O Cravo Mágico

O Tomás e a Inês foram festejar o seu aniversário à casa dos seus avós maternos, que viviam numa aldeia do interior.
A casa dos avós era antiga, tinha dois andares e era cercada por um jardim. Atrás do jardim, ficava a horta.
A avó e a mãe estavam muito atarefadas com os preparativos para o dia seguinte e pediram ao Tomás e à Inês para ir à horta apanhar alfaces.
Eles ficaram muito alegres com este pedido e correram para a horta entusiasmados.
Quando estavam a apanhar as alfaces, sem querer, arrancaram uma planta que não conheciam.
- O que fazemos agora? Arrancamos esta planta, será que a avó se vai zangar? Nem sei que planta é! – disse a Inês muito atrapalhada.
- Não te preocupes com isso! Amanhã fazemos anos e a avó não se vai zangar. Levamos a planta à avó e ela logo vê o que fazer.- respondeu o Tomás.
Os dois irmãos voltaram para casa com um cesto cheio de alfaces e na mão a Inês segurava a planta desconhecida que arrancou por acidente.
- Finalmente chegaram as alfaces! – disse a avó em tom de brincadeira.
A Inês muito preocupada responde:
- Desculpa avó, arranquei esta planta sem querer, não queria estragar a tua horta!
A avó abraçou a Inês e disse:
- Não tem importância, nem sei como este craveiro foi parar ao meio da horta. Mas já sei o que vamos fazer com ele. Vamos plantá-lo num vaso e amanhã será um dos vossos presentes de aniversário.
A Inês e o Tomás ficaram entusiasmados com a ideia e foram logo à procura de um vaso.
O avô foi ajudá-los. Encontrou um vaso bonito, colocou terra lá dentro e plantou o craveiro. O Tomás regou o vaso e deixaram-no no jardim perto da entrada da casa.
No dia seguinte, 25 de abril, as crianças acordaram muito contentes, pois era o seu aniversário! Desceram as escadas a correr e foram espreitar o seu vaso novo.
Ao chegar junto do vaso, as crianças ficaram surpreendidas ao encontrar o craveiro florido. Um lindo cravo vermelho embelezava o vaso.
- Como é que foi possível o craveiro florir tão rapidamente?! - perguntou a Inês, sem acreditar no que tinha acontecido. – Se calhar trocaram o nosso vaso, é uma partida!
- Inês, não vês que é o vaso que o avô nos deu? Este cravo vermelho deve ser especial. – respondeu o Tomás.
- É mesmo especial, meninos - interrompeu o avô - O cravo vermelho é o símbolo deste dia e da liberdade em Portugal.
- É verdade avô, já falámos disso na escola - respondeu o Tomás. – Mas, às vezes, parece que nem é uma história real. Como se pode fazer uma revolução sem disparar armas? É tão estranho...
- Acredita, meu neto, é uma história real. Eu estive lá. Depois do pequeno almoço conto-vos como foi - disse o avô.
- Boa avô! Adoro quando nos contas histórias do teu passado – disse a Inês.
O avô entrou em casa, mas as crianças ficaram mais um pouco a admirar o seu lindo cravo vermelho.
De repente, um cheiro maravilhoso apareceu no ar. As crianças respiraram fundo para se deliciarem com o cheiro.
As crianças entraram em casa a correr a chamar pelos pais e pelos avós para que viessem à rua, sentir aquele cheiro maravilhoso. A casa estava silenciosa e estranharam... Correram até à cozinha e ficaram chocadas quando viram uma senhora jovem e grávida. Os irmãos olharam um para o outro assustados.
- Qqquem éés ttu? – perguntou a Inês.
A senhora não respondeu, estava a chorar e dizia baixinho.
- Como estará o meu Alberto? Hoje é um dia perigoso, tenho tanto medo... O meu bebé está por nascer, não quero que fique sem pai. Só espero que consigam derrubar a ditadura para que este bebé possa viver em liberdade e ter uma vida melhor.
- Alberto, não é o nome do nosso avô? Será que esta senhora é a avó Joaquina? Será que fizemos uma viagem no tempo? – perguntou o Tomás muito confuso.
- Não sei Tomás, estou com muito medo, quero sair daqui. Não sei o que nos aconteceu. Alberto é o nome do avô, mas ele não está aqui, os nossos pais e os nossos avós desapareceram. Não conheço esta senhora, nunca vi uma foto da avó quando era nova. Esta senhora fala da ditadura, isso foi hà 50 anos. Não pode ser. Como viemos aqui parar? Como voltamos para os nossos pais? Tenho medo. – disse a Inês a chorar.
- Tem calma, vai correr tudo bem. Vamos descobrir o que aconteceu. Aqui estamos em segurança, esta é a casa dos nossos avós. – disse o Tomás tentando acalmar a irmã gémea e segurando as lágrimas.
De repente, a senhora levanta a cabeça e vê duas crianças desconhecidas na sua cozinha e diz muito assustada:
- Quem são vocês, como entraram aqui? A PIDE agora já envia crianças para espiar senhoras grávidas? Querem levar-me presa?
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Texto e Ilustração
3º Ano Turma ST 2_3
EB S. Tiago | AE Afonso de Paiva
Capa
Diana Alves
Coordenação
Professora Paula Costa
Professora Carla Nunes

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- END >
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