A Primeira Guerra Mundial durou de 1914 a 1918. A 11 de novembro celebra-se mais um ano do armistício. Este facto aconteceu em novembro de 1918.
Os soldados partiram para a guerra a cantar porque pensavam que ela seria rápida, o que não se verificou.
A segunda fase da guerra tem o nome de trincheiras ou posições. Foi sobre esta fase que os alunos do 9º Ano foram desafiados a imaginarem-se soldados nas trincheiras e a escreverem uma carta a um familiar ou amigo, numa atividade coordenada pela professora de História, Helena Tavares. Em colaboração com a Biblioteca Escolar, partilhamos este livro com o resultado daquilo que foram as participações dos alunos.
Obrigado a todos!!

Para o meu Avô
De: Mariana
Para: Avô Filipe
Olá avô, espero que esteja tudo bem aí. Por aqui a vida é muito difícil, mas vim contar-te como consigo sobreviver e como são as coisas por aqui!
As trincheiras que é aonde estou, são fossos cavados na terra com dois metros de profundidade e 1,80m de largura. Dos dois lados empilham-se sacos de areia que são barreiras às balas dos nossos inimigos, para melhor proteção nas trincheiras.
Como já deu para perceber, as condições são muito degradantes, aqui não temos casa de banho, os dejetos são acumulados em covas a céu aberto, que quando enchem são tapadas pelos soldados que recebem algum castigo. O contágio de doenças é muito facilitado pela falta de salubridade e pela companhia de ratos, ratazanas, piolhos, pulgas e muito mais.
Quando chove as condições pioram porque a terra passa a lama, que nos chega a cobrir os pés. A comida é enlatada e pouco saborosa, normalmente a comida é pão, biscoitos, legumes e carne. A água potável nem sempre chega por isso temos que apanhar a água da chuva.
Já tenho muitas saudades de estar aí!
Um beijo enorme, com as maiores saudades do mundo.
Mariana
Para a minha família
17 de Novembro de 1915
França
Olá!
Hoje é mais um dia de viver com medo da morte, enquanto a guerra não acaba. Estamos a viver enterrados em trincheiras, que são buracos de 2 metros de altura e pouco mais de 1 metro e 80 centímetros de largura, são passagens apertadas e a céu aberto, um pouco de chuva já coloca tudo em fossas de lama.
Dos dois lados da trincheira empilhamos sacos com areia, uma barreira contra as balas dos inimigos, assim aumentamos a nossa proteção. Mas este não é o único problema que nos faz encarar a morte. Não temos condições favoráveis à saúde, vivemos constantemente com ratos, ratazanas, piolhos e tantos outros animais e nestas condições o contágio de doenças é muito mais fácil o que faz com que o posto médico não tenha apenas feridos.
A comida é enlatada e pouco saborosa, para piorar a quantidade de comida varia da importância da hierarquia militar de cada um de nós, e as refeições diárias são constituídas por pão, alguns biscoitos, um pouco de legumes e de carne. Por vezes não há água potável, então aproveitamos a água da chuva, o que piora o contágio de doenças e parasitas.
Eu tenho passado os meus últimos dias no posto avançado de observação, somos bastantes então ficamos divididos por postos. Caso algum soldado receba algum castigo ele tem de tapar as covas a céu aberto onde são acumulados os dejetos, já que não existe casa de banho. Eu ainda não recebi um castigo assim e espero não receber. Descansar? Não temos muito tempo para isso, temos de estar sempre em alerta. Na trincheira de tiro as armas estão sempre prontas, o posto médico sempre a funcionar, os postos de observações sempre a vigiar e o quartel-general a planear planos.
Esta a ser uma guerra complicada e que não parece que vá acabar não cedo e nem tão facilmente. Eu já tenho saudades de casa, da família, da comida e do quentinho da lareira.
Que Deus nos proteja e ajude.
Com saudade e carinho,
Iris
Para o meu primo rodrigo
Suíça, 21 de janeiro de 1915
Olá primo Rodrigo!
Espero que por aí esteja tudo bem e todos de boa saúde.
Neste momento estou na minha hora de almoço, escrevo-te esta carta para ficares a par de um pouco daquilo pelo que tenho passado aqui nas Trincheiras, neste momento estou a combater na frente ocidental.
Aqui vive-se num clima de enorme pressão, todos os dias vejo tantas pessoas serem enterradas, outros deixadas ali mesmo a apodrecer, é um cheiro nauseabundo. Eu passo o meu dia em dois postos diferentes na trincheira de tiro e na colocação de morteiros, é muito difícil ver os soldados inimigos por vezes apenas conseguimos ver as pontas das armas, disparamos sem noção de onde estarão eles e se os atingimos ou não. Hoje está a ser um dia difícil pois por aqui chove bastante e isto está um lamaçal e temos dificuldade em andar.
Hoje abatemos um plantão inteiro sem sofrer qualquer baixa pois eles ficaram preso na lama tornando-se alvos fáceis. Sinceramente, ponho-me a pensar no porquê desta guerra e o porquê de tantas mortes por uma causa só mas os tiros fazem-me contradizer e continuar a lutar, faço o apenas por vocês a minha família que todos os dias me dão força para continuar a lutar para sair daqui vivo e voltar para os vossos braços.
É tão difícil estar aqui tenho muitas saudades. Principalmente da comida da tua mãe que é muito melhor do que aquilo que comemos por aqui, comemos apenas enlatados poucos saborosos, muito poucos legumes e quase nenhuma carne.
Um abraço,
João Melo
Para a minha mãe
França, 20 de maio de 1918
Saudações, mãe
Já não te escrevo á algum tempo dado que vim para as trincheiras, e acredita a vida aqui ainda é pior do que falavam, vou te descrever alguns dos meus dias, que são todos "iguais". Nestes fossos cavados na terra divididos por partes (posto avançado de observação; colocação de morteiros; posto médico; cozinha; trincheira de tiro e de comunicação; quartel-general) já estou á 2 meses, e a todo o tipo de condições climáticas, a todo o caso estive exposto. Quando chove isto mais parece fossas de lama que nos chegam até aos tornozelos, mas o sol forte e o frio também não são melhores. Não existem casas de banhos (e que sorte tenho de não ser eu a tapar as covas com os dejetos), não existem condições de higiene, a única coisa que não falta aqui são os ratos, ratazanas, as pulgas...
Por estas razões as doenças transmitem-se muito facilmente. Pior do que isto tudo, são os dias em que somos atacados pelos inimigos por bombas, ou quando tenho de ir para a linha da frente… nesses dias choro ao ver-me perdido e desgraçado, só penso em Deus e em vocês, a minha família.
Não existe início do dia, nem fim do dia, só durmo em média 2 horas e meia, por cada 24 horas. Durante o dia alguns alimentos são distribuídos (mas muito poucos), pão, alguns biscoitos, e, legumes e carne se tivermos com sorte.
A água potável é muito pouca, por tanto ás vezes contento-me com a água das chuvas.
Entre a fome e o frio, a minha maior alegria é receber uma carta tua.
Cumprimentos para toda a família, espero ver-vos em breve.
António
P.S- Espero que esteja tudo bem por aí.
Para a minha mãe
Olá mãe!
Espero que esteja tudo bem com vocês, neste momento encontro-me bem. Mas a vida por aqui não é fácil. Não temos casas de banho, e é bem provável que muita gente aqui tenha mais doenças do que aquilo que imagina, não há mínimas condições. Aprendi a conviver com ratos, ratazanas, piolhos e pulgas. Quando chove as trincheiras, ou os buracos na terra onde somos postos, tornam-se fossas de lama que nos chegam aos tornozelos e que nos impedem de andar.
A comida não tem qualquer sabor e vem toda enlatada, as rações diárias que nos entregam tem pão, alguns biscoitos poucos legumes e pouca carne. Mas nem todos passam por isso, a qualidade da comida depende da importância do cargo que cada um tem aqui.
Aqueles que são castigados é lhes atribuída a tarefa de ir tampar as covas que estão cheias com os nossos dejetos. Quanto à água, também se pode dizer que é pouca, mas por aqui na falta dela bebe-se a água da chuva que não nos deve fazer muito bem.
Isto não deve demorar muito, em breve espero estar com vocês.
Ass: Soldado Gonçalves
Para a minha mãe
Querida, Mãe!
Está quase a fazer um ano desde que estou cá e como sempre gosto de te dar notícias. Espero que esteja tudo bem contigo e com a família?
Infelizmente, acho que esta guerra ainda está para durar. Hoje fomos atingidos na zona norte por uma grande explosão, felizmente tinha saído de lá alguns minutos antes desta catástrofe. Ultimamente temos sofrido muitas baixas e mortes, o inimigo está cada vez mais forte e preparado e nós com mais problemas. Já não aguento com os ratos, as ratazanas, as poças de lama até aos tornozelos, aquela comida horrível e a pior parte a falta de banhos! Tenho tantas saudades da tua comida maravilhosa e de tomar um banho quente. Espero conseguir chegar a casa brevemente e em segurança.
Do teu filho,
Miguel.
Para a minha mãe
- Full access to our public library
- Save favorite books
- Interact with authors


Agrupamento de Escolas de Souselo - EB 2,3 de Souselo
Disciplina de História e Biblioteca Escolar (novembro de 2020)
Professores: Helena Tavares e António Santos
Fonte da imagem de capa: Silhuetas de soldados da Primeira Guerra Mundial - Shutterstock
https://aventurasnahistoria.uol.com.br/noticias/reportagem/fim-primeira-guerra-mundial.phtml

- < BEGINNING
- END >
-
DOWNLOAD
-
LIKE
-
COMMENT()
-
SHARE
-
SAVE
-
BUY THIS BOOK
(from $6.59+) -
BUY THIS BOOK
(from $6.59+) - DOWNLOAD
- LIKE
- COMMENT ()
- SHARE
- SAVE
- Report
-
BUY
-
LIKE
-
COMMENT()
-
SHARE
- Excessive Violence
- Harassment
- Offensive Pictures
- Spelling & Grammar Errors
- Unfinished
- Other Problem

COMMENTS
Click 'X' to report any negative comments. Thanks!