Dedico este trabalho, primeiramente, a todos aqueles que, como Alfredo, já sentiram a solidão e acreditaram que a felicidade não era para eles. Que esta história mostra que, por mais difícil que seja o começo, sempre existe uma luz e um amigo especial esperando por nós no caminho.

Created & published on StoryJumper™ ©2026 StoryJumper, Inc.
All rights reserved. Sources: storyjumper.com/attribution
Preview audio:
storyj.mp/aby5hbziuwb3

2
Alfredo tinha 10 anos e carregava um peso que parecia muito maior do que seu corpo magro e pouco conseguia suportar. Morava com a avó, Dona Gertrudes, numa casa simples, de paredes descascadas e telhado que às vezes vazava quando chovia forte. Sua mãe havia partido para uma cidade distante em busca de trabalho quando ele era ainda um bebê, e nunca mais voltou. Do pai, ele só sabia o nome, contado pela avó em poucas palavras, transmitidos de uma tristeza que ninguém ousava explicar completamente.
Na escola, as coisas também não eram simples. As roupas de Alfredo eram sempre remendadas, e seus sapatos, muitas vezes, tinham furos que ele tentava esconder com meias dobradas. Os outros meninos o chamavam de “menino sem sorte”, zombavam de sua aparência e de como ele andava sempre de cabeça baixa, como se quisessem pedindo permissão apenas para existir. Nenhuma criança queria brincar com ele no recreio; ficava sempre num canto, observando os outros se divertem, sentindo um vazio enorme no peito.
Em casa, embora a avó o acumulasse muito, havia pouco dinheiro e pouca alegria. Dona Gertrudes trabalhava costurando roupas para os vizinhos até tarde da noite, e
3
passando os dias cansadas e preocupada com as contas a pagar. Alfredo sentiu que era um fardo, que sua presença tornava a vida dela ainda mais difícil. Ele não pedia brinquedos, não pedia doces, nem pedia nada que pudesse custar algo. Guardava todos os seus sentimentos para si mesmo, num silêncio que se tornou seu companheiro mais constante — e mais doloroso.
Às vezes, ele sentava na porta de casa, olhando para a rua vazia, e pensava: "Por que eu sou assim? Por que tudo dá errado para mim?" . Sentia-se sozinho no mundo, como se ninguém precisasse dele, como se ele não tivesse lugar em nenhum canto. A tristeza era sua sombra, e parecia que nada jamais seria capaz de afastá-la.
4
Uma tarde de maio, o céu estava cinza e o vento soprava frio, trazendo uma chuva fina e gelada. Alfredo tinha saído mais cedo da escola, pois não tinha ânimo para ficar mais um minuto ouvindo as brincadeiras maldosas dos colegas. Caminhava devagar, com os livros apertados contra o peito, quando pegou um som fraco, quase um choro, vindo de trás de um muro coberto de mato.
Parou, hesitante. Ninguém nunca pediu ajuda a ele — ou era o que ele planejou. Mas o som se repete, mais alto, mais desesperado. Ele se moveu devagar, afastando os galhos espinhosos, e viu lá embaixo, numa vala rasa cheia de água barrenta, um cachorrinho pequeno, de pelo marrom e branco todo sujo e molhado. O animalzinho tremia muito, estava com medo e parecia ter machucado uma das patinhas. Seus olhos eram grandes, escuros e cheios de uma tristeza que parecia ser igual à de Alfredo.
Sem pensar duas vezes, ele se abaixou, estendeu os braços e pegou o cachorrinho com muito cuidado. O bicho não latiu, nem tentou morder; ao contrário, encolheu-se contra o peito do menino, como se já soubesse que ali encontraria abrigo. Alfredo sentiu um calor pequeno e suave se espalhar pelo seu corpo, algo que não
5
sentiu há muito tempo.
— Você também está sozinho, não é? — sussurrou ele, olhando para os olhos do cachorrinho. — Ninguém quer você também?
Levou o pequeno animal para casa, escondendo-o debaixo do casaco para que ninguém visse. Sabia que a avó não poderia aceitá-lo, pois já tinha um pouco para si mesmos, mas não conseguiria descartá-lo lá, sofrendo sozinho. Quando chegou em casa, secou-o com um pedaço de pano velho, deu um pouco de água e um pedacinho de pão que sobrou no almoço. Naquele momento, decidi o nome: Pingo , pois era pequeno como uma gota de chuva, e tinha aparecido justo num dia de chuva.
Quando Dona Gertrudes chegou e viu o cachorrinho, suspirou. Olhou para o neto, viu o brilho diferente nos olhos dele — algo que não via há anos — e não teve coragem de mandar-lo embora.
— Tudo bem, Alfredo — disse ela, com voz suave. — Ele fica. Mas agora, você terá
mais uma coisa para cuidar, hein?
Alfredo sincero, um sorriso pequeno, mas verdadeiro, o primeiro de muitos anos. Naquele dia, ele descobriu que não estava mais sozinho.
6
Com a chegada do Pingo, tudo começou a mudar, devagar, como uma flor que desabrocha depois do inverno rigorosamente. Alfredo acordou mais cedo agora, não com peso no coração, mas com alegria, pois sabia que ao lado da cama teria um amigo esperando por ele. Levava Pingo para passear pelas ruas vazias, pelas trilhas entre os matos, e contava tudo para ele: sobre a escola, sobre a saudade da mãe, sobre a vergonha que sentia das roupas velhas, sobre todos os seus medos. Pingo apenas ouvia, abanava o rabo, lambia sua mão ou deitava sua cabeça sobre os pés do menino, como se dissesse: “Eu estou aqui, não importa o que acontece” .
Na escola, as coisas ainda eram difíceis, mas Alfredo já não sentia tanto medo nem tanta tristeza. Quando os meninos zombavam dele, ele lembrava de Pingo, de como o cachorro o amava do jeito que ele era, sem olhar para roupas, para sapatos ou para o que os outros diziam. Isso deu a ele uma força que ele não sabia que tinha. Ele começou a andar com a cabeça um pouco mais erguida, a falar com voz mais firme, a não se encolher mais diante das brincadeiras maldosas.
Um dia, um dos meninos que mais o incomodava caiu e machucou o joelho. Todos os outros riram ou passaram reto, mas Alfredo parou, se abaixou e disse se ele precisava
7
de ajuda. O menino ficou surpreso, pois esperava que Alfredo fizesse o mesmo que os outros, ou que até se vingasse. Mas Alfredo apenas o ajudou a se levantar, limpou a sujeira da calça dele e disse:
— Cuidado da próxima vez.
Depois disso, as brincadeiras diminuíram. Algumas crianças começaram a olhar para ele de forma diferente, com respeito, e algumas até chegarem conversar. Alfredo não ficou cheio de amigos de repente, mas já não era mais completamente sozinho.
Em casa, ele ajudava mais a avó. Passou a lavar a louça, varrer o quintal, restaurar pequenas coisas que estavam quebradas. Queria mostrar que era útil, que não era um fardo. Dona Gertrudes via tudo isso, e seu coração, que já tinha sofrido tanto, se enche de alegria e esperança. Ela via o neto renascer, graças a um cachorrinho abandonado que ninguém queria.
Pingo cresceu forte e saudável, seu pelo ficou brilhante, e ele se tornou o guardião da casa. Sempre que alguém se aproximava, ele latia alto, mas para Alfredo e Dona Gertrudes, era manso e carinhoso como um irmão.
8
Benefits:
- Full access to our public library
- Save favorite books
- Interact with authors
READ


storyjumper.com
- < BEGINNING
- END >
-
DOWNLOAD
-
LIKE
-
COMMENT()
-
SHARE
-
SAVE
BUY THIS BOOK (from $2.99+)
-
BUY THIS BOOK
(from $2.99+) -
BUY THIS BOOK
(from $2.99+) - DOWNLOAD
- LIKE
- COMMENT ()
- SHARE
- SAVE
- Report
Liked By
X
Encourage this author
-
BUY
-
LIKE
-
COMMENT()
-
SHARE
Problem with this book
X
- Excessive Violence
- Harassment
- Offensive Pictures
- Spelling & Grammar Errors
- Unfinished
- Other Problem
Which pages have problems?
Please describe the problem:
left text
right text
"O Pingo: Entre Desafios e Laços Eternos"
Alfredo tinha 10 anos e carregava um peso que parecia muito maior do que seu corpo magro e pouco conseguia suportar. Morava com a avó, Dona Gertrudes, numa casa simples, ...
(14 pages)
Privacy level:
PUBLIC
Teacher can see this book
Report

COMMENTS
Click 'X' to report any negative comments. Thanks!