Eu didico este livro à minha mãe.

Há cerca de cinquenta anos, a senhora Gage, uma viúva já idosa, estava sentada no jardim de sua casa, num povoado chamado Spilsby, no Yorkshire. Apesar de coxear e de ver já bastante mal, esforçava-se por arranjar um par de botas, pois mantinha-se com apenas alguns xelins por semana.
A senhora Gage ficou tão surpreendida que se não tivesse escutado passos que se aproximavam teria desatado a correr. O caso é que uma velhota, chamada senhora Ford, abriu a porta. — Quem é que gritou «Não estou em casa»? — perguntou a senhora Gage. — O palerma do pássaro! — disse a senhora Ford muito aborrecida, apontando para um papagaio grande e cinzento.
— Quase me rebenta a cabeça com os seus gritos. Passa o dia no poleiro como uma estátua e sempre que nos aproximamos dele grita «Não estou em casa». Era um pássaro muito bonito, segundo pôde observar a senhora Gage, pena que tivesse as penas pouco tratadas. — Se calhar está triste ou tem fome — comentou. Mas a senhora Ford disse que simplesmente tinha mau génio. Pertencera a um marinheiro e tinha aprendido a falar no Oriente. Contudo, acrescentou, o senhor Joseph gostava muito dele e chamava-lhe James; explicou-lhe que falava com ele como se fosse um ser racional.
A senhora Gage, como já se disse, coxeava da perna direita. Em boas condições caminhava muito devagar, e agora, com a decepção que trazia e a lama das margens do rio, só com muita dificuldade conseguia avançar. Enquanto se arrastava com muito esforço, o dia tornava-se cada vez mais escuro e era difícil não se afastar do caminho que seguia junto ao rio. Caminhava resmungando e queixando-se da astúcia do seu irmão, que a tinha metido naquela embrulhada «de propósito», disse, «para me atormentar». «Sempre foi cruel quando éramos pequenos», continuou, «gostava de torturar pequenos insectos, e uma vez cortou uma lagarta com umas tesouras diante dos
meus próprios olhos. Além disso, era um sovina de primeira. Escondia as suas poupanças numa árvore e, se alguém lhe oferecia um torrão de açúcar com o chá, guardava-o para o jantar. Tenho a certeza que se está a consumir no fogo do Inferno. Mas de que me serve isso a mim?» — perguntou; servia-lhe realmente de muito pouco, pois tropeçou uma vaca que se lhe atravessou no caminho e caiu a rebolar pela lama.
Foi então que algo de maravilhoso aconteceu. Uma enorme luz iluminou o céu como uma gigantesca tocha, tornando visível até ao último pedaço de erva e mostrando-lhe o vau a pouco menos de vinte metros. A maré estava baixa e atravessar o rio seria tarefa fácil, se a luz não desaparecesse antes de o conseguir. — Deve ser um cometa ou algum prodígio semelhante — disse para si mesma, enquanto avançava mancando. Rodmell estendia-se diante dos seus olhos intensamente iluminado. — Deus nos valha! — exclamou. — Há uma casa em chamas. Louvado seja o Senhor! Calculou que a casa demoraria pelo menos alguns minutos a arder e que então já estaria a caminho do povoado. — É um mau ar que não pode
- Full access to our public library
- Save favorite books
- Interact with authors

- < BEGINNING
- END >
-
DOWNLOAD
-
LIKE
-
COMMENT()
-
SHARE
-
SAVE
-
BUY THIS BOOK
(from $3.19+) -
BUY THIS BOOK
(from $3.19+) - DOWNLOAD
- LIKE
- COMMENT ()
- SHARE
- SAVE
- Report
-
BUY
-
LIKE
-
COMMENT()
-
SHARE
- Excessive Violence
- Harassment
- Offensive Pictures
- Spelling & Grammar Errors
- Unfinished
- Other Problem

COMMENTS
Click 'X' to report any negative comments. Thanks!