na ilha por uma baía, a baía de Machico, sem ancorarem bem o barco, devido à preocupação com Ana, que estava muito doente; e como havia uma tempestade, optam por abrigar-se numa árvore muito grande.
A tempestade terminou e eles reparam que o mar lhes levou o barco. Cada vez era maior o desespero. Até que poucos dias depois a dama morreu. Machim ergueu uma grande cruz de madeira na sepultura de Ana, junto à árvore que lhes deu abrigo. O jovem morreu passado uma semana, e também foi lá enterrado.
Em relação aos seus amigos, escreveram na cruz a história de Machim, uns morreram, e outros foram levados por um barco de mouros que os vendeu como escravos. Um deles foi resgatado por cristãos, devido a negócios com os mouros, e diz-se que este sobrevivente contou a história aos portugueses.
Para além disso, a lenda conta que os descobridores portugueses que chegaram à Madeira anos depois, conseguiram descobrir a cruz de madeira e o que lá estava escrito. A cruz foi edificada, e assim foi criada a primeira capela da ilha, na árvore, e aquela região passou a ser chamada de Machico, em honra do texto escrito na cruz.

Imagem - encurtador.com.br/fqLP5
2ª Paragem: Terreiro da Luta - Lenda da Nossa Senhora do Monte
A lenda conta que no final do século XV, uma menina e uma pastorinha brincavam a cerca de um quilómetro acima da Igreja de Nossa Senhora do Monte, na localidade de Terreiro da Luta. Durante o tempo que estiveram juntas, a menina ofereceu uma merenda à pastorinha. A pastorinha ficou muito contente, então quando chegou a casa contou à família, que não acreditou, uma vez que era muito improvável aparecer alguma menina ali naquele local isolado.
Na tarde de outro dia, a pastorinha vai ter com a menina, e novamente a menina oferece-lhe uma merenda, indo toda contente contar à família. No dia seguinte, a pastorinha e a menina vão brincar de novo, e desta vez o pai vai vê-las a brincar, escondido, às horas indicadas pela pastorinha. Vê então uma imagem de Maria Santíssima numa pedra, e à sua frente a pastorinha, a explicar que era aquela a menina que via.
O pai ficou muito surpreendido, não tocou na imagem, e comunicou o que aconteceu às autoridades, que mandaram colocar a imagem na Capela da Encarnação, próxima da atual Igreja de Nossa Senhora do Monte, que passou a ser o nome daquela imagem.
Imagem - encurtador.com.br/lNW25
3ª Paragem: Cabo do Carajau - Lenda de Arguim
Reza a lenda de Arguim que no dia em que a Ilha da Madeira emergiu nos mares, Arguim, uma outra ilha atlântica a norte da Madeira, submergiu. E que D. Sebastião não teria morrido na batalha de Alcácer-Quibir, mas sim fugido para uma ilha, Arguim, que estava submersa. Porém, no caminho para lá, passou pela ilha da Madeira, tocou no cabo do Garajau, e na rocha mais saliente no mar, espetou a sua espada, que lá ficou a aguardar a sua vinda para a reconquista daquela terra portuguesa (a Madeira ficou submetida a Espanha devido à União Ibérica).
Passou a viver lá, em castelos de ouro e marfim, guardado à porta por um leão. Estava rodeado de fadas e ninfas, mas a sua vida era muito secante.
Até que um dia, há muitos anos, uma caravela que ia para a Madeira, parou na Ilha de Arguim, que de um momento para o outro, emergiu. A caravela parou no ancoradouro e os mais corajosos saíram em direção à praia, vendo assim a beleza e riqueza da ilha, com calhaus de ouro e areia de marfim e pedrarias. Queriam ver mais, então subiram a encosta, mas a ilha submergiu, e arrastou-os para o fundo do oceano. Lá, havia um outro mundo, com flores e peixes belíssimos. Assistiram a um espetáculo e a uma cerimónia muito bem preparados pela corte de D. Sebastião, dedicada a eles. Quando a festa acabou, a ilha emergiu e todos regressaram à ilha, com promessas de regresso.
A embarcação foi depois ter à Ilha da Madeira, onde os marinheiros contaram tudo o que viram, e disseram que quando Arguim voltasse para sempre para a superfície, a Madeira iria para o fundo do mar, e nunca mais voltaria. Arguim regressaria quando D. Sebastião quisesse reerguer a sua espada, espetada no cabo do Garajau.
Diz-se ainda que outra embarcação que iria em direção à Madeira, estava a atravessar uma grande tempestade, e foi obrigada a largar todos os seus mantimentos perto de Arguim. Após isso, a tempestade parou. O capitão mandou olhar para o mar, e os homens mais corajosos mergulharam, e ao voltarem, disseram que havia lá uma cidade, e as pessoas que lá estavam celebravam a chegada dos mantimentos. Arguim seria ali.

Imagem - encurtador.com.br/DJPR8
4ª Paragem: Ribeira Brava - Lenda de São Bento
A povoação de Ribeira Brava é atravessada por uma ribeira, que foi em tempos brava, mas deixou de ser.
Houve um dia que a ribeira estava tão eriçada que a população local temeu que o pior pudesse acontecer. Segundo a lenda, nesse dia o pároco da povoação de S. Bento da Ribeira entrou na igreja diretamente para o altar do padroeiro da localidade e retirou-lhe o báculo (um tipo de cajado). Seguidamente aproximou-se da ribeira e atirou o báculo de S. Bento da Ribeira às águas, e de um momento para o outro, a ribeira acalmou-se e ficou um grande silêncio.
Em memória a esse terrível dia, em que os habitantes estavam desesperados, a povoação passou a chamar-se Ribeira Brava.

Imagem - encurtador.com.br/qrzAH
4ª Paragem: Ribeira Brava (continuação) - Conversa de Nossa Senhora com insetos
"Nossa Senhora estava doente e mandou chamar a vespa. A vespa respondeu:
- Estou a apertar o cinturão para ir à missa.
E não obedeceu. Nossa Senhora disse logo que o soube:
- Pois há-de a vespa apertar tanto o cinturão que ficará como degolada.
Depois mandou Nossa Senhora chamar a aranha. Respondeu a aranha:
- Não posso ir. Estou a urdir a minha teia.
Logo que Nossa Senhora teve conhecimento da resposta da aranha, disse:
- Pois há-de urdi-la, mas nunca a há-de tapar.
A seguir, Nossa Senhora mandou chamar a abelha que estava a fazer a sua amassadura de mel. A abelha veio sem tardar, a zunir pelo ar. Mal chegou, Nossa Senhora prometeu-lhe:
-Abelhinha, a tua amassadura há-de servir para alumiar o Santíssimo Sacramento no altar."
Uma pequena explicação:
Hoje em dia podemos perceber que o que e lenda diz acaba por ser a verdade da atualidade. Em relação ao tal cinturão da vespa, justifica a expressão de hoje em dia "cinturinha de vespa", uma cintura fina, apertada: foi o que Nossa Senhora disse que ia acontecer à vespa. Relativamente à aranha, Nossa Senhora diz que a aranha nunca acabará de urdir a teia, nunca a tapará, o que acontece na natureza.
Finalmente, a abelha ajudou Nossa Senhora, interrompendo o que estava a fazer (amassadura de mel), e Nossa Senhora prometeu que um dia a amassadura serviria para alumiar o Santíssimo Sacramento no Altar, o que podemos verificar hoje em dia, uma vez que há algumas velas feitas de cera de abelha que queimam e iluminam os altares de algumas igrejas.

Imagem - encurtador.com.br/dwJOS
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Fim!
Trabalho realizado por:
Alexandre Reis
Marcos Silva
Guilherme Proença
9ºB

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"MITOS E LENDAS DO ARQUIPÉLAGO DA MADEIRA"

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