Este conto andarilho resultou de uma atividade iniciada na semana da leitura em articulação com a Biblioteca Escolar e as docentes de Português do 3º ciclo.

Era uma vez numa pequenina cidade, mais conhecida como uma cidade histórica, onde, em tempos que já lá vão, nascera alguém que lutou e deu voz ao país que é hoje.
Uma cidade cheia de requintes e bem estruturada, como os antepassados a ditaram. Uma cidade diferente de todas e reconhecida pelo seu património recuperado, fora de portas, bem como pelos sentimentos que em todos desperta.
Numa manhã, em plena madrugada, algo aconteceu, que fez os seus habitantes estremecerem de pasmo. Pelas suas calçadas coloridas, estreitas e empedradas, a original calçada, entoavam passos calmos e vozes sonantes. Estes desfilavam em grupo, com ruído, pelas vielas e quelhos, tão bem conhecidas dos povos antigos e cuja história, que nelas está gravada, ficou, como testemunho do passado, para a juventude de hoje.
Com estranheza, a cidade acordou, puseram-se à espreita e apenas viram passar por aquelas lindas ruas empedradas um enorme grupo de pessoas. Mas quem seriam eles? Com receio, a população alertou a Câmara Municipal, que, prontamente, se mobilizou para a proteção da população e monumentos históricos. Entretanto, alguns funcionários acudiram mesmo ao local, para apurar o que ali se passava e inundaram o grupo de transeuntes entusiasmados de perguntas.
Na realidade, não pareciam de cá, dos nossos, vinham cheios de malas, mapas com coordenadas, palravam qualquer língua impercetível, quem seriam?
Depois de inquiridos, o agente da PSP e o funcionário camarário, que por ali passava, aperceberam-se que nada de mal se estava a passar. As calçadas ganharam novas caras, costumes e lazeres. A população residente, por seu lado, habituou-se e até se alegrou com a diversidade da gente acolhida nas suas ruas e calçadas.
No entanto, nas profundezas dessa cidade pequena e linda, existia um grupo de residentes que não aceitaram a ideia de ter de conviver com os estrangeiros. Esse grupo chamava-se os vigilantes e viviam numa casa de um dos membros do grupo. Este mesmo grupo andava a criar um plano para expulsar os estrangeiros da cidade.
Certo dia, numa dessas vielas, andavam dois estrangeiros, uma criança e um senhor já de idade. A criança segurava um balão vermelho e o senhor, de barbas brancas e com a sua bengala, estava simplesmente a observar a beleza daquela cidade, enquanto caminhava.
Até que, de repente, 3 membros dos vigilantes, dois homens e uma mulher com os seus quarenta anos, saíram de um beco escuro e atiraram água ao senhor e ao rapaz, deixando-os completamente encharcados, também rebentaram o balão do rapaz com um alfinete e fugiram.
Os vigilantes escapuliram-se para os seus refúgios e iam todos felizes por terem posto o plano em prática. Entretanto, o rapaz e o senhor, muito indignados, reportaram à polícia o que tinha acabado de acontecer e, então, a polícia, pasmada por ouvir tudo aquilo, começou investigações para descobrir quem eram aquelas pessoas, se elas eram estrangeiras ou ali residentes e se existiriam ainda mais pessoas como aquelas.
A polícia começou as investigações para descobrir quem eram aquelas pessoas e porque fizeram tal coisa. Porém, a polícia não sabia por onde começar a investigar, pois não tinham nenhuma pista e nem sabiam como eram os indivíduos.
Os vigilantes ficaram muito felizes quando observaram que a notícia se tinha espalhado pela cidade e ninguém desconfiava deles. Com isso os vigilantes ganharam muita confiança e estavam a cometer crimes cada vez piores.
A polícia estava a dar recompensas a quem descobrisse os criminosos e a cidade toda estava à procura dos mesmos.
Até que uma menina, que lá estava a passear perto do lugar do primeiro crime, encontrou atrás de caixas, perto do lixo, um balde ainda com alguma água, já suja e um alfinete com um pedaço de um balão vermelho preso.
A menina ficou muito feliz ao perceber que com o dinheiro da recompensa poderia ajudar a sua família e conquistar o seu sonho de navegar no mar. A menina esqueceu-se do que estava a fazer e foi logo avisar a mãe.
- Eu não me quero intrometer nesses assuntos!! Aliás, pode ser um simples balde e um alfinete! - Disse a mãe
A menina desanimou-se, mas decidiu ir à polícia e lá...
Agora Flor também queria expulsar a população estrangeira da sua cidade, histórica e cultural.
Florbela continuou como membro dos vigilantes, ficando cada vez com cargos mais valorizados, até se tornar no braço direito do líder do grupo.
Alexandre, que era tratado por Alex, era o líder e fundador dos vigilantes. Alex era um jovem bem constituído e alto. Tinha o cabelo castanho escuro e ligeiramente despenteado e os olhos castanho-esverdeados enigmáticos.
Fazia parte de um pequeno grupo de amigos, os mais confiáveis e verdadeiros, do qual fazia parte Flor, com quem conversava regularmente.
Alex era uma pessoa bastante perspicaz e observadora. Tinha duas personalidades distintas: era bastante carinhoso com as pessoas de quem gostava mais mas também sabia tomar decisões a sangue frio com os mal intencionados.
Seis meses depois de Flor se ter juntado aos vigilantes, o grupo começou a tomar medidas mais radicais. Começaram por assaltar várias lojas de tecidos, roubando todas as peças de roupa vermelhas e formaram, pelas ruas, um enorme tapete que parecia alcatifar aquela calçada empedrada e tantas vezes calcorreada por tantos. Desta forma, a história e a vida da cidade ficaram encobertas.
- Companheiros, a primeira etapa está concluída. A beleza da nossa cidade está escondida. Assim não há estrangeiro que a venha visitar! -exclamou vitorioso Alex.
- É por isso que és o nosso líder, grande chefe Alex- gritaram todos em uníssono.
- Obrigado companheiros, mas a luta continua. Ainda temos muito pela frente! Este é o nosso território, a nossa cidade, o nosso berço.
Passaram-se semanas e pelo meio da mancha de tecido brotavam uns pequenos e verdejantes arbustos. Incrédulos, repararam que o tecido se rasgava, mostrando, novamente, a beleza da cidade.
Era a natureza a abrir novamente o caminho para aquela que é a verdadeira missão desta cidade: disposta a acolher todos que por ali passavam.
Os vigilantes nem queriam acreditar no que viam, os seus planos estavam arruinados. A beleza natural da urbe, mais uma vez, atraía novos turistas que tal como uma onda inundavam as suas históricas ruas.
Alex começou a estranhar tal situação, considerando que haveria ali dedo de alguém.
Desconfiado, Alex foi ao encontro de Florbela, seguindo-a discretamente.
Subitamente, Flor entra num café já bem distante da cidade e senta-se ao lado de um senhor aparentemente furioso, vestido com a farda de polícia, que lhe diz o seguinte:
- Não temos notícias tuas há bastante tempo, o que se passou para andares tão ausente?
- Bem, eu marquei este encontro exatamente para isso, para dizer que estou fora. Não me identifico mais com este trabalho a que me sujeitei. – conta Flor cabisbaixa.
Com isto, o polícia, cada vez mais enfurecido, levanta-se e assegura que mandará alguém mais persistente para o lugar de Flor, pensando ele que a jovem ia sair por completo da cidade.
Alex entra no café já depois do polícia se retirar, vai em direção a Flor, que se encontrara desanimada, e questiona-lhe sobre o que acabara de ouvir.
A jovem estremece com medo de que Alex a vá julgar e expulsar da cidade, mas opta pela honestidade e revela todo o plano.
- Ouch! Não estava preparado para ouvir isto, mas está tudo bem. Eu percebo, que era o teu trabalho. Vamos para a cidade e lá conversámos com o grupo sobre o que acabou de acontecer. – afirma o jovem observador.
Ao chegar à cidade, Alex e Flor foram ao encontro do grupo para conversar sobre o que tinha acontecido há algumas horas atrás.
Logo que chegaram ao esconderijo, Alex, com um tom de voz alto e grave, gritou:
- Companheiros, por favor, reúnam-se! Temos que tratar de um assunto sério.
Ao ouvirem o grito do líder, todos os outros vigilantes se reuniram na sala mais secreta do esconderijo.
Assim que todos os vigilantes chegaram à sala, Alex começou a falar:
- Meus caros amigos, convoquei-vos aqui para falar sobre a nossa querida companheira e meu braço direito: Flor. Como não sabem de nada, explicarei cada detalhe do que aconteceu.
Após uma longa explicação, todos os vigilantes, agora, tinham dúvidas; Flor era aliada ou inimiga?!.
- Como podemos confiar nela?!- questionou a senhora que deixou Flor entrar no esconderijo pela primeira vez - E se ela nos trair e nos entregar à polícia?!
- É verdade! Como saberemos se ela é ou não nossa companheira?!
Os vigilantes começaram a gritar e a fazer muito barulho.
- Calem-se!- Disse Alex, num tom furioso- Com essa algazarra toda nunca iremos chegar a um acordo!
Os vigilantes calaram-se imediatamente, temendo a ferocidade do chefe. Eles haviam esquecido sobre sua dupla personalidade, e não queriam irritá-lo mais.
Flor afastou-se um pouco do Grupo. Estava realmente perturbada com toda aquela situação penosa. Não queria traí-los, mas também era impensável que a sua magnífica cidade ficasse “invisível” aos olhos dos transeuntes. A cidade era linda, com muita história, era bom dá-la a conhecer não só aos turistas do seu país, mas também ao mundo inteiro. Não era digno que ficasse no anonimato. O que poderia fazer, na realidade? Já é sabido que não se pode agradar a gregos e a troianos, então precisaria de uma solução o mais rapidamente possível.
- Full access to our public library
- Save favorite books
- Interact with authors

- < BEGINNING
- END >
-
DOWNLOAD
-
LIKE
-
COMMENT()
-
SHARE
-
SAVE
-
BUY THIS BOOK
(from $8.99+) -
BUY THIS BOOK
(from $8.99+) - DOWNLOAD
- LIKE
- COMMENT ()
- SHARE
- SAVE
- Report
-
BUY
-
LIKE
-
COMMENT()
-
SHARE
- Excessive Violence
- Harassment
- Offensive Pictures
- Spelling & Grammar Errors
- Unfinished
- Other Problem

COMMENTS
Click 'X' to report any negative comments. Thanks!