Este livro foi realizado no âmbito das atividades desenvolvidas no Trabalho de Integração e Flexibilização Curricular (TIFC) pelos alunos do 6ºC, da EBS Lousada Norte, Lustosa. Esta turma que integra alunos com algumas dificuldades de aprendizagem, com baixas aspirações socio culturais e interesses divergentes dos escolares, com o objetivo de lhes proporcionar novas experiências educativas enriquecedoras em termos académicos e que lhes permitam crescer enquanto indivíduos ativos e responsáveis.
Queremos agradecer a todos os elementos do Conselho de Turma que colaboraram neste projeto, em especial, à Docente de Ciências Naturais, Sara Silva, pelo seu empenho e dedicação no desenvolvimento e acompanhamento dos trabalhos realizados.
Queremos também agradecer a colaboração e o apoio concedido pela responsável pelo setor de Conservação da Natureza e Educação Ambiental da Mata de Vilar, Ana Pereira, pela sua disponibilidade durante a sessão de esclarecimento efetuada à turma na nossa escola e na Visita de Estudo proporcionada à referida mancha florestal, na qual os alunos tiveram oportunidade de participar em diversos desafios, com o objetivo de valorizar e promover este espaço florestal de excelência na região e de conhecer em loco, as espécies de árvores e arbustos que estudaram e na sessão/palestra.
Um agradecimento especial à nossa MÁRIO Fonseca TV, por nos ter acompanhado na referida visita à Mata de Vilar, que resultou num belíssimo trabalho de reportagem de divulgação das atividades desenvolvidas pela turma e deste seu projeto e aos Docentes Manuel Carneiro, Hélder Cimodera e Sara Silva, por se terem disponibilizado a acompanhar a turma, juntamente com a Diretora de Turma, Manuela Ferreira.

Carvalho-alvarinho
Quercus robur
Do género Quercus, e família Fagaceae, o Quercus robur é uma árvore de folha caduca, que pode atingir uma altura de 30-40 metros.
De copa bastante ramificada, possui tronco e ramos de casca lisa quando jovens tornando-se grossa e fendida com a idade. O sistema radicular pivotante forma raízes secundárias bastante profundas que lhe conferem grande capacidade de resistência ao vento.
A floração ocorre entre abril e maio, com a floração feminina e masculina desfasadas no tempo, de forma a evitar a autofecundação, já que a espécie é monoica. As flores masculinas são amentilhos filiformes e as femininas, amentilhos pequenos e arredondados.
O fruto, a bolota (glande), amadurece entre setembro e outubro.
Esta árvore apenas começa a produzir fruto em abundância e qualidade a partir dos 60 anos de idade.

Leonor Santos

Quercus robur
Castanheiro
Castanea sativa
O castanheiro pertence à família das Fagáceas, a mesma família a que pertencem os carvalhos, e ao género Castanea. Árvore de folha caduca que pode atingir 25 a 30 metros de altura, possui copa ampla, tronco revestido por casca, que vai mudando de cor e de textura com a idade, sendo olivácea e lisa até aos 15-20 anos, passando depois a castanha escura e fendida longitudinalmente.
Em Portugal, na generalidade, o abrolhamento dá-se a partir de fim de março, dependendo da região e da variedade, quando as temperaturas estão compreendidas entre os 15ºC e 18ºC, aparecendo as flores masculinas entre maio e junho e as femininas aproximadamente um mês depois. As flores masculinas são amarelas dispostas em cachos eretos, os amentilhos. As flores femininas estão normalmente agrupadas em três no interior de uma cápsula espinhosa dando origem às três castanhas do ouriço.
Os frutos amadurecem nos meses de outubro e novembro.
A árvore entra em repouso vegetativo entre novembro e março. O castanheiro é uma espécie monoica, a mesma árvore possui flores femininas e masculinas, mas é autoestéril, isto é, a fecundação cruzada é indispensável, porque as flores femininas e masculinas da mesma árvore são incompatíveis.

Leonardo Ferreira

Castanea sativa
Faia
Fagus sylvatica
Da mesma família dos carvalhos e castanheiro – Fagaceae – a faia é uma árvore de folha caduca que pode alcançar os 40 m de altura.
O tronco é comprido e reto, com casca lisa e cinzenta. A copa é cónica, ampla e bastante ramificada em árvores adultas.
As folhas são simples, ovaladas de ápice agudo, com a margem ondulada, pecíolo curto. As folhas jovens são pilosas na margem e as mais velhas têm a margem lisa ou ligeiramente dentada.
A coloração outonal é de um amarelo intenso e castanho.
As flores masculinas pendem dos galhos em pequenos amentilhos, as femininas ficam eretas e produzem os frutos da faia. Os frutos, de casca rija, são pequenas nozes de seção triangular, de cor castanho brilhante, envolvidas por uma cápsula espinhosa que as liberta quando maduras.

João Leão
Fagus sylvatica

Sobreiro
Quercus suber
O sobreiro é uma árvore de folha persistente, de crescimento lento e grande longevidade, que pode viver mais de dois séculos e elevar-se aos 25 metros. Muito comum em Portugal, é facilmente reconhecida pela sua casca grossa de superfície gretada e rugosa, a cortiça, e pelo seu fruto, a bolota, dois produtos agroflorestais com uma longa história de valorização.
Esta espécie cresce naturalmente em vários países do mediterrânio ocidental, incluindo em Portugal, país que tem a maior área de sobreiros do mundo: 720 mil hectares.
A cortiça que cobre os seus tronco e ramos, torna-o, inclusive, mais resiliente ao fogo, reforçando o seu valor ecológico, também reconhecido pela relevância da espécie como habitat e fonte de alimento para dezenas de espécies animais silvestres e domesticados.
No nome científico Quercus suber, suber é uma referência à cortiça, em cuja composição predomina a suberina e lenhina, dois biomateriais com propriedades elásticas, impermeáveis e isolantes.
A madeira de sobreiro tem excelente qualidade e foi uma das matérias primas aplicadas na construção naval, em particular nos cascos das naus e caravelas, na altura dos Descobrimentos.

João Francisco

Quercus suber
Pinheiro-bravo
Pinus pinaster
Árvore de grande porte que pode elevar-se até aos 40 metros de altura, com folhas em forma de agulha que se mantêm todo o ano, e raízes profundas que o tornam bastante resistente ao vento, o pinheiro-bravo é a espécie resinosa mais comum de norte a sul de Portugal e também a mais abundante das coníferas, ou seja, das plantas que produzem pinhas.
Esta espécie de crescimento rápido e longevidade média – a sua vida não ultrapassa em muito os 200 anos – representa 22% da floresta em Portugal continental e está também presente nos arquipélagos dos Açores e Madeira.
Resistente à seca, ao frio e às geadas, o pinheiro-bravo consegue crescer em condições desfavoráveis, com exceção para a sombra, pois é intolerante ao ensombramento.
O pinheiro-bravo tem características típicas de espécie pioneira na sucessão ecológica: produz muitas sementes, tem crescimento rápido e capacidade de se adaptar a solos pobres e degradados, o que contribuiu para a sua escolha na arborização das dunas litorais e dos baldios serranos.

João Rodrigo

Pinus pinaster
Medronheiro
Arbustus unedo
Da família Ericaceae, é um arbusto ou pequena árvore de folha persistente que pode alcançar cerca de 6 m de altura.
A sua copa é arredondada, irregular.
Possui tronco castanho acinzentado, tortuoso, com tendência a descascar nos exemplares mais velhos. Os ramos são eretos e quando jovens, avermelhados.
As folhas são verdes, simples, alternas, de 6 a 10 cm, coriáceas lanceoladas ou oblongas, de margem serrada e, com um brilho ceroso na página superior.
As flores, dispostas em panículas, com pequenos cálices, corola branca com 5 lóbulos, surgem de setembro a fevereiro, simultaneamente com os frutos do ano anterior, que demoram aproximadamente 10 meses a amadurecer.
Os frutos – medronhos – são do tipo baga, de 7 a 30 mm de diâmetro, redondos, com superfície granulosa, vermelhos, laranja antes de totalmente maduros, com polpa amarela. Formam-se no final do outono, amadurecendo até ao outono do ano seguinte.

Leandro Monteiro
Arbustus unedo

Pilriteiro
Crataegus monogyna
Da família Rosaceae, o pilriteiro é um arbusto de folha caduca que pode alcançar 10 m de altura.
O seu tronco é liso, cinzento-pardo, escurecendo com a idade. Os ramos são de cor vermelho-púrpura ou pardo-avermelhado, com espinhos retos de 2 a 4 cm que surgem no caule.
As folhas são simples, alternas, com 3 a 5 lóbulos de margem serrada, verde brilhante.
Com uma floração intensa de fevereiro a maio, as flores, pentâmeras, brancas e odoríferas surgem agrupadas em corimbos. Os estames são de cor púrpura.
O fruto surge em julho e permanece até outubro, é vermelho escuro brilhante, de 6 a 10 mm, redondo, coroado por restos de sépalas.

Diogo Silva

Crataegus monogyna
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