A todos os alunos do 2.º ano da Escola Básica de Arreigada, do ano letivo 2016/2017 e à prof. Amália Malheiro pela colaboração e empenho no trabalho desenvolvido.

Era uma vez
uma menina
chamada
Gotinha de água.
A menina
Gotinha de Agua
vivia
no mar sem fim.
E era linda,
tão linda,
vestida de esmeralda
e luar.
Ora no fundo,
ora nas vagas
coberta de
espuma,
ela brincava
com suas irmãs.
Brincava
com os peixinhos,
dava-lhes beijinhos
e beliscões,
e fugia a rir
por entre as algas,
e jogava
as escondidas
com as anémonas,
que são as
flores
de mil cores
que há no mar.
As vezes,
vinha até a praia
e beijava
as pernas
e os cabelos
dos meninos.
Depois, a rir
e a cantar
ia de novo
para o mar,
lá para o largo
ver as baleias
e os navios.
E a menina
Gotinha de Agua,
vestida de esmeralda
e luar,
e tão pequenina,
a força que ela tinha
de mãos dadas
às suas irmãzinhas!
Todas juntas
eram o Mar.

Um dia,
a menina
Gotinha de Água
vestida de esmeralda
e luar,
estava a dormir,
a sonhar
à flor
do mar.
Como se sentia leve!
Subiu.
Subiu.
Subiu.
Até que se viu
numa nuvem
Cor-de-rosa.
Então,
o sol
beijou-a
na face,
e logo ela
como se voasse
subiu no ar.

Sorriu
de contente
olhou em volta
e viu milhões
de gotinhas como ela
boiarem no ar.
- Cá estou eu nas nuvens!
- disse a Gotinha de Água.
Então o sol
de contente
sorriu também
e ao beijá-la
nos cabelos
acendeu no céu
as sete cores
do arco-íris:
vermelho
alaranjado
amarelo
verde
azul
anil
e violeta.
Era tão lindo!
Tempos depois
vieram os ventos
e disseram
à nuvem
- Vamos.



E começaram
a empurrar
aquela nuvem
e as outras nuvens
que boiavam
altas e rosadas
sobre o mar.
Eram como grandes
navios
de algodao em rama.
Andaram
assim
dias e dias
sobre o mar.
A principio,
a gotinha
estremeceu
de medo,
mas depois
gostou
da viagem,
e as nuvens
vlajaram.
Até que uma tarde,
estava o Sol
a espreitar,
muito vermelho,
lá tao Ionge
que parecia quase atrás
do Mar,
a menina
Gotinha de Água
viu que voavam
sobre a Terra.
Olha as praias
Iá em baixo!
E casas!
E meninos
a brincar!
E estradas
e pontes
e automóveis
e comboios
a passar!

Depois
o vento parou.
A gotinha
estremeceu
quando viu
dum lado a outro
do céu
as nuvens escurecerem
como breu.
Olhava
para baixo e via
a terra seca,
os campos secos,
secas as fontes,
as flores
e as searas
murchas,
e os homens
tristes,
muito tristes
sem pão
para darem
aos meninos.

Então
a menina
Gotinha de Água
que tinha
nascido no mar
e usava
um vestido de esmeralda
e luar,
pensou:
E se eu fosse
dar de beber
às flores,
aos campos,
se eu fosse matar a sede
e a fome
aos homens
e aos meninos?
E disse feliz
muito alto
as suas irmãzinhas:
- Vamos.
E deixou-se cair.
Ia à frente
de milhões de gotinhas
todas vestidas
de esmeralda e luar
e sorriam,
cantavam
e assobiavam,
enquanto caíam.
A menina
Gotinha de Água
Pousou
mesmo na boca
duma flor
que sorrindo
feliz
lhe disse:
-Bendita!
Bendita sejas!
E a flor de pétalas
de ouro
abertas
e cobertas
de gotinhas de água,
todas vestidas
de esmeralda e luar,
só lhe disse:
- Leva o pólen
que quiseres
para o teu mel!
E logo
uma abelha,
que andava por ali
em busca de pólen
para fazer mel,
pousou numa pétala
da linda flor
e falou -lhe assim:
-Bom dia, meu amor.
Queres tu dar-me
um pouquinho
do teu pólen
para os meus favos?

O Sol
brilhava agora
cheio de alegria
e sacudia
a luz
da sua imensa cabeleira
sobre o mundo.
E as searas
que estavam a morrer de sede
encheram-se
de espigas
e as árvores
abriram no ar
os braços
carregados
de frutos
tão docinhos:
ameixas, figos
maçãs, peras e uvas!
E os homens,
as mulheres
e os meninos
agradeciam satisfeitos
à chuva que viera
livrá-los
da sede
e da fome.
- Obrigado!
Obrigado!

Então
a menina
Gotinha de Água,
vestida de esmeralda
e luar,
desceu
aos caminhos
escondidos
da terra,
passou
entre as ralzes
das plantas,

E puseram-se
a caminhar
lá nos caminhos
do fundo
da Terra.
Caminharam.
Caminharam.
desceu
desceu
desceu sempre
ate que chegou
a um palácio
maravilhoso
de cristal
e platina
que havia
no seio
da terra.

Quando acordou,
que saudades
sentiu do Mar!
E disse:
- São horas, irmãzinhas.

Até que um dia,
um pastorinho
que levava
as ovelhas
para o monte,
- quem no diria? –
Viu que duma fraga
brotava
uma fonte.
-Que Iindo! -
disse o pastorinho.
E com uma folha
de castanheiro
fez uma bica
por onde
a menina
Gotinha de Água
e suas irmãzinhas,
todas vestidas
de esmeralda
e luar,
saltaram
alegres
a cantar.

Era
um dia de sol
na Primavera,
trinavam
os passarinhos
nos seus violinos,
tocavam os grilos
e os grilões
nos seus rabecões,
assobiavam os melros
nos seus flautins
e de todos
os que são
(como os sapos)
humildes mas têm
bom coração.
dum menino
que foi poeta e pastor
da Primavera
e que era
muito amigo
dos sapos
e sapinhos
e sapões
e os sapos,
os sapinhos
e os sapões,
à porta
das suas casotas,
estavam a ouvir,
contada
pelo sapo Zé Manel,
a história
Duas rolas cantavam
ao desafio
trru -trruu
trru -trruu
no alto dum pinheiro,
e um pica-pau,
tau-tau
tau-tau-tau
brincava
de carpinteiro.
Satisfeitas
e felizes,
as cigarras
faziam versos
ao sol
e à alegria
de viver:
como é bom amar
olaré, olaré,
o que o Sol aquece
e sonhar, cantar
olaré, olaré,
o que nos apetece.
E até
a senhora
Dona Formiga
sempre atarefada
e consumida
com a sua vida,
pousou o fardo
tão pesado
que levava
e estava
feliz, esquecida
ao sol da manhã ...
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