

António
As histórias para crianças devem ser escritas com palavras muito simples, porque as crianças, sendo pequenas, sabem poucas palavras e não gostam de usá-las complicadas.
Quem me dera saber escrever essas histórias, mas nunca fui capaz de aprender, e tenho pena.



AZAEL MIGUEL
Além de ser preciso saber escolher as palavras, faz falta um certo jeito de contar, uma maneira muito certa e muito explicada, uma paciência muito grande - e a mim falta-me pelo menos a paciência, do que peço desculpa.
Carminho
Se eu tivesse essas qualidades todas, poderia contar, com pormenores,
uma linda história que um dia inventei, mas que, assim como a vão ler, é apenas o resumo de uma história, que em duas palavras se diz...
Catarina
Que me seja desculpada a vaidade se eu até cheguei a pensar que a minha história seria a mais linda de todas as que se escreveram desde o tempo dos contos de fadas e princesas encantadas...
Débora
Há quanto tempo isso vai!
Na história que eu quis
escrever, mas não
escrevi, havia uma aldeia.
Dinis
(Agora vão começar a aparecer algumas palavras difíceis, mas, quem não souber, deve ir ver no dicionário ou perguntar ao professor.)

Francisco
Não se temam, porém, aqueles que fora das cidades não concebem histórias nem sequer infantis: o meu herói menino tem as suas aventuras aprazadas fora da sossegada terra onde vivem os pais, suponho que uma irmã, talvez um resto de avós, e uma parentela misturada de que não há notícia.
Gabriela
Logo na primeira página, sai o menino pelos fundos do quintal, e, de árvore em árvore, como um pintassilgo, desce o rio e depois por ele abaixo naquela vagarosa brincadeira que o tempo alto, largo e profundo da infância a todos nós permitiu...
Gustavo
Em certa altura, chegou ao
limite das terras até onde se aventurava sozinho.
Inês
Dali para diante começava o planeta Marte, efeito literário de que ele não tem responsabilidade, mas com que a liberdade do autor acha poder hoje aconchegar a frase.

Joana
Dali para diante, para o nosso menino, será só uma pergunta sem literatura:
«Vou ou não vou?» E foi.
João Bruno
O rio fazia um desvio grande, afastava-se, e de rio ele estava já um pouco farto, tanto que o via desde que nascera.
Pedro
Resolveu cortar a direito pelos campos, entre extensos olivais, ladeando misteriosas sebes cobertas de campainhas brancas,
Tomás
Diogo
e outras vezes metendo por bosques de alto freixo onde havia clareiras macias sem rasto de gente ou bicho, e ao redor um silêncio que zumbia, e também um calor vegetal, um cheiro de caule sangrado de fresco como uma veia branca e verde.

Ó que feliz ia o menino! Andou, andou, foram rareando as árvores, e agora havia uma charneca rasa, de mato ralo e seco, e no meio dela uma inóspita colina redonda como uma tigela voltada.
Leonor
Deu-se o menino ao trabalho de subir a encosta, e quando chegou lá acima, que viu ele?
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