
Os escritores e o Tejo
Alves Redol
Ainda são percetíveis as marcas de uma prática piscatória associada àqueles que são muitas vezes chamados de "ciganos" ou "nómadas" do rio. A expressão foi utilizada por Alves Redol no romance Avieiros, que retrata a vida dura das comunidades de pescadores vindas do mar de Vieira, que, no inverno, procuravam as águas mais protegidas do Tejo.
"Os avieiros eram gente pobre, originária da praia da Vieira (...) que tinha até um certo sentido pejorativo. Era gente que, como não podia pescar no inverno mas precisava de alimentar os filhos todo o ano, no final do outono era obrigada a procurar sustento noutros sítios"...,
"Primeiro, os homens e, depois, a família completa, foram vindo para o Tejo. No início viviam apenas no barco, depois começaram a fixar-se na maracha do Tejo e dos afluentes. Foram ficando e foram arribando atrás do peixe, Tejo acima"... Um dos lugares onde mais permanece viva a memória dos avieiros é o Patacão, em Alpiarça - uma aldeia ribeirinha do Tejo.
https://www.tsf.pt/sociedade/os-ciganos-do-rio-que-procuravam-sustento-nas-aguas-do-tejo-9903283.html

Como os poetas veem o Tejo
Alberto Caeiro
DV
Fernando Pessoa
R e N
Biografi

BIOGRAFIA:
Fernando António Nogueira Pessoa nasceu em Lisboa, a 13 de junho de 1888, e faleceu também em Lisboa a 30 de novembro de 1935.
Fernando Pessoa
Foi um poeta, filósofo, dramaturgo, ensaísta, tradutor, publicitário, astrólogo, inventor, empresário, correspondente comercial, crítico literário e comentarista político português.
Fernando Pessoa é o mais universal poeta português. Foi educado na África do Sul, numa escola católica irlandesa, chegou a ter maior familiaridade com o idioma inglês do que com o português ao escrever os seus primeiros poemas nesse idioma.
Das quatro obras que publicou em vida, três são na língua inglesa e apenas uma em língua portuguesa, intitulada Mensagem.
Fernando Pessoa
Traduziu várias obras em inglês (e.g., de Shakespeare e Edgar Allan Poe) para o português, e obras portuguesas (nomeadamente de António Botto e Almada Negreiros) para o inglês.
Enquanto poeta, escreveu sob diversas personalidades (heterónimos), como Ricardo Reis, Álvaro de Campos e Alberto Caeiro, sendo estes últimos objeto da maior parte dos estudos sobre a sua vida e obra. Robert Hass, poeta americano, diz: "outros modernistas como Yeats, Pound, Eliot inventaram máscaras pelas quais falavam ocasionalmente... Pessoa inventava poetas inteiros". Buscou também inspirações nas obras dos poetas William Wordsworth, James Joyce e Walt Whitman.
Abismo
Olho o Tejo, e de tal arte
Que me esquece olhar olhando,
E súbito isto me bate
De encontro ao devaneando —
O que é sério, e correr?
O que é está-lo eu a ver?
Fernando Pessoa
Sinto de repente pouco,
Vácuo, o momento, o lugar.
Tudo de repente é oco —
Mesmo o meu estar a pensar.
Tudo — eu e o mundo em redor —
Fica mais que exterior.
Perde tudo o ser, ficar,
E do pensar se me some.
Fico sem poder ligar
Ser, idéia, alma de nome
A mim, à terra e aos céus...
E súbito encontro Deus.
R e N
Fernando Pessoa
R e N
Análise do poema
Na primeira estrofe o sujeito poético refere estar a olhar para o Tejo. Ele reconhece que o seu pensamento afastou-se do que está a ver. Nos dois últimos versos questiona-se sobre “o curso do rio” e sobre “si próprio”, porque utiliza o pronome pessoal “eu”.
Na segunda estrofe pensamos que o sujeito poético sentiu um vazio, “tudo de repente é oco”.
No último verso ele refere o seu interior.
Na terceira estrofe o sujeito poético está a dizer o que se perde quando se morre, subitamente pode encontrar Deus.
Ricardo Reis
António Nobre
Biografia
António Nobre foi um poeta português que criou uma arte singular, aliando a subjetividade do Nasceu no porto no dia 16 de agosto de 1867 e morreu a 18 de Setembro de 1900 (aos 32 anos), devido a tuberculose pulmonar.
C e T

António Nobre
Ó Lisboa das meigas Procissões!
Ó Lisboa de Irmãs e de fadistas!
Ó Lisboa dos líricos pregões...
Lisboa com o Tejo das Conquistas,
Mais os ossos prováveis de Camões!
Ó Lisboa de mármore, Lisboa!
Quem nunca te viu, não viu coisa boa...
C e T
António Nobre
Análise do poema À Lisboa das naus, cheia de glória.
Neste poema, o sujeito poético mostra as melhores coisas que há em Lisboa, o que lá aconteceu de melhor e quem passou por lá.
Também se questiona sobre o luar de Lisboa e se é igual no mundo.
Ele disse que nunca teve amores nem carinhos e que não suporta a tristeza.
Pede às senhoras de Lisboa para rezarem por ele e para ser enterrado entre as flores.
C e T
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