

ÍNDICE
Considerações Iniciais ................................................................................................. 3
1. Projetos de trabalho: Uma mudança possível....................................................... 4
1.1 Um ponto de partida .............................................................................................. 8
2. A avaliação como parte do processo dos projetos de trabalho .........................11
2.1 De onde partimos...................................................................................................12
3. Projeto de pesquisa como exemplo, não como pauta a seguir..........................17
3.1 Projetos de Trabalho e a Aprendizagem .............................................................18
3.2 Maneiras de Organizar os Conhecimentos Escolares .......................................19
4. Projetos: Modalidade de articulação dos conhecimentos escolares.................23
4.1 Função dos Projetos e Escolha do Tema Gerador...............................................24
4.2 O papel do professor .............................................................................................25
4.3 O conhecimento integrador e libertador............................................................26
4.4 Projetos de Trabalho "ressignificando" a escola................................................27
4.5 Inserção de Projetos de Trabalho nas Escolas....................................................28
Considerações Finais...................................................................................................29
Referências ..................................................................................................................30
Considerações Iniciais
Com base nas leituras realizadas, e nos encontros síncronos, pode-se perceber que é possível que haja mudanças significativas na educação. As práticas e a organização das escolas não é algo natural, e sim, resultado da construção social e cultural, realizada por sujeitos de uma determinada sociedade.
Os projetos de trabalho são uma oportunidade de mudanças e rompimentos desses paradigmas, transformando o espaço tempo da escola e da educação. Sendo assim os projetos de trabalho tem a função de nortear a prática didático-pedagógica.
Como ponto de referência para a elaboração deste E-book, utilizou-se as obras do escritor Fernando Hernández, educador espanhol.
1 Projetos de trabalho: Uma mudança possível
A escola que vivemos hoje reproduz inovações construídas há décadas passadas, fazendo com que as mudanças ocorridas na sociedade e na vida cotidiana de crianças e adolescentes não fossem acompanhadas pela escola, principalmente pelo fazer pedagógico do professor.
Concomitante a isso, pode-se observar a imagem a seguir, da qual retrata a escola, ontem e hoje, com organização tempo-espaço semelhantes e, questiona como será o amanhã. Além do organização apresentada, percebe-se que o trabalho pedagógico e metodológico, não diferem do passado para a atualidade.
Fig. 1 Sobre a Escola 2
Fonte: Pinterest.com
Contudo, mudar parece ser impossível em se tratando de escola, de educação, é como se tudo ali fosse natural e, não uma construção social. E, essa estrutura que perdura por década levam a alguns questionamentos, tais como, qual é a intenção de se manter a escola no mesmo formato por tanto tempo? Que interesses são contemplados, com tal organização?

Como salienta Fernandes ( 1998, p. 61) os projetos de trabalho não são "[...] a mudança na educação, nem a solução para os problemas da instituição escolar, nem, muito menos do que a sociedade leva a escola". Contudo, são possibilidades que se tem para repensar a escola e a práxis docente. Pois, a escola que temos hoje não é algo natural, mas sim uma construção social, passiva de transformação.
Os projetos de trabalho permitem uma maior aproximação entre professor e aluno, não se restringe em ensinar uma lista de conteúdos. Aprender não está relacionado com instrumentalizar. Pensar o contexto escolar através de projetos possibilita repensar o espaço e o tempo da escola, levando assim para uma reorganização curricular. Isto é, um "[...] currículo que não seja uma representação do conhecimento fragmentada, distanciada dos problemas que os alunos vivem e necessita responder em suas vidas, mas, sim, solução de continuidade". (FERNANDEZ, 1998, p. 61)
É possível visualizar um outro tipo de escola, que leva em conta o entorno em que os estudantes se encontram, seus saberes, suas experiências, como também é imprescindível a escola conversar com o que acontece para além de seus muros.
Partindo deste pressuposto, é sabido que as transformações no contexto da escola são complexas tanto por " [...] pressões internas e, sobretudo, externas, as potenciais inovações ficam presas na teia das modas". (FERNANDEZ, 1998 p. 61)
Seguindo este viés, mesmo com a complexidade, as pressões sofridas é preciso que haja um ponto de partida para que a mudança na escola aconteça. Não se pode naturalizar o que de fato é uma construção social e a escola como também a práxis do professor são construções feitas por determinadas sociedades, sendo assim, a transformação é possível.
1.1 Um ponto de partida
Para que aconteçam mudanças na escola é preciso recriar, reconhecer e modificar as condições de trabalho dos professores, para isso a escola como um todo precisa modificar seu espaço e seu tempo. Trazer mudanças para escola não é algo que acontece de fora para dentro, inovações devem ser promovida pelos próprios professores, do contrário, acabam não acontecendo.
Através dos meios midiáticos, percebe-se a grande influência de empresários e/ou políticos, sim porque por muitas vezes a educação é atravessada por pessoas de outros setores da sociedade, sem formação ou até mesmo conhecimento sobre a educação, de que nada é novo em educação e de que tudo já foi dito. Esta é uma fala que procura manter o status quo, de uma parcela dominante e hegemônica da sociedade, pois sabemos que a educação ainda atua de acordo com décadas passadas.
Segundo Fernandez (1998, p. 13) ao citar McClintock "[...] a educação escolar necessita ser repensada, porque as reproduções, os valores sociais e os saberes disciplinares estão mudando, e a Escola que hoje temos responde em boa medida a problemas e necessidades do século XIX, assim como as alternativas que se oferecem tem suas raízes no século XVII". Como está escrito no decorrer do texto, os projetos de trabalho não são as soluções para resolver os problemas da Educação, mas é outra possibilidade que se tem para trabalhar na escola a educação.
Deste modo, os Projetos de trabalhos são ponto de partida para que possamos ensinar nossos alunos a estabelecer relações entre o que aprendem em sala de aula com o contexto em que vivem. Não serão, alunos, que precisarão repetir listas de conteúdos, aquilo que Freire chamou de consciência bancária. Serão, alunos ativos perante sua aprendizagem, porque se aprende perguntando, questionando e buscando, numa eterna relação entre o equilíbrio e o desequilíbrio.
Ainda, Projetos de trabalho são o ponto de partida, mas não a salvação da educação, porquê para alguns professores pode não fazer sentido, não fazer parte de sua trajetória enquanto professor. Se não há sentido, o professor não irá desenvolvê-lo na prática de maneira eficaz e significativa. Trabalhar no contexto da sala de aula com Projetos de trabalho é saber que não há um método, uma receita a seguir, pois cada um traça o seu caminho, por isso não é fácil desenvolvê-lo, exige-se do professor estudo e pesquisa.
2. A avaliação como parte do processo dos
projetos de trabalho
Avaliação é um dos temas nos quais se aprecia com mais clareza o sentido da inovação educativa que implicam os projetos de trabalho. Se uma das finalidades dos projetos é promover formas de aprendizagem que questionem a ideia de verdade única, ao colocar os alunos diante de diferentes interpretações dos fenômenos está-se questionando plenamente a visão da avaliação baseada na consideração da realidade como algo objetivo e estável.
O papel da avaliação passa a fazer parte do próprio processo de aprendizagem, não sendo a resposta única que o docente define, a avaliação devera possibilitar reconstrução. " O papel do professor consistirá em organizar, com um critério de complexidade, as evidências nas quais se reflita o aprendizado dos alunos, não como um ato de controle, mas sim de construção de conhecimento compartilhado"(HERNÁNDEZ, 1998, p.93).
Fig. 2 Menina
Fonte: Pinterest.com


2.1 De onde partimos
A finalidade da avaliação era proporcionar uma visão retrospectiva sobre a aprendizagem do aluno e medir o aprendido antes de adentrar em series posteriores.
Partindo de uma perspectiva ampla entende se por avaliação de um conjunto de ações encaminhadas para recolher uma serie de dados em torno de uma pessoa, fato, situação ou fenômeno com o fim de emitir um juízo sobre o mesmo (Hernández e Sancho,1993).
Recapitulação e seleção social, a avaliação permite, por um lado que se obtenham evidencias sobre o que o individuo recorda ou compreende da informação que foi apresentada ou estudada em sala de aula, por outro lado, a avaliação esta vinculada a promoção dos estudantes.
Fig. 3. Nuvem de Palavras
Fonte: https://ospyciu.wordpress.com/avaliac3a7c3a3o-nuvem-de-palavras-2/
Existem três momentos avaliatórios presentes nos projetos de trabalho, não como uma formula, mas sim como forma de dialogo do professor com o conhecimento que os alunos vão construindo, e como evidencia publica que lhes permite aprender uns dos outros.
Na avaliação inicial, pretende –se detectar os conhecimentos que os estudantes já possuem quando começa o curso ou estudo de um tema. Com ela os professores podem posicionar-se diante do grupo para planejar melhor seu processo de ensino. As expectativas posteriores dos professores, pois lhes leva a rotular as possibilidades dos alunos de aprender.
A avaliação formativa, é a que se supõe que deveria estar na base de todo o processo de avaliação. Sua finalidade não é a de controlar e qualificar os estudantes, mas, sim ajuda-los a progredir o caminho do conhecimento, a partir do ensino que se mistura e das formas de trabalho utilizadas em sala de aula.
A avaliação recapitulativa, oportuna, se apresenta como um processo de síntese de um tema, um curso ou nível educativo, sendo o momento que permite reconhecer se os estudantes alcançaram os resultados esperados.
Com a avaliação, o que se pretende é estimular a capacidade de pesquisa, parece adequado que os estudantes possam aplicar os conhecimentos que aprenderam para situações reais e de simulação, e não responder apenas a enunciados verbais, visuais ou numéricos de caráter reprodutivo. Mais do que medir, avaliar implica entender, interpretar e avaliar.
Fig.4. Sala de aula
Fonte: https://unisecal.edu.br/blog/quais-as-possibilidades-de-atuacao-do-licenciado-em-pedagogia/

As mudanças nas concepções sobre o ensino e a aprendizagem, aparece uma serie de visões sobre a avaliação, como o portfólio, os quais vinculamos os projetos de trabalho.
O portfólio vem sendo utilizado como reconstrução do processo de aprendizagem nos projetos de trabalho, o portfólio é uma modalidade de avaliação devedora do campo da arte.
Fig.5. Menino pensando na sala de aula
Fonte: https://pt.dreamstime.com/menino-pensando

Na vida cotidiana, são os artistas que estão interessados em ingressar numa escola, ou em competir para obter um premio ou uma exposição numa galeria os que montam as pastas ( os portfólios) com maior frequência. Constituídas assim, são coleções dos produtos acabados. Em troca nossas pastas (portfólios) estão deliberadamente pensadas para serem recordações de “obras em processo”. Gardner(1994,pp.83-84).
Fig.6 Portfólio
Fonte: https://blog.welancer.com/como-fazer-um-portfolio/

3. PROJETO DE PESQUISA COMO EXEMPLO, NÃO COMO PAUTA A SEGUIR
Existem inúmeros projetos com diferentes temas, os quais resultaram em um grande sucesso escolar. O tema abordado, o passo a passo bem organizado, tudo de maneira a nos animar em aplicar em nossa turma, porém, Hernández salienta: " Há de ser o leitor se encontrar alguma utilidade ou inspiração nesses exemplos, quem irá fazer seu próprio caminho e sua adaptação". (1998, p.104).
Mesmo depois de elaborar e organizar o projeto, o professor precisa ter em mente que o mesmo não servirá como um roteiro a ser seguido, pois haverá dúvidas e questionamentos por parte dos alunos que ditarão o próximo passo do projeto.
Segundo o autor, "A ordenação ou sequenciamento dos conteúdos não se articula como um sistema especializado no qual o professor deva prever todas as decisões antes de realizar a tarefa de ensinar." (HERNÁNDEZ, 1998, p.106). Compreende-se que o professor utilizará o que já elaborou do seu projeto como um roteiro, o qual sofrerá intervenção dos alunos e até mesmo do professor.
3.1 Projetos de Trabalho e a Aprendizagem
"[...]que a aprendizagem se conceba como uma produção ativa (não passiva) de significados em relação aos conhecimentos sociais e à própria bagagem do aprendiz." (HERNÁNDEZ, 1998, p. 105).
Segundo essa linha de pensamento, a aprendizagem está vinculada a compreensão de mundo, através das questões que são relevantes para sua dos estudantes. E essa aprendizagem não pode ser medida ou comparada à aprendizagem de outro aluno. Assim o alvo do ensino está no processo e não nos resultados. Pois cada um traz sua maneira singular de compreensão e interpretação da realidade. No final do processo, espera-se que o aluno consiga estabelecer relações com as informações adquiridas com seu conhecimento-base e realizar transferências que lhe possibilitem continuar aprendendo.
3.2 Maneiras de Organizar os Conhecimentos Escolares
Por Centros de Interesses:
. Aprendizagem por descoberta
. Temas: As ciências Naturais e Sociais
. A escolha dos temas se dá por meio de votação majoritária
. O professor é o especialista
. O sentido da globalização é o somatório de matérias
. Currículos por disciplinas
. Os alunos são executores
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