O grupo de docentes que frequentaram a formação "Articular com a biblioteca escolar: uma estratégia pedagógica" aventurou-se na criação de uma livro colaborativo.

Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades
Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades,
Muda-se o ser, muda-se a confiança;
Todo o mundo é composto de mudança,
Tomando sempre novas qualidades.
Continuamente vemos novidades,
Diferentes em tudo da esperança;
Do mal ficam as mágoas na lembrança,
E do bem, se algum houve, as saudades.
O tempo cobre o chão de verde manto,
Que já coberto foi de neve fria,
E em mim converte em choro o doce canto.
E, afora este mudar-se cada dia,
Outra mudança faz de mor espanto:
Que não se muda já como soía.
Luís de Camões
Ana Azevedo
Ao Desconcerto do Mundo
Os bons vi sempre passar
não há mundo grave tormentos;
e pera mais me espantar,
os maus vi sempre nadar
em mar de contentamentos.
Cuidando alcançar assim
o bem tão mal ordenado,
fui mau, mas fui castigado:
Assim que, só para mim
anda o mundo concertado.
Luís de Camões, imas , Coimbra, Almedina, 1994, p.102
Ana Lourenço
Lembranças, que lembrais meu bem passado,
Pera que sinta mais o mal presente,
Deixai-me, se quereis, viver contente,
Não me deixeis morrer em tal estado.
Mas se também de tudo está ordenado
Viver, como se vê, tão descontente,
Venha, se vier, o bem por acidente,
E dê a morte fim a meu cuidado.
Luís Vaz de Camões
Formanda:
Armanda Marques
É ferida que dói e não se sente;
É um contentamento descontente;
É dor que desatina sem doer;
É um não querer mais que bem querer
É solitário andar por entre a gente;
É nunca contentar-se de contente;
É cuidar que se ganha em se perder;



É querer estar preso por vontade;
É servir a quem vence, o vencedor;
É ter com quem nos mata lealdade.
Mas como causar pode seu favor
Nos corações humanos amizade,
Se tão contrário a si é o mesmo Amor?
"Ah o amor... que nasce não sei onde, vem não sei como, e dói não sei porquê..."
Poema de Luís Camões
Ana Sousa


Fez um belo e riquíssimo tesouro,
E com rubis e rosas, neve e ouro,
Formou sublime e angélica beleza.
Pôs na boca os rubis, e na pureza
Do belo rosto as rosas, por quem mouro;
No cabelo o valor do metal louro;
No peito a neve em que a alma tenho acesa .
E fez deles um sol, onde se apura
A luz mais clara que a do claro dia.
Enfim, Senhora, em sua compostura
Ela apurar chegou quanto sabia
De ouro, rosas, rubis, neve e luz pura.
Luís de Camões
De quantas graças tinha, a Natureza



Formanda: Cristina Coelho



Descalça vai para a fonte
Descalça vai para a fonte
Lianor pela verdura;
Vai fermosa, e não segura.
Leva na cabeça o pote,
O testo nas mãos de prata,
Cinta de fina escarlata,
Sainho de chamelote;
Traz a vasquinha de cote,
Mais branca que a neve pura.
Vai fermosa e não segura.
Descobre a touca a garganta,
Cabelos de ouro entrançado
Fita de cor de encarnado,
Tão linda que o mundo espanta.
Chove nela graça tanta,
Que dá graça à fermosura.
Vai fermosa e não segura.
Luís de Camões

Imagem gerada por Canva em 24/05/ 2024
Carla Cunha
Imagem gerada com recurso a IA (Copilot Designer)
Não o queira jamais o tempo dar;
Não torne mais ao Mundo, e, se tornar,
Eclipse nesse passo o Sol padeça.
A luz lhe falte, O Sol se [lhe] escureça,
Mostre o Mundo sinais de se acabar,
Nasçam-lhe monstros, sangue chova o ar,
A mãe ao próprio filho não conheça.
As pessoas pasmadas, de ignorantes,
As lágrimas no rosto, a cor perdida,
Cuidem que o mundo já se destruiu.
Ó gente temerosa, não te espantes,
Que este dia deitou ao Mundo a vida
Mais desgraçada que jamais se viu!
Luís de Camões
Catarina Fernandes
Muda-se os tempos, muda-se as vontades,
Muda-se o ser, muda-se a confiança;
Todo o mundo é composto de mudança,
Tomando sempre novas qualidades.
Luís de Camões "Sonetos"
Catarina Marques

Erros meus, má sorte, amor ardente
em minha perdição se conjuraram
os erros e a fortuna sobejaram,
que para mim bastava o amor somente.
Tudo passou; mas tenho tão presente
a grande dor das cousas que passaram
que as magoadas me irritaram ensinando
a não querer já nunca ser contente,
Errei todo o discurso dos meus anos;
dei causa a que a Fortuna castigasse
como minhas esperanças mal fundadas.
De amor não vi, senão breves enganos.
Oh! Quem tanto poderia que fartasse
este meu duro génio de vinganças!
Luís de Camões, Rimas, Coimbra, Almedina, 1994, p.170
Formanda: Dora Gomes

Dificuldades
O programa altera o texto
Mudam-se os Tempos, Mudam-se as Vontades

Isabel Pinheiro
Imagem gerada no Canva em 22/0572024
Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades,
muda-se o ser, muda-se a confiança;
todo o mundo é composto de mudança,
tomando sempre novas qualidades.
Continuamente vemos novidades,
diferentes em tudo da esperança;
do mal ficam as mágoas na lembrança,
e do bem – se algum houve – as saudades.
O tempo cobre o chão de verde manto,
que já coberto foi de neve fria,
e enfim converte em choro o doce canto.
E, afora este mudar-se cada dia,
outra mudança faz de mor espanto:
que não se muda já como soía.
em "Sonetos"
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