
Esta história revela os "montes de imaginação" dos alunos do Agrupamento do Monte de Caparica.
É o terceiro volume de uma coleção, que esperemos que continue por muitos anos, provando que a criatividade não tem idade, nem cor, nem estatuto social, nem raça nem credo.


Do sol já só se via um pedacinho, mas as três amigas continuavam sentadas no alto do monte a observar a mistura de cores daquele pôr-do-sol. Com o passar das horas, o brilho das estrelas invadiu a escuridão da noite. Sentadas ao pé das tendas, de barriga cheia, as três amigas contemplavam a luz da lua.
Mais abaixo, junto às árvores da floresta, passava um pequeno rio, onde vários animais costumavam beber. As amigas estavam a conversar quando ouviram um barulho estranho junto do rio. Foram espreitar e viram a folhagem a mexer e algumas pegadas no chão.

Seguiram as pegadas e, de repente, esbarraram numa bruxa que estava no meio das folhas! Era verde com um nariz bicudo, tinha o cabelo castanho e muito despenteado, a roupa era azul e tinha um chapéu preto. Era muito estranha!
No cimo de uma árvore estava um crocodilo, amigo da bruxa, que esta encontrou a flutuar. Lançou-lhe um poderoso feitiço e o pobre crocodilo aterrou em cima da árvore e lá ficou.
Entretanto, a bruxa, que queria sair dali rapidamente, fez um portal e
desapareceu! As três amigas decidiram ir à aventura, aproveitaram e atravessaram, também, o portal, indo parar a outro mundo. Havia um dragão que cuspia fogo quando via alguém, de tal forma, que as raparigas tiveram de se esconder atrás de uma casa velha para não serem atingidas.
As belas meninas, assustadas, resolveram entrar na casa, por uma janela aberta. Lá dentro, começaram a congeminar um plano para regressarem ao seu mundo. Nisto, ouviram a porta da casa a abrir. Quem seria? Seria a bruxa?

O medo deixou-as paralisadas, sem qualquer reação, nem repararam em quem estava mesmo à sua frente ... estariam a ver bem?! Era o seu diretor de turma! Estava muito preocupado,
por elas não terem ainda regressado à escola.
Quando soube o que se estava a passar , o professor resolveu ir à procura das três amigas. Encontrou o portal do outro mundo e atravessou-o. Quando olhou para trás, o portal fechou-se e nessa altura, descobriu as suas alunas. Com o portal fechado como poderiam voltar para casa ? Decidiram que a única forma de escaparem daquele mundo seria encontrando a bruxa .
Saíram da casa velha e seguiram pela estrada fora até ao bosque. Enquanto caminhavam, uns olhavam para o cimo das árvores a ver se encontravam a bruxa, enquanto os outros olhavam para o chão à procura das suas pegadas.

Contudo, o seu plano não estava a correr bem, pois não encontravam sinais da feiticeira.
Entretanto, ouviram um ruído e começaram a correr assustados. Chegaram a um lugar desconhecido! No cimo de uma montanha havia um Castelo que tinha uma princesa muito bonita, mas uma voz muitoooooo desafinada. Ela deu-lhes algumas ideias para os ajudar a encontrar a bruxa, mas para espanto deles, ao invés da feiticeira, deram de caras com um Ogre.
O Ogre, de três cabeças, conhecia bem o castelo e, a medo ,os quatro amigos perguntaram-lhe como poderiam localizar a velha mágica.



O Ogre respondeu que a rainha não gostava de tal criatura, mas só ela poderia ajudar.
Seguiram até à sala da rainha, bateram à porta e, para espanto de todos, em vez da rainha, encontraram uma sala com vários espelhos. Tinham formas muito diferentes, tão diferentes que os quatro amigos não sabiam o que fazer. Os espelhos tinham formas geométricas e no canto superior direito estava escrito “Ajude! Toque no seu espelho favorito e terá um desejo concedido”.
Já a Leonor queria o espelho retangular, porque a sua imagem parecia mais elegante e estilosa. Coube ao diretor de turma decidir tamanho impasse.
A Gabriela queria escolher o espelho em forma de triângulo, porque é a sua forma geométrica preferida. A Maria queria escolher o espelho pentagonal, porque o cinco é o seu número da sorte.
- Já sei! É mais que lógico. Vamos escolher o espelho retangular que é a forma de todos os campos que eu utilizo nas minhas aulas de educação física.
E assim foi, juntaram as quatro mãos , tocaram no espelho e o desejo
realizou-se! Em segundos, estavam os quatro companheiros numa floresta mágica, onde viam tudo, mas ninguém os via. Aí havia anões, fadas, gnomos, borboletas e todos os seres mais fantásticos que se possa imaginar.
Enquanto observavam tudo, um dos gnomos , com poderes especiais, conseguiu vê-los e perguntou-lhes de forma zangada:
- O que estão aqui a fazer? Vão-se embora!
- Queremos sair deste lugar, queremos voltar para casa e não sabemos como sair daqui.- explicou o diretor de turma.
O gnomo resolveu ajudá-los e deu-lhes um GPS. No GPS escreveram “Casa da bruxa” e o aparelho levou-os direitinhos até ela.


A casa da bruxa era de madeira, velha, torta , muito escura e parecia assombrada! A medo, resolveram entrar e deram com ela na cozinha a fazer um feitiço... Dentro de um enorme caldeirão estavam cobras, baratas, aranhas, minhocas
e ratos que a bruxa mexia com uma colher de pau gigante... Aquela horripilante mistura era para dar ao crocodilo , para que ele descesse da árvore.
A bruxa queria ter alguém para a auxiliar a preparar as poções mágicas e maléficas que utilizava para lançar os seus feitiços e, quando encontrou as meninas a vasculharem a sua casa, exigiu a sua ajuda para acabar o feitiço para o crocodilo, pois já estava a ficar tonta com tanto trabalho. As amigas aceitaram, tentaram ajudar a bruxa, mas não conseguiram que o bicharoco descesse. Até tiveram a brilhante ideia de subir à árvore, mas não correu nada bem porque ele mordeu-as. Nem queriam acreditar em tamanho azar! Então, foram a correr pedir ajuda ao professor que, por sorte, não tinha entrado em casa.

O DT quando as viu ficou muito contente, mas preocupado com as feridas causadas pelas mordidelas do crocodilo.
Que fazer? Estavam no meio de uma floresta e a única pessoa que os poderia auxiliar era a bruxa má. Não lhes restava outra alternativa, tinham de voltar à casa dela e encontrar um feitiço para curar as meninas, mas a bruxa teria de estar a dormir para não serem apanhados. Então, lá voltaram à velha casa, entraram pela chaminé, um de cada vez, silenciosamente, para não acordarem a feiticeira.

Procuraram, procuraram e encontraram vários frascos, sem rótulo. Ora, as crianças pegaram logo no cor-de-rosa por ser uma cor bonita e beberam, sem pensar. E de repente as amigas transformaram-se em gatas cor de rosa de pelo brilhante!
Estavam o Máximo!
O diretor de turma ficou apavorado. Quis desmanchar o feitiço, mas com tantos frascos e cores, baralhou-se e acabou por escolher um frasco com uma poção preta, às bolinhas amarelas.

As gatas com pelo rosa cheio de brilhantes beberam-na rapidamente e transformaram-se em… ABELHAS!
Três lindas e enormes abelhas!
E agora, como é que o DT iria ajudar as três meninas? Muito aflitas e desesperadas olharam umas para as outras. O que fazer? O professor continuava a mexer nos frascos para descobrir a poção certa. As meninas “abelhas” tiveram uma ideia. Escondiam-se no quarto da bruxa, atacavam-na com muitas picadelas e só paravam quando ela, desesperada, lhes dissesse qual a poção certa para tomar. Assim fizeram, escondendo-se, muito cansadas, no guarda roupa da malvada. E de dentro do armário bafiento assistiram à cena mais estranha que se possa imaginar.

Apareceu um lobisomem com uma peruca de palhaço, e a bruxa , ao vê-lo, ficou muito assustada, saiu pela janela e caiu de cabeça numa poça de água, ficando toda despenteada. O seu chapéu foi cair na cabeça de um homem gigante.
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