Mar Português
Ó mar salgado, quanto do teu sal
São lágrimas de Portugal!
Por te cruzarmos, quantas mães choraram,
Quantos filhos em vão rezaram!
Quantas noivas ficaram por casar
Para que fosses nosso, ó mar!
Valeu a pena? Tudo vale a pena
Se a alma não é pequena.
Quem quere passar além do Bojador
Tem que passar além da dor.
Deus ao mar o perigo e o abismo deu,
Mas nele é que espelhou o céu.
Fernando Pessoa in Mensagem


São 200 tonéis de embarcação, tamanho médio para a época, (podiam atingir os 600 tonéis) e mesmo assim poderia navegar perfeitamente, desde que, o velame estivesse no lugar.
É necessário ter alguma agilidade para conhecer esta nau, com capacidade "oficial" para 200 pessoas (uma por cada tonel), é preciso imaginação para acreditar na quantidade de pessoas que podia levar a bordo e ainda as escadas são quase todas de "mão" e subir e descer é obrigatório para se vasculhar todos os cantos.

Subimos para o chapitéu (o "castelo da popa"), tinha uma função bélica (contra ataques piratas, por exemplo) e está exemplificada pela peça de artilharia aí colocada - há outra no convés, mas uma nau verdadeira teria muitas mais.


Entramos na parte fechada: três camarotes preenchem o espaço - ao fundo, o do capitão: duas janelas, um catre, baús e uma secretária virada para a porta, onde o capitão se encontra a tratar de papelada sob a supervisão do escrivão, debruçado ao lado, e a controlar o tempo por uma ampulheta.


Dos lados, dois camarotes estreitos: o do escrivão, com cama e secretária sobre a qual repousam folhas manuscritas, tinteiro de madeira e penas; e o do passageiro, no caso uma mulher, deitada na cama com baú aos pés. Era mais comum do que se pensa, o transporte de mulheres - desde fidalgas que acompanhavam os maridos até as órfãs do rei (protegidas) enviadas para a Índia e o Brasil para se casarem.

Do "terraço" da tolda descemos ao convés, preenchido ao meio pela grade da escotilha, por onde entrava e saía a mercadoria. À volta agora está quase tudo desimpedido: o cenário seria diferente nessas viagens longínquas, seria "tudo muito mais atulhado".



Novamente no convés, imaginamos a força necessária para rodar o torno gigantesco que puxa as âncoras do navio e no mastro principal espreitamos o cesto.
Fonte: Dr. Paulo Pinto, in Público



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Trabalho realizado, recolha das imagens feita pelos alunos do projeto - sala CAA -, tratamento do texto e apresentação final da professora Mª Armanda Ribeiro.

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