Realizado por:
Hugo Caldeira nº11
Igor Rossio nº12
Inês Santiago nº13
João Pereira nº14
Lara Ferreira nº15
6ºB
Escola Básica e Secundária Dr. Vieira de Carvalho

Índice
ºBreve introdução histórica -pág.4 a 7
ºPorquê Portugal?-pág.8 a 10
ºCheguei a Portugal e agora? -pág.11 a 21
ºCargos/ Profissões ocupadas:-pág22 a 29
ºEscolaridade dos imigrantes-pág 30 a 34
ºE qual é a situação do emprego imigrante em tempos de Pandemia?-pág. 35
ºNota final-pág. 36
ºBibliografia-pág.37
ºWebgrafia-pág.38 a 41
Breve introdução histórica
Portugal sempre foi um país de tradições migratórias, no entanto, é também um país que recebe imigrantes!
A imigração em Portugal teve “um início tímido” nos anos 60, quando trabalhadores cabo-verdianos vieram substituir a mão-de-obra portuguesa. Mais tarde uma nova vaga de imigração ocorreu com o 25 de Abril de 1974, onde o processo de descolonização trouxe para Portugal muita população que, embora sendo de origem portuguesa, tinham outras nacionalidades (angolanos, moçambicanos, cabo-verdianos).
Nos anos 80 o nosso país acolheu muitos africanos que eram considerados como pessoas de baixa qualificação. Foi a partir da década de 90, devido ao resultado dos acordos de Schengen, que recebemos imigrantes vindos do Brasil e do leste da Europa.
Apesar de em 2016/17 Portugal ter atravessado uma crise económica o país continuou a ser muito “apetecível” para os imigrantes; em 2018 estimava-se que a população estrangeira era de aproximadamente 480 mil pessoas.

Fonte: Jornal Público

Fonte: Jornal Público
Porquê Portugal?
Quando decidimos deixar o nosso país, existem várias situações que ponderamos de forma a ser possível alcançar a estabilidade financeira e emocional e normalmente o objetivo final é poder ter os nossos entes queridos connosco e/ou formar família.

O país tem uma excelente localização geográfica uma vez que está localizado na costa oeste da Europa e, como tal, é quase a porta de entrada para ela; também fica bem localizado no que diz respeito à deslocação para outros continentes.
Portugal é um país com estabilidade política, onde há paz, pouca criminalidade face aos outros países; a economia está ainda em evolução, o clima é ameno e, na nossa opinião, essas são vantagens importantes.
Estas condições abrem oportunidades no turismo, logo o ramo hoteleiro cresce e com isso a construção é beneficiada; acabando por serem favorecidos todos os setores laborais, sejam eles, indústria, comércio, educação, saúde, etc. Com isto há a possibilidade de integração de pessoas com vários níveis de escolaridade e até mesmo etnias.
Cheguei a Portugal e agora?
Muitos chegam cá sem saber bem como, ou nem sequer sabem ao certo onde estão.
Temos abordado o tema de imigração de uma forma muito linear; mas há aqueles que imigram sem saber ao certo o destino e quando lá chegam (os que chegam), não sabem o que lhes espera a nível laboral (e não só).

As condições em que algumas pessoas chegam ao nosso país são inimagináveis, mas nós portugueses, somos afáveis e prestáveis. Nem sempre se encontra uma casa, um emprego e tudo aquilo que o “nosso passaporte(traficante)” prometeu...
A realidade é cruel! Quando alguém está a passar fome, a vivenciar guerra e não tem como sustentar a família aquilo que pretende é apenas uma “luz” algo que lhe dê uma perspetiva de felicidade e logo cede ao primeiro aceno de trabalho e melhoria de vida.

Habitualmente estas pessoas escolhem qualquer tipo de trabalho, independentemente do seu nível de escolaridade pois o seu desgaste psicológico é tal que apenas querem obter o mínimo de condições para terem paz e uma vida financeira melhor.
Felizmente, existem associações que auxiliam os que solicitam ajuda como por exemplo a “ASSOCIAÇÃO DE IMIGRANTES MUNDO FELIZ” que é uma associação sem fins lucrativos e nacional, reconhecida pelo Alto Comissariado para as Migrações desde 2013.Esta associação auxilia em diversos assuntos desde saúde, educação, emprego, apoio jurídico, habitação, etc...
Existem ainda outras entidades como:
- SEF (serviço de estrangeiros e fronteiras);
- CLAIM (centro local de apoio á integração);
- APIRP (associação de apoio a imigrantes e refugiados em Portugal).




Eis dois pequenos relatos retirados do jornal “o Público” onde o processo de imigração, apesar de difícil, foi bem-sucedido:
“Apesar de ser licenciada em Economia e Finanças, Alina trabalhou nove anos numa empresa de limpezas, e apesar de admitir que, no seu percurso profissional, teve de lidar com algumas pessoas “não muito boas” – patrões menos dispostos a assegurar-lhe os mesmos direitos – não esconde o seu apreço pelos portugueses.
“Os portugueses são um povo muito acolhedor. Há sempre exceções, mas a maioria das pessoas não olha para nós como estrangeiros”, acrescenta.”
“Alina Precup veio atrás do companheiro, que recebera uma proposta de trabalho em Portugal, e decidiu experimentar, para “ver se dava ou não”. Nos primeiros tempos, admite, teve muito receio, nem saía à rua sozinha. “Era a primeira vez que saía do país. E mesmo sem falar com ninguém, tinha a sensação de que sabiam que era estrangeira”, revela.
Mas, depois, arranjou emprego num restaurante, prometeram-lhe um contrato e os próprios clientes foram-lhe ensinando português.
“Fui sempre bem recebida, ajudaram-me muito”, diz. E após a entrada da Roménia na União Europeia, concluído o processo de legalização, “foi tudo mais fácil”.
E é por causa deles que a família cá se mantém há 13 anos. Na Roménia, diz-se que Portugal é “no fim do mundo”, conta. “Mas eu digo: então o fim do mundo é mesmo um lugar lindo”.
“.... No processo de adaptação de Mihaela, o respaldo da associação foi crucial: na aprendizagem da língua, no acesso ao mercado de trabalho, na organização de documentos.
“Tivemos apoio em tudo”, realça. A Mundo Feliz disponibiliza desde cursos de língua a explicações de matemática, tem parcerias com várias empresas para recrutamento de trabalhadores, e apoia a recolha de toda a documentação necessária nos processos de legalização ou de reagrupamento familiar.
Também é um porto de abrigo noutras fases mais complicadas: às quartas-feiras, abrem o quintal na parte de trás das instalações da sede para distribuir roupa e comida a quem necessita. “É o dia em que aparece aqui o mundo”, diz a presidente.
“Implementámos isto, porque vimos que havia dificuldades”, contextualiza Cecília Minascurta.“Muitos vêm para Portugal, mas não estão preparados. Pagam a renda, mas não têm que comer”.
Mas nos últimos anos, há sinais positivos. A partir de 2016, a situação económica “melhorou bastante”: há cada vez mais ofertas de emprego, em particular na área da construção e do turismo, e alguns imigrantes, também da comunidade romena, “começam a regressar”.
“Isso é muito bom, também para o crescimento de Portugal”, realça.”
In jornal Público 27/04/2019
Com a ajuda destas organizações e até mesmo do governo português, verifica-se um vasto sucesso nestas comunidades que são cada vez mais diversificadas. Num relatório publicado pelo governo em 28/06/19 pode ler-se o seguinte:
” Na lista das 10 principais nacionalidades residentes no país constam o Brasil (105 423), Cabo Verde (34 663), a Roménia (30 908), a Ucrânia (29 218), o Reino Unido (26 445), a China (25 357), a França (19 771), a Itália (18 862), Angola (18 382) e a Guiné-Bissau (16186). Temos novas origens, que não estão ainda no top 10, mas tiveram em 2018 um crescimento muito significativo» de imigrantes da Índia, Nepal, Bangladesh e Venezuela que vêm trabalhar «na agricultura, construção civil e turismo”
Cargos/ Profissões ocupadas:
No que diz respeito às profissões, aquelas onde mais facilmente conseguem obter emprego, são sem dúvida as que os portugueses tentam evitar: trabalhos em limpezas, indústria, telecomunicações, agricultura...resumindo trabalhos mal pagos e precários. Infelizmente também continuam a existir empregadores que aceitam imigrantes ilegais que aproveitam para “chantagear” e explorar sob a ameaça de os denunciar às autoridades.
Um dos setores em que se verifica uma grande exploração imigrante é sem dúvida na agricultura; é no Alentejo que se concentram grande parte destas pessoas. Em 2018 dezenas de cidadãos africanos que fugiram da África subsaariana vieram trabalhar nos olivais. Como não obtiveram a legalização, não conseguiram defender-se da exploração. Algumas destas pessoas estavam em Portugal há já quatro anos e ainda não haviam conseguido os documentos necessários.

Assim, sendo, estão sujeitas à atividade de empresas de trabalho temporário que, alugam mão de obra, pagam ao dia, à hora, não pagam quando chove, e ainda cobram pelas casas ou contentores onde eles habitam, sem o mínimo de condições.
Para além desta informação que é relatada no site"esquerda.net" ; lá também é reportado que:"...Estes trabalhadores denunciam ainda a falta de condições para reivindicarem o que lhes é devido, já que não têm data certa para receber o salário e frequentemente não conseguem contactar com os patrões, que não atendem o telefone.
O salário estipulado em contrato é equivalente ao salário mínimo anterior ao que se encontra em vigor.
Há quem pague 75 euros para morar num contentor no meio do olival, dividido com mais três pessoas, com uma linha de água contaminada com as águas residuais que resultam da presença de quase uma centena de pessoas, havendo ainda lixo acumulado num canto.
No início, pagavam 50 euros (portanto, 200 por contentor); depois o preço foi aumentado para 75 euros (portanto, 300 por contentor) sem que os trabalhadores fossem avisados. Há ainda quem pague mais 30 euros pelo transporte. Nos dias em que chove, não ganham dinheiro e, denuncia um dos trabalhadores, por vezes ficam de castigo «se refilarem» ..."
Felizmente nem tudo é exploração e são vários os casos de sucesso nas comunidades imigrantes residentes em Portugal. Como tal, não poderíamos deixar de mencionar a comunidade chinesa! Dinâmicos e metódicos, este povo não se deixa ir abaixo às primeiras dificuldades. Chegam a Portugal sem saber a língua e os costumes mas sabem que o comércio é uma das portas para a criação do próprio emprego. As famosas "lojas dos chineses" estão espalhadas por todo o território e empregam, normalmente, todos os membros da família e quando são bem-sucedidas ainda oferecem emprego a portugueses ou a pessoas de outra nacionalidade!
Estas lojas têm muito sucesso devido à variedade de artigos que são habitualmente vendidos a custos muito reduzidos.

Os brasileiros também "dão cartas" no setor do emprego em Portugal. É verdade que o setor de hotelaria/turismo é um dos principais no que diz respeito aos cargos ocupados por este povo; mas atualmente também existem muitos individuos que elegem o país para se estabelecer criando o seu próprio negócio e oferecendo novas opurtunidades de emprego.Vejámos este caso reportado no site "noticias.uol.com.br":"...Vanessa Caldas Alexandre, 38 anos, de São Paulo para Oeiras "Sempre empreendi no Brasil e cheguei a ter uma startup nos EUA....
Fiquei três anos em São Paulo, mas com vontade de ter outra experiência internacional. Viemos para Portugal por entender que teríamos mais a contribuir e que aqui agregaríamos valor. Várias empresas de tecnologia estão vindo. Escolhi aqui sem nunca ter pisado no país. Nem sabia que havia praias tão bonitas. Como temos uma filha com 6 anos, falar o mesmo idioma foi um bônus..."

Escolaridade dos imigrantes
Um bom percurso escolar é essencial para entrar no mercado de trabalho e sem ele o caminho que nos leva a um bom emprego é dificultado. A grande maioria dos refugiados/imigrantes, como podemos constatar no gráfico seguinte, possuíam apenas o 3ºciclo do ensino básico em 2011; mas em 2019 esse número diminuiu, sendo que, face à população portuguesa, os imigrantes conseguem ter um melhor nível de escolaridade!
Segue a interpretação segundo o jornal "ECO":"...Entre 2011 e 2019, a percentagem de estrangeiros com ensino superior duplicou de 15% para 30% (de 17% para 26%, no caso dos nacionais)”, salienta o Banco de Portugal. Já entre os nacionais, o nível de escolaridade mais frequente (50%) é o ensino básico (nível que representa apenas uma fatia de 30% entre os estrangeiros)."
Gráfico do nível de escolaridade da população portuguesa face aos imigrantes-Fonte INE(cálculos do Banco de Portugal)

A oferta de ações de formação para apoiar os imigrantes são também muito importantes para encontrar emprego de qualidade.
A Câmara Municipal de Matosinhos,por exemplo, tem um projeto que visa precisamente, o apoio aos imigrantes que residam no concelho.Pode ler-se no site da câmara que:"...Este programa destina-se a pessoas nacionais de países terceiros, com idade igual ou superior a 18 anos, residentes no concelho de Matosinhos, e portadoras de documento comprovativo de situação regular ou em processo de regularização...
O documento define áreas prioritárias de intervenção, como sendo, por um lado, as mais determinantes para a criação de um clima social favorável à integração da população migrante e, por outro, aquelas onde se encontram os maiores obstáculos a essa mesma integração, nomeadamente o mercado de trabalho, empreendedorismo, formação, educação, língua, saúde, solidariedade, respostas sociais, cidadania, media, sensibilização da opinião pública, racismo e discriminação."

E qual é a situação do emprego imigrante em tempos de Pandemia?
Numa entrevista publicada no site "saudemais.tv"o embaixador de Cabo Verde em Portugal informou que o impacto da covid-19 na comunidade cabo-verdiana terá impacto sobretudo nos imigrantes que trabalham nos setores do turismo, restauração, construção civil, transportes e prestação de serviços em residências.
Já a revista "Visão" na edição de 30 de abril do corrente ano, refere que a Associação Mundo Feliz está a poiar os seus associados, dos quais 5000ficaram desempregados.
Nota final
Portugal é um pequeno país com pessoas de grande coração!Dispostas a partilhar tudo aquilo que têm ajudando sempre o próximo e aproveitando sempre todos os ensinamentos.Cabe a nós, geracões futuras continuar a fazer de Portugal um país Intercultural!

Bibliografia:
OLIVEIRA,Catarina Reis & GOMES,Natália. Indicadores de integração de Imigrantes:relatório estatistico anual 2017.Lisboa
Webgrafia:
º "8 motivos para trabalhar em Portugal"https://moraremportugal.com/8-motivos-para-trabalhar-em-portugal/ acedido em 11/05/2020
º "Entrada em Portugal"https://imigrante.sef.pt/ acedido em 11/05/2020
º "Procura de emprego mais fácil para refugiados com plataforma digital RefuJobs "https://www.dn.pt/lusa/procura-de-emprego-mais-facil-para-refugiados-com-plataforma-digital-refujobs-9378039.html acedido em 11/05/2020
º"Integração Profissional"http://cpr.pt/ acedido em 12/05/2020
º"Quem somos"https://www.mundofeliz.pt/
º"Portugal é um “paraíso” para os imigrantes endinheirados"https://zap.aeiou.pt/portugal-paraiso-imigrantes-endinheirados-272941 acedido em 12/05/2020
º"É mais fácil para um romeno viver em Portugal, mas no mercado de trabalho ainda há diferenças"https://www.publico.pt/2019/04/27/sociedade/noticia/facil-hoje-romeno-viver-portugal-mercado-trabalho-ha-diferencas-1870727 acedido em 13/05/2020
º"Número de estrangeiros a residir em Portugal é o mais elevado de sempre"https://www.portugal.gov.pt/pt/gc21/comunicacao/noticia?i=numero-de-estrangeiros-a-residir-em-portugal-e-o-mais-elevado-de-sempreacedido em 13/05/2020
º"Quem Somos"https://poise.portugal2020.pt/ acedido em 13/05/2020
Fim

- < BEGINNING
- END >
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