
Olá meninos!
Eu sou o famosíssimo Francisco Ferreira Drummond e nasci no dia 21 de janeiro do ano de 1796, na rua da Igreja da Vila de São Sebastião, ilha Terceira. Estávamos, portanto, nos finais do século XVIII.
Pertenci a uma família bastante abastada. Era filho de Tomé Ferreira Drummond e de Rita de Cássia. Uma família ligada à lavoura e ao magistério primário.
Eu era um menino apaixonado. Apaixonado pela música, por influência do meu tio paterno, o mestre-régio Francisco Machado Drummond, pelas letras, pela vida política e mais tarde pela História da Ilha Terceira.
Durante a minha infância e após ter terminado a instrução primária, dediquei-me ao estudo do latim, da lógica e da retórica, porque tanto o meu pai como o meu irmão José Ferreira Drummond dedicaram grande parte das suas vidas à governação da Vila de São Sebastião.
As pessoas diziam que eu era um menino prodígio e que tinha um grande futuro pela frente como músico, pois com apenas 15 anos fui nomeado organista da Igreja Matriz da Praia da Vitória, no ano de 1811, cargo que ocupei até morrer, mas também trabalhei como organeiro tratando da manutenção e reparação dos órgãos de toda a ilha.
Quando a Vila de São Sebastião foi elevada a Concelho em 1822, fui eleito escrivão da Câmara Municipal e nesse mesmo ano, por influência da Monarquia Constitucional tornei-me liberalista, lutando contra os apoiantes de D. Miguel. Durante este período, tive que fugir da perseguição dos absolutistas, contudo terminei em Lisboa, onde estive preso um ano, mostrando assim, o meu lado mais rebelde, revolucionário e patriota.
Depois destes tempos mais conturbados, voltei à minha terra natal para seguir os passos da minha família, acedendo à vida política.
Primeiro desempenhei o cargo de escrivão dos órfãos, depois fui secretário da Administração do Concelho Municipal e tabelião. Além disso, aos meus 40 anos de idade fui eleito Presidente da Câmara, cargo que ocupei por 3 anos em que me dediquei à defesa dos interesses da autonomia do Concelho....
... e fiquei muitíssimo conhecido por ter sido o grande mentor e responsável pelo sistema de canalização de água potável na minha Vila, conseguindo captar as nascentes do Cabrito e o seu aproveitamento para a moagem. Naquela época, esta foi a maior obra hidráulica da Terceira e Açores.
Os moradores de São Sebastião ficaram tão admirados e orgulhosos do meu trabalho que em 1839 fui eleito Procurador à Junta Geral exercendo o cargo de Provedor da Santa Casa da Misericórdia.
Para além do meu grande contributo à música e à vida pública, também dediquei-me a outra grande paixão, a História. Ao longo da minha vida fui mostrando grandes capacidades como paleógrafo, investigador e historiador. Sempre preocupei-me muito com as fontes, com os documentos antigos transcrevendo-os para poder redigir a história da ilha com informações verdadeiras e de confiança, por isso, fui considerado por muitos, como sendo o primeiro historiador científico dos Açores.
Devido aos meus grandes e profundos conhecimentos de paleografia, no ano 1845, fui contratado pela Câmara Municipal de Angra do Heroísmo para transcrever os livros góticos que existiam nos arquivos daquela Município.
Nesse mesmo ano, ofereci os meus manuscritos dos Anais da Ilha Terceira à Autarquia de Angra. Eles eram constituídos por 1420 páginas e 510 documentos. Redigi segundo a cronologia típica dos anais, desde a época da descoberta, povoamento da Ilha Terceira até ao ano de 1832, século XIX. A Câmara de Angra do Heroísmo acabou por publicar a minha obra em 4 volumes entre o ano 1850 e 1864.
Para além deste trabalho, pelo qual me tornei bastante reconhecido e que foi muito importante para o conhecimento da História da Ilha Terceira e Açores, escrevi e publiquei vários artigos para jornais daquela altura, como também escrevi outros livros tais como: Memória Histórica da Capitania da Praia da Vitória que foi editado em1846 e Apontamentos Topográficos, Políticos, Civis e Eclesiásticos para a História das Nove Ilhas dos Açores. Infelizmente, não consegui terminá-la, mas foi editada em 1990.
E, assim, fui crescendo em volta dos estudos, experiências e descobertas, até falecer, no dia 9 de novembro de 1858, com 62 anos.
Drummonzinhos
Os alunos idealizaram Francisco Ferreira Drummond, tendo em conta as características dos homens naquela época (imagem ao lado). Este passaria a ser a personagem dos nossos livros e a mascote do projeto. Os alunos batizaram-no de Drummonzinho.
Cada aluno tentou desenhá-lo utilizando a técnica da quadrícula.















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