Celebramos este ano os 47 anos do 25 de Abril, que devolveu a liberdade e a democracia aos portugueses. Muitas das canções apresentadas nas páginas deste livro conseguiram furar as malhas da censura e servir de incentivo e esperança a um país que na altura era cinzento, oprimido e triste.

Nomes como Zeca Afonso, Paulo de Carvalho, Fernando Tordo e Sérgio Godinho (para falar dos mais conhecidos, nos dias que correm) marcaram toda uma época. Mas outros como Adriano Correia de Oliveira, Fausto, Manuel Freire e José Mário Branco serão sempre relembrados.
Também Manuel Alegre, escritor e político nascido em Águeda, se destacou principalmente com a letra "Trova do Vento" cantada por Adriano Correia de Oliveira e, mais tarde, por Amália.





Esta canção foi interpretada pela primeira vez para um grupo de trabalhadores em protesto contra o lock-out promovido pelo patrão de uma fábrica, ainda antes do 25 de Abril de 1974. Fala da corja que topa da janela, imagens paradigmáticas do que era o Estado Novo e transmite uma mensagem de mobilização popular
Zeca Afonso
"Paz, pão, habitação, saúde, educação": esta letra é um tratado político que reflete aspirações não só de um artista, mas de um povo saído de 48 anos de ditadura. Este seu hino à Liberdade trazia consigo o que eram, para ele, as condições essenciais para que esta se concretizasse
Sérgio Godinho
Vencedora polémica do Festival da Canção de 1973, esta canção foi interpretada como um inteligente protesto contra um regime que pressentia-se na altura não duraria muito. A analogia à tourada trazia consigo uma subliminar mensagem de ataque não só ao regime, mas também a uma elite corporativa eternamente beneficiada e medíocre. "E diz o inteligente que acabaram as canções".
Fernando Tordo
Neste poema de António Gedeão musicado por Manuel Freire o verso "eles não sabem nem sonham" não deixava dúvida para quem era dirigida esta canção: um regime que amordaçava os seus criadores artísticos e um povo triste e pobre que na sua maioria não podia sonhar. Esta canção rapidamente ganhou o estatuto de hino à liberdade.
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Trabalho realizado no âmbito da ação de formação
António Pedro de Jesus Moniz

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