



Numa noite fria de inverno, como tantas outras, William e o avô estavam à
frente da fogueira, onde muitas histórias são contadas. William era um menino muito criativo e imaginativo, amava histórias, fossem elas lidas ou contadas. Ouvir as histórias do seu avô era, para aquele neto, um verdadeiro prazer. Por sua vez, o avô de William , ex-combatente do exército americano, carregava um lote de histórias inspiradoras que sempre aguçavam a curiosidade de William , que devido à sua personalidade, as achava fascinantes, como se fossem de outro mundo!
Nessa noite o avô estava a contar sobre aquela vez em que, por mero acaso, encontrara um lugar completamente assombroso, nada mais, nada menos do que uma ilha. Esta ilha, situada no fim do mundo, tinha um tesouro extraordinário: uma biblioteca.
-Uma biblioteca, avô? - interrompeu o neto que, desta vez, não achara o facto nada extraordinário.
-Sim, William. Mas não penses que é uma biblioteca qualquer. É uma biblioteca que ninguém sabe quem criou, cujos livros não se sabe de onde vieram. Além disso não são livros comuns, são livros…
-Ó avô, livros são livros! O que há nesses de tão extraordinário? - interrompeu William.
-Estes são diferentes de todos os outros que já viste e leste. São livros… que voam!
-Voam??? Como voam??? Mas voam mesmo? Têm asas? - interrompeu William, cheio de excitação.
-Calma, William! Já te explico. Mas não queres saber como foi que os descobri?


-Quero, avô! Claro que quero! Mas…
-Então escuta com calma. - aconselhou o avô, que era o único que conseguia provocar algum sossego à personalidade irrequieta daquele neto sonhador.- Em 1944 eu estava num avião que tinha sido alvo de aviões e artilharia inimigos e um dos motores começou a arder.
-A sério avô? Mas como sobreviveste??? - Perguntou William cheio de curiosidade.
-Sim, mas para me salvar da morte tive de me ejetar do avião e lançar-me no vazio. Primeiro abri o paraquedas e olhei para cima, para baixo, para os lados e vi um pequeníssimo pedaço de terra, logo pensei em direcionar o corpo e o paraquedas para lá .


-Quero, avô! Claro que quero! Mas…
-Então escuta com calma. - aconselhou o avô, que era o único que conseguia provocar algum sossego à personalidade irrequieta daquele neto sonhador.- Em 1944 eu estava num avião que tinha sido alvo de aviões e artilharia inimigos e um dos motores começou a arder.
-A sério avô? Mas como sobreviveste??? - Perguntou William cheio de curiosidade.
-Sim, mas para me salvar da morte tive de me ejetar do avião e lançar-me no vazio. Primeiro abri o paraquedas e olhei para cima, para baixo, para os lados e vi um pequeníssimo pedaço de terra, logo pensei em direcionar o corpo e o paraquedas para lá . Se bem o pensei, foi oque fiz, só que não consegui aterrar muito bem e... parti um braço. Estava numa ilha, pequena e com um cheiro estranho, mas que me parecia familiar: parecia cheiro a livros! Comecei a andar e avistei uma pessoa, com alguma esperança fui falar com ela e ela disse-me que eu estava na ilha de S.Martinho . Eu achava que todas as ilhas já tinham sido exploradas e não me lembrava de ter estudado nenhuma que tivesse aquele nome. O homem, certamente desconfiado do meu aspeto perguntou-me como tinha encontrado a ilha. Eu respondi-lhe que tinha tido um acidente no meu avião e tinha caído ali de paraquedas.
Depois dessa pequena conversa atrevi-me a perguntar por que me parecia que a ilha tinha um certo cheiro a livros. E foi quando ele me explicou ele que aquela ilha tinha a maior biblioteca do mundo.


Não acreditei muito naquela afirmação do homem, afinal, há séculos que as grandes bibliotecas mundiais estavam a desaparecer, queimadas pelas bestas humanas que não escondem o seu ódio a tudo o que abre a mente e o coração das pessoas, jovens e velhos, para o conhecimento... Mesmo assim perguntei onde ficava essa tal biblioteca e ele explicou-me o caminho, indicando que, quando encontrasse o maior prédio da ilha, estaria no local certo. Andei na direção indicada e cheguei, de facto, junto de um prédio altíssimo, composto por dois torreões enormes com escadas em caracol que pareciam não ter fim e alcançar o céu. Dentro, todo o edifício estava coberto por estantes de madeira pesada, negra, cheia de livros e com aquele cheiro tão peculiar de papel! Mal entrei na tal biblioteca, um livro voou até mim. Fiquei pasmado! Nem tinha reparado que lhe pendiam dos lados duas pequenas folhas, semelhantes às asas dos pássaros.


Mas eis que o livro não aceitava que eu me demorasse a observá-lo e deu-me um ligeiro encontrão.
-Um encontrão, avô??? - perguntou willian maravilhado – Tens a certeza?
-Tenho – respondeu o avô. - Aquele livro queria que eu lesse o título que ele tinha escrito na lombada.
-E qual era? - perguntou o neto, sem esconder a curiosidade aguçada.
-Era um livro de cura, um receituário de mezinhas antigas para curar enfermidades. - respondeu o velho.
-Mas tu não estavas doente, avô!- exclamou o rapazinho.
-Bom, mas tinha o meu braço partido, lembras-te?
-E então, o que fizeste depois?
-Depois folhei as páginas ásperas e grossas daquele velho livro e aprendi como enfaixar um braço, que era oque eu estava a precisar. Depois de ler o capítulo todo, lá consegui desfazer a camisa e enrolar as tiras à volta do braço. Depois destes trabalhos senti-me bastante satisfeito.
-Porquê??? - perguntou willian.
- Bem, na hora parecia que tinha o poder de um super-herói, senti-me capaz de curar tudo e mais alguma coisa! - exclamou o avô com entusiasmo.
-E depois?
-Bem, depois, à noite veio um barco à ilha buscar-me, porque todos os aviadores tinham um dispositivo localizador nas calças.

-Avô, então e o livro? E a Biblioteca? E a ilha? Depois desse dia conseguiste voltar a encontrar a ilha?
-Infelizmente não, willian. Procurei, perguntei, mas não houve ninguém que me desse grandes informações e eu não consegui encontrar mais a ilha.
Passada uma semana, willian foi à biblioteca da sua vila, como sempre fazia todas as semanas. Começou por se passear entre as estantes, a ver as lombadas dos livros até que passou por um livro que parecia que estava a tremer. Um livro a tremer? - pensou willian de si para os botões da sua camisa- devo estar a ficar maluco! Às tantas ainda estou a sonhar com o livro da ilha do avô. Ignorou e continuou o seu passeio entre as estantes arrumadas e cheias da biblioteca. Mas, de repente, o livro começou a balançar-se violentamente, parecendo querer lançar-se da estante abaixo.



- O que está a acontecer??? - murmurou o espantado garoto. Killian tentou ajudar o livro e puxou-o com muita força. O livro soltou-se, ele conseguiu puxá-lo mais um pouco e, quando repentinamente o livro se abriu, o garoto foi teletransportado para aquela ilha de que o seu avô tinha falado. Quem diz que não podem acontecer estranhas e misteriosas aventuras numa biblioteca???



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