
Os contos tradicionais do mundo foi uma proposta de leitura, pesquisa e recolha destes textos feita pela Biblioteca Escolar, através da nossa professora de Português, que nos colocou a trabalhar neste projeto nas aulas de DOPE (Desenvolvimento da Oralidade e Produção Escrita).
Cada turma fez a pesquisa de contos de um determinado continente e, posteriormente, organizados em grupo, cada um escolheu pesquisar os contos tradicionais de um determinado país. Seguiu-se a leitura dos contos pesquisados para a seleção daquele que a cada grupo pareceu mais interessante. A fase seguinte foi a transcrição fiel desses mesmos contos, um de cada país.
Dessa recolha, se fez esta coletânea de contos, enviados para a Biblioteca Escolar, que fez este livro digital.
Espero que se divirtam, tanto quanto nós nos divertimos a ler estes contos do mundo, que, na realidade, nos transportam e nos fazem viajar por terras tão diferentes, mas cujos valores são tão próximos dos nossos, como podem verificar na moral da história contida em cada um deles.
Boas leituras e boa viagem!
EUROPA
Conto Tradicional de Espanha
O lobo e as cabritas
Era uma vez um grande rebanho de cabritas muito pequenas que viviam todas juntas num curral. Eram tão pequeninas que não sabiam ainda o que fazer para ir buscar erva para comer, tendo a sua mãe que sair para trazê-la. Sempre que esta saía, avisava as cabritas para não abrirem a porta a ninguém, pois o lobo podia aparecer e comê-las. E para que soubessem que era a mãe que as chamava, passava a patita branca por baixo da porta e elas, ao vê-la, reconheciam-na e abriam. Quando voltava do campo, para pedir que lhe abrissem a porta cantava:
Abri, abri, cabritas,
que vos trago ervitas.
Abri, abri, abri!
Mal sempre a patita por baixo da porta logo as cabritas diziam: "Uma patita branca, é a nossa mamã."
O lobo, que tinha grande de comê-las, não vontade de acreditar como espiar até ver que a cabra mais velha se ia embora, pondo-se então a cantar:
Abri, abri, cabrotas, que vos trago ervotas. Abri, abri, abri!
Como cabritas diziam-lhe então: "Mostra-nos a pata!" O lobo da porta sua pata negra por baixo da porta e as cabritas responderam de seguida: "Uma patola negra, é o lobo feroz! Não a, não a, que é lobo feroz!" Um belo dia teve o lobo uma ideia. Havia uma mulher que tinha uma roupa; o lobo roubou-lhe um lençol, registrado um pedacito de tecido de um lado branco e com um fio atou-o à pata de tal maneira que esta parecia. Foi a casa das cabritas e cantou, mudando o tom de voz: Abri, abri, cabritas, que então vos trago ervitas. Abri, abri, abri!
As cabritas, que não reconheceram a voz do lobo, exclamaram:
"Mostra-nos a pata!"
O lobo passou a pata coberta com o lençol por baixo da porta e as cabritas, ao vê-la assim tão branca, disseram, crendo tratar-se da sua mãe: "Uma patita branca, é a nossa mamã." E, sem pensarem no que estavam a fazer, abriram a porta. O lobo irrompeu com grande violência e desatou a dar-lhes dentadas, uma aqui, outra acolá, até que as comeu a todas, exceto uma muito pequenita, que era coxa e se escondeu atrás do armário, para assim não ser encontrada.
Depois de as ter comido a todas, o lobo, farto e com uma barriga enorme, tão grande que quase não podia andar, fugiu. Quando a mãe das cabritas voltou, encontrou o curral aberto, sem nenhuma das suas filhas no interior e logo percebeu o que tinha sucedido.
Entrou em casa e, enquanto chorava, não parava de gritar: "As minhas filhas, as minhas filhas!"
A cabrita coxita saiu do armário e explicou-lhe o que havia sucedido. Quando soube que o lobo tinha comido as suas filhas, agarrou num grande cutelo e foi à procura dele. Encontrou-o deitado ao sol, sem sequer poder mexer-se, de tão cheia que estava a barriga com as cabritas que tinha comido. Disse-lhe a mãe das cabritas: "Queres andar à pancada comigo?", ao que ele respondeu: "Pois seja."
O lobo levantou-se, cambaleante, e a cabra fitou-o olhos nos olhos. Golpe aqui, golpe acolá, lá conseguiu a cabra com um dos golpes de cutelo abrir a barriga do lobo. Foi então que do interior surgiram as cabritas que tinha comido, a saltar e a dançar e felizes de ver a sua mãe. O lobo lá ficou, com a barriga vazia e as tripas de fora.
Beatriz Ferreira Vieira Nº7, 8ºB
Beatriz Daniela Almeia Araújo Nº6, 8ºB
Conto Tradicional de França
A pega e as suas crias
Era uma vez uma pega que levava as suas crias aos campos para lhes ensinar a vida e o modo de conseguir alimentos. Elas, todavia, que estavam muito mimadas, queriam voltar para o ninho, pois pensavam que a mãe tinha de continuar a dar-lhes de comer no bico. Esta última, no entanto, achava que já se encontravam em condições de voar a toda a parte, pelo que desejava obrigá-las, de uma vez por todas, a procurar directamente a alimentação, instruindo-as da seguinte maneira: Saiam a voar aos campos, pois já são suficientemente grandes para cuidarem de si. A minha mãe soltou-me aos meus recursos muito antes.
- Mas que podemos fazer? - perguntaram. - Os caçadores abatem-nos imediatamente.
- De modo algum - insistiu a pega. - Precisam de tempo para visar o alvo. Quando virem que apontam o arcabuz e o apontam à face, fujam.
- Muito bem, assim faremos - acederam. - Mas, e se um deles pega numa pedra e no-la atira? Para isso, não é necessário apontar primeiro.
- Em todo o caso, verão que se agacha para pegar na pedra.
- E se, por casualidade, já a tiver na mão, pronta para a atirar?
- Se são tão sensatos para pensar nisso - decidiu a mãe -, tomem as precauções que lhes parecerem indispensáveis.
Com estas palavras, levantou voo e abandonou as crias. Se não gostaram da história, não me vou pôr a chorar.
Lara Pereira, Nº13, 8ºB
Maria Beatriz, Nº 15, 8ºB
Tiago Francisco Nº 21, 8ºB
Conto Tradicional dos Países Baixos
O herói de Haarlem
Há muitos, muitos anos, vivia em Spaarndam um menino que tinha cerca de oito anos. O pai dele era guarda de comporta e às vezes deixava-o ir com ele até ao cimo do dique ou lá abaixo, à terra seca. Numa tarde de Outono que prometia tempestade a mãe entregou-lhe umas panquecas e pediu-lhe que as levasse a um velhote que era cego e que morava no campo. O menino lá foi e ficou um bocadinho em casa do seu velho amigo.
Quando começou a chuviscar, disse-lhe:
- "Vou voltar já para casa!"
E, com o pratinho vazio debaixo do braço, atravessou o dique a caminho de casa. Mas mal tinha iniciado a caminhada, olhando em redor, reparou que o nível da água no dique tinha subido muito.
"Isto não é nada bom sinal", pensou e apressou o passo. O vento soprava com força e o nível da água subia cada vez mais. Começava a ficar muito escuro e o menino caminhava ainda mais depressa. Por fim, desatou a correr.
Mas, de súbito, parou. Ouvia-se ali um ruído estranho.
Seria o vento, uma tempestade prestes a rebentar? Deu mais alguns passos devagar. Aquele ruído era cada vez mais claro.
Não, o vento não era. O ruído vinha de dentro do dique. Mas de onde? E o que seria?
Com cautela, o menino desceu pelo dique e começou a procurar o sítio de onde vinha aquele barulho. Sim, agora já devia estar perto, porque o ruído se ouvia cada vez melhor.
Oh, o que era aquilo?
Espantado e assustado, o menino ficou imóvel. O seu coração começou a bater muito depressa. Dali jorrava um fiozinho de água. Não de cima do dique, mas de dentro do dique. Devia existir um furo. Mas se ele não fosse tapado depressa, todo o terreno ficaria inundado e também a cidade de Haarlem estaria ameaçada.
Apressadamente procurou o ponto de onde jorrava a água e depressa descobriu um buraquinho. Era um buraquinho muito pequeno, o seu dedo cabia lá mesmo à justa. Então o ruído da água a correr deixou de se ouvir e não saiu nem mais uma gota de água do dique.
"Agora tenho de ficar aqui quieto", pensou o menino, "porque se eu tirar o dedo do buraquinho, ele fica cada vez maior e então, e então..."
"Socorro, socorro!" gritou com quantas forças tinha, mas ninguém o ouviu, porque ninguém atravessava o dique àquelas horas.
"Então tenho de ficar aqui até amanhã de manhã", disse o menino valentemente. E lá ficou, toda a tarde e toda a noite.
Ficou enregelado e completamente hirto. Teve a sensação de nunca mais voltar a poder mexer-se. Gritou pela mãe e gritou pelo pai, mas eles não o ouviam. Decerto andavam agora à procura dele.
E a noite avançava e o vento assobiava.
A água batia contra o dique. Era como se murmurasse: "Quero passar, quero passar!" Mas o menino ficou ali quieto, com o dedo enfiado no dique e nem mais uma gota de água de lá saiu.
Assim foi encontrado ao romper da manhã do dia seguinte por um frade. Então, foi logo socorrido e levado para casa.
Tinha salvo a cidade e o país de uma grande desgraça. Era um verdadeiro herói!
Maria Helena Azevedo Teixeira Nº16, 8ºB
Paulo Dinis Freitas Pereira Nº17, 8ºB
Rodrigo Xavier da Silva Fernandes Nº20, 8ºB
Conto Tradicional da Suécia
STOMPE PILT
Não muito longe do monte Baals, na paróquia de Filkestad, província de Villand, há uma colina, onde antigamente vivia um gigante que se chamava Stompe Pilt.
Certo dia, apareceu um cabreiro com as suas cabras na colina onde o gigante vivia.
- Quem está aí? - gritou Stompe Pilt, emergindo da colina enfurecido, com uma pederneira na mão.
- Sou eu esse por quem perguntas - replicou o pastor, conduzindo os animais para lá.
- Se te aproximas, trituro-te como a esta pedra - rugiu o outro, reduzindo-a a areia entre os dedos.
- Nesse caso, eu espremo-te toda a água que tens dentro tal como a esta pedra.
E o cabreiro puxou de um pedaço de queijo fresco e apertou-o de tal modo que a água escorreu entre os dedos.
- Não tens medo? - estranhou o gigante.
-De ti, não.
- Então, vamos ter de lutar.
- Por mim, não há inconveniente, mas primeiro temos de nos insultar, como é da praxe, até ficarmos realmente furiosos, pois com os insultos vem a cólera e, com ela, passa-se a vias de facto.
- Eu insulto-te primeiro - decidiu o gigante.
- De acordo, mas depois serei eu a insultar-te - salientou o pastor.
- Oxalá fiques com o nariz aquilino!
- Oxalá te transformes num demónio voador! - retorquiu, disparando com o arco uma flecha muito pontiaguda, que se cravou no ventre do antagonista.
- Que foi isso? - quis saber este último.
- Um insulto.
- Porque tem penas?
- Para poder voar.
- E porque se segura com tanta firmeza?
- Porque criou raízes dentro do teu corpo.
- Tens mais insultos destes?
- Aí vai outro - anunciou o pastor, disparando nova flecha.
- Ai, que dói muito! - uivou Stompe Pilt. - Não estás suficiente mente furioso para podermos começar a lutar?
- Ainda não te insultei bastante - declarou o cabreiro, colocando uma terceira flecha na corda do arco.
- Então, leva as tuas cabras a pastar onde quiseres! Se não suporto os teus insultos, o que será quando começares com os ataques? - vociferou o gigante, correndo para o seu esconderijo no topo da colina.
Deste modo, o pastor venceu o embate por ser corajoso e não se acobardar perante o ingénuo gigante.
Afonso Martins Nº1 8ºB
José Costa Nº10 8ºB
Conto Tradicional da Finlândia
Lippo e Tapio
Lippo, caçador exímio, foi um dia, com dois amigos, à caça à rena.
Percorreram o bosque de manhã à noite e, quando escureceu, procuraram abrigo contra as trevas e o frio numa cabana de troncos.
Pernoitaram aí e, ao amanhecer, os três homens voltaram a pôr os esquis. Antes de abandonarem a cabana, Lippo tocou um esqui com o outro e disse:
- Que o dia de hoje me proporcione uma boa presa: uma parte para um esqui, outra para o outro e uma terceira para o meu bastão.
Mal tinham começado a andar, quando se lhes depararam as pegadas de três renas.
Seguiram-nas e não tardaram a avistá-las: duas juntas e a terceira um pouco afastada. Lippo disse então aos amigos:
- Podem perseguir as duas. Serão as vossas presas. Eu fico com a que está só.
Proferidas estas palavras, deslizou na neve durante todo o dia, até que a noite o surpreendeu, mas não pôde alcançar a rena, apesar de ser um esquiador muito rápido.
Chegou então a uma herdade e a rena refugiou-se no estábulo, sempre com Lippo no seu encalço. No pátio, encontrava-se o proprietário, um venerável ancião de cabelo e barba brancos.
- Que é lá isso! — exclamou. — Quem é o filho de um sapo que persegue a minha reprodutora fazendo-a suar?
Lippo aproximou-se, saudou-o respeitosamente e replicou:
- Sou eu, mas como não a consegui capturar, vim parar a esta herdade.
O ancião, que era o próprio Tapio, dono do bosque em volta, declarou:
- Bem, se perseguiste a minha reprodutora até ao pôr-do-sol, podes passar a noite nos meus aposentos.
Lippo entrou na casa e ficou maravilhado quando olhou em redor: havia renas, veados, ursos, raposas, lobos e todos os animais selvagens possíveis de imaginar. A seguir, Tapio convidou-o para jantar e serviu-o excelentemente.
Na manhã seguinte, Lippo quis prosseguir viagem, mas não conseguiu encontrar os esquis. Quando perguntou por eles ao dono da casa, este redarguiu:
- Não queres ficar em minha casa e ser meu genro? Tenho uma filha única.
Mas Lippo respondeu:
- Ficaria com o maior prazer, mas sou um homem pobre.
- Isso é comigo! A pobreza não é nenhum defeito. Na nossa casa, terás tudo o que desejares.
E assim, o ancião entregou a filha ao visitante, e o ágil esquiador e caçador ficou como genro na cabana do bosque de Tapio.
Quando haviam passado três anos desde a sua chegada, a filha de Tapio deu-lhe um filho. Lippo quis então visitar a pátria, pelo que pediu ao sogro que o conduzisse lá. No entanto, este último disse:
- Se fizeres uns esquis do meu agrado, autorizar-te-ei a partir.
Lippo dirigiu-se prontamente ao bosque e começou a trabalhar nos esquis. Um pássaro que estava empoleirado no ramo de uma árvore cantarolou:
Ti, ti, apesar de ser uma ave pequena, dir-te-ei qual é a forma corrente: afia um ramo apontado ao chão e cola-lhe a extremidade da frente.
Lippo atirou-lhe uma lasca de madeira, ao mesmo tempo que observava:
- Que estás para aí a cantar, animalzinho pateta?
Terminados os esquis, adornou-os o melhor que sabia e foi mostrá-los a Tapio. Este experimentou-os e apressou-se a afirmar:
- Estes esquis não são para mim.
No dia seguinte, Lippo teve de se dirigir de novo ao bosque para recomeçar a trabalhar. O pássaro, que se achava igualmente presente, cantou:
Ti, ti, apesar de ser uma ave pequena, dir-te-ei qual é a forma corrente: afia um ramo apontado ao chão e cola-lhe a extremidade da frente.
- Estás outra vez com as tuas fantasias? — exclamou ele, furioso, atirando-lhe um pedaço de madeira.
Não fazia a menor tenção de seguir o conselho do pássaro, pelo que cortou os esquis segundo o método usual e foi mostrá-los a Tapio.
- Estes esquis não são para mim — voltou o sogro a dizer.
Quando Lippo, no terceiro dia, chegou mais uma vez ao bosque, deparou-se-lhe novamente o pássaro, com a sua cantilena:
Ti, ti, apesar de ser uma ave pequena, dir-te-ei qual é a forma corrente: afia um ramo apontado ao chão e cola-lhe a extremidade da frente.
Ele reflectiu então: "Está bem, procederei como dizes. Não terás cantado em vão." Pegou num ramo bem nodoso, fixou-o à ranhura estreita da parte inferior do esqui e atou a correia à extremidade da frente, após o que foi mostrar o resultado a Lippo.
- Estes, sim, são meus! — exclamou o sogro, quando os experimentou. — Agora, podes ir à tua pátria.
E acompanhou-o, dizendo:
- Irei à frente e vocês seguirão as minhas pegadas. Onde encontrarem a marca da ponta do meu bastão, deverão pernoitar. Mas constrói a tua cabana com ramos de abeto e paredes espessas, para que não entre a luz das estrelas.
Com estas palavras, Tapio empreendeu o caminho. As ramagens que tinha na parte inferior dos esquis iam produzindo marcas bem nítidas, pelo que Lippo o podia seguir, com a mulher e o filho. Quando começava a anoitecer, viram o sinal do bastão e, junto dele, um veado assado para o jantar. Construíram uma cabana de paredes espessas com folhagem de abeto, cobriram-na com um tecto muito firme e colocaram dentro o pequeno trenó com a criança, após o que se deitaram para descansar.
Na manhã seguinte, prosseguiram viagem, levando um pedaço do veado assado para o caminho. Ao anoitecer, voltaram a encontrar a marca do bastão e uma rena assada ao lado. Tornaram a construir uma cabana de paredes muito espessas com folhagem de abeto e colocaram dentro o trenó com a criança. Depois de repousarem toda a noite, reataram a marcha, até que, ao anoitecer, encontraram a terceira marca do bastão. Desta vez, havia um galo-selvagem assado para o jantar.
- A pátria não pode estar muito longe, se só nos oferecem um galo-selvagem — exclamou Lippo.
Construíram uma cabana assaz diáfana, colocaram dentro o trenó com a criança e depois deitaram-se.
Durante a noite, as nuvens dissiparam-se e a luz das estrelas incidiu neles através do tecto.
Quando acordou de manhã, Lippo não conseguiu encontrar a esposa em parte alguma. Saiu da cabana e esquadrinhou as cercanias, mas não havia o menor vestígio dos esquis de Tapio, e ficou sem saber que rumo deveria tomar, dada a ausência de qualquer rasto. Sentou-se à porta da cabana com o filho, imerso em cogitações. De súbito, passou perto um veado aos berros. À parte isto, não viu nada ao longo de todo o dia e, quando anoiteceu, reconheceu que não lhe restava qualquer alternativa senão pernoitar ali. No dia seguinte, tornou a haver um galo-selvagem diante da porta e o veado voltou a passar aos berros.
Lippo permaneceu muitos anos com o filho na cabana de ramagens de abeto. Todas as manhãs havia um galo-selvagem assado diante da entrada, e o veado aos berros também nunca faltava.
A criança cresceu e converteu-se num mancebo inteligente e sensato.
Pediu ao pai que confeccionasse um tubo longo para poderem ver se a pátria estava longe. Nos momentos de ócio, Lippo assim fez e, quando terminou, ofereceu-o ao filho. Este utilizou-o imediatamente e exclamou:
- A pátria não é nada longe! Estamos muito perto da nossa terra!
E, com efeito, quando empreenderam viagem, não tardaram a chegar.
O jovem veio a tornar-se o patriarca dos lapões. E, com isto, o conto chegou ao fim.
Francisco Azevedo nº8 8ºB
Afonso Lopes nº2 8ºB
Afonso Leite nº3 8ºB
Conto Tradicional da grécia
A Constelação das Plêiades
Era uma vez um homem que tinha seis filhos aos quais não dera nomes, como as pessoas costumam fazer, limitando-se a chamar-lhes, de acordo com a idade, Primeiro, Segundo, Terceiro, Antepenúltimo, Penúltimo e Último.
Quando o Primeiro completou dezoito anos e o Último doze, o pai mandou todos percorrer mundo, para que aprendessem um ofício. Eles puseram-se a caminho e, durante algum tempo, seguiram juntos, mas não tardaram a chegar a uma dupla encruzilhada, da qual partiam seis caminhos diferentes.
Todos se tinham apaixonado por ela e cada um podia afirmar que, sem a sua intervenção, nunca se salvaria. O rei viu-se então perante um grande dilema, por não saber a qual devia entregar a filha. E ela achava-se em idênticos apuros, já que não conseguia determinar qual amava mais.
Deus, contudo, não quis que houvesse divergências contundentes entre eles, pelo que fez com que os seis irmãos e a princesa morressem na mesma noite. Depois, distribuiu os sete pelos céus, convertidos em estrelas, que são as que agora conhecemos por Plêiades. A mais brilhante é a princesa e a menos visível o pequeno ladrão.
Beatriz Freitas nº5 8ºB
Gabriela Amorim nº9 8ºB
África
Conto Tradicional de Cabo Verde
Os rapazes, o velho e o burro
Era uma vez, um homem que tinha três filhos e moravam no cume de uma serra.
Certo dia, o pai morreu e os três rapazes ficaram sem saber para onde ir.
Do alto da serra os rapazes viram as festas de São João, que acontecem todos os anos na região, onde todos faziam uma fogueira e saltavam três vezes dizendo: “Sarna no lume e saúde no corpo!”
Quando os rapazes viram aquilo em todas as casas, disseram entre si: Vamos até lá!
Fizeram três feixes de lenha e levaram com eles.
As pessoas da aldeia ficaram encantadas com a presença deles, abraçaram-nos, deram-lhes de comer e de beber.
Quando os rapazes iam se retirar, as pessoas perguntaram:
- Já se vão embora, e não dão uma festa?
Os rapazes responderam:
- Vamos dar sim senhor! E garantimos que arranjamos os ingredientes para festa mesmo sem dinheiro para comprar!
Um deles disse:
- Eu dou o grogue!
O outro disse:
- Eu arranjo a carne!
E o terceiro disse:
- Eu arranjo a mandioca!
E assim, eles comprometeram-se a dar a festa.
Isto se passou no tempo do finado João Henrique, um antigo comerciante que residia na cidade de São Filipe, na ilha do Fogo.
O que se comprometeu com o grogue, agarrou no garrafão, lavou-o muito bem, encheu com água do mar, foi à porta do tal comerciante e disse:
- O Senhor tem grogue aí?
O comerciante foi buscar um garrafão cheio de grogue e pousou ao lado do garrafão cheio de água.
O rapaz destapou-o, cheirou-o e disse ao comerciante:
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