Durante vários meses, escrevemos e pesquisamos muito sobre lusofonia, publicámos trabalhos, partilhámos experiências, trabalhámos de forma colaborativa!
E cá está o nosso produto final: um e-conto!

Júlia é uma rapariga simpática, inteligente, bonita, uma das mais populares da sua escola. Sempre teve uma vida feliz, junto da sua família.
No dia em que fez 18 anos, os seus pais decidiram, de forma inesperada, revelar-lhe que, na verdade, não eram os seus pais biológicos. Júlia ficou, então, a saber que fora adotada em 2005, no Brasil, com apenas duas semanas de vida.
Nesse ano, os seus pais adotivos tinham ido passar o carnaval ao Rio de Janeiro e tiveram conhecimento de uma família que, não tendo condições para criar a bebé recém-nascida, tinham decidido dá-la para adoção. O casal português não hesitou em trazer a menina para Portugal e criá-la como sua filha.
Naquele momento, Júlia ficou devastada, pois não conseguia entender por que razão os seus pais lhe tinham escondido a verdade em relação às suas raízes. Um tanto ou quanto transtornada, revoltada, com um turbilhão de ideias que não a deixavam ser racional, saiu de casa e correu para o mais longe que conseguiu. Quando se acalmou, ficou assustadíssima, pois encontrava-se sozinha, junto a um cais abandonado, o sol já desaparecera e não havia iluminação. Pensou em fazer o caminho de regresso a casa, porém … tarde de mais. Aterrorizada, viu-se cercada por uma matilha de cães vadios. Como resolver a situação? Se, pelo menos, os seus pais estivessem presentes, de certeza que a ajudariam como sempre fizeram.
Lamentou ter reagido de forma tão infantil, optando pelo mais fácil – fugir de casa. Porém, agora era urgente fugir dali. Mas como?
A única ideia que lhe ocorreu foi assustar aquele grupo ruidoso, usando a única coisa que tinha: o seu telemóvel: rapidamente acedeu ao Spotify, selecionou a primeira música da sua playlist e atirou o telemóvel para um monte de redes velhas, deixadas por algum pescador mais distraído e menos amigo do ambiente. Os cães, curiosos, aproximaram-se do telemóvel e ela aproveitou para entrar num velho barracão onde permaneceu escondida. Quando o perigo desapareceu, saiu do esconderijo e procurou o telemóvel. Infelizmente, não o encontrou. Ficou muito triste. Aquele telemóvel tinha sido oferecido pelos seus pais como prenda de aniversário. Há muito que Júlia sonhava com aquele modelo, mas era demasiado caro. A família tinha acabado de comprar a casa e ela sabia exatamente o sacrifício feito pelos pais para lhe darem o que ela mais queria. Era péssimo causar tantos problemas num só dia.
Tinha de encontrar uma solução. Foi então que se lembrou que, com a ajuda do seu smartwatch, conseguia localizar o telefone. Começou, nesse momento, uma corrida contra o tempo. Caminhou até ao centro da povoação à procura de uma solução, quando, de repente, o seu smartwatch indicou «aproximação do alvo». A rapariga olha, atentamente, e vê um grupo de jovens, de mochila, a dirigirem-se para a estação de comboios. Foi analisando um a um os diversos elementos do grupo. De imediato, pensou ter descoberto o larápio: um rapaz com ar atrevido e que olhava desconfiado para todos os lados como se estivesse a fugir da polícia.
- Só pode ser ele – pensou Júlia. Vou aproximar-me e pedir-lhe o meu telemóvel.
Aproximou-se. De repente, o rapaz afastou-se do grupo e dirigiu-se ao balcão de informação. Ela ouviu a conversa que se seguiu:
- Boa noite, ando em viagem com os meus colegas e temos de apanhar o comboio daqui a 15 minutos, por isso não tenho tempo para ir à esquadra.
Acontece que ao passar pelo velho cais, encontrei este telemóvel que parece ser novo. Será que o poderia entregar na esquadra?
- Cla… - começou a funcionária a responder, porém Júlia não a deixou terminar:
- Peço desculpa – quase gritou - esse telemóvel é meu e posso provar o que estou a dizer.
O que se seguiu é óbvio, não é preciso relatar. João, é este o nome do rapaz, explicou a Júlia que estava feliz por ela ter aparecido, pois já se estava a sentir muito nervoso por andar na rua com um telemóvel que não lhe pertencia.
Júlia gostou imediatamente de João e contou-lhe a sua mais recente história. O rapaz também simpatizou com ela e contou-lhe que estava a viver uma aventura muito divertida com os seus quatro amigos. Tinham decidido fazer uma espécie de interrail por algumas cidades portuguesas e convidou a rapariga a viajar com eles, pois faltava apenas visitar três cidades. Sem hesitar, Júlia aceitou o convite.
Quando refletiu sobre a decisão que tinha tomado, o comboio no qual seguiam rumo a Aveiro já estava em marcha. Paciência, não tinha outra alternativa senão continuar. Durante a viagem conheceu os diversos elementos do grupo.
Chegaram a Aveiro. Todos ficaram deslumbrados com a beleza da estação velha e os seus azulejos que relatam a cultura da região. Seguiram rumo ao centro e imediatamente foram convidados a fazer um passeio de moliceiro pela ria. Foi muito interessante ouvir as histórias que o guia contou, principalmente sobre as salinas e os marnotos. Um dos rapazes disse que lhe fazia lembrar as imagens de Veneza que ele tinha visto no livro de História da Arte. Terminada a viagem, visitaram a fábrica dos ovos moles e aproveitaram para se deliciar com esta iguaria única. Como tinham pouco dinheiro para esta aventura, eram todos estudantes,
viajavam durante a noite e aproveitavam para dormir no
comboio ou nas estações. Seguiram para a cidade do Porto.

Quando chegaram, de madrugada, à estação de São Bento, considerada uma das mais bonitas do mundo, acharam muito divertido o sotaque das vendedoras que se dirigiam para o mercado do Bolhão. Curioso e desenrascado como sempre, o João meteu conversa com uma das vendedoras:
- Bom dia! Ouvi dizer que os habitantes do Porto
são chamados de tripeiros, é verdade?
- É, sim, meu jovem. Queres saber porquê?
Segundo reza a lenda, o Infante D. Henrique
(nascido no Porto) preparava uma frota no Rio Douro para partir à conquista de Ceuta. Durante esse período, o povo portuense, incansável e prestável, doava alimentos às embarcações, ficando apenas com “os restos”, ou seja, as conhecidas “tripas”. Assim passamos a ser “os tripeiros”. O João estava pronto para continuar a conversa com esta simpática senhora, mas olhou para trás à procura do irmão mais

novo, que fazia parte do grupo, e a senhora desapareceu tão rapidamente como tinha aparecido. Na manhã seguinte, e após mais
uma viagem de comboio, Júlia encontra-se
na Guarda, a cidade mais alta do país, a qual
pertence a Serra da Estrela. Sophie, uma
estudante francesa que estava a fazer um
intercâmbio com a escola do irmão do João,
perguntou: - Serra da Estrela, porquê? Qual a origem do nome?
Ninguém sabia responder e, então, Júlia pegou no seu telemóvel e, usando um motor de busca, procurou a origem do nome e encontrou a seguinte explicação: um pastor que vivia no Vale do Mondego (a norte da Serra da Estrela), que vendo o nascimento de uma estrela de brilho intenso sobre uma serra, decidiu segui-la. Ao chegar à serra ficou fascinado com o que viu. Este pastor teria batizado o local de Serra da Estrela.

Após esclarecer a curiosidade de Sophie, Júlia sobressalta-se. O seu telemóvel! Tinha esquecido completamente a existência deste aparelho. Por causa do seu desaparecimento, encontrava-se naquele local, com um grupo de desconhecidos e tão longe de casa. De casa? Os seus pais estariam preocupadíssimos sem saber nada dela há já tanto tempo! O que lhe teria passado pela cabeça? Abandonar os pais que sempre a protegeram, que sempre a compreenderam mesmo durante as suas «crises» de adolescente!? Sentiam-se ingrata e muito triste por desapontá-los perante a primeira contrariedade.
- Jú…Júl .. Júlia!
- Mãe! Pai! Estão aqui! – tentou articular Júlia sem perceber bem o que se estava a passar … o comboio, as viagens, o grupo de colegas, o telemóvel….Afinal, o que se estava a passar?
Reparando na sua agitação, o pai explicou:
- Viemos ver se estavas bem, pois depois de te contarmos sobre a tua adoção e o teu início de vida, tu vieste para o teu quarto, dizendo que não querias falar connosco. Como já passaram três horas, estávamos preocupados e decidimos vir ter contigo. Quando entrámos, estavas a dormir agarrada ao teu telemóvel.
- Minha querida Júlia, assim que te vimos apaixonámo-nos imediatamente por ti! Foi amor à primeira vista! – exclamou a mãe, com as lágrimas a correrem pelas faces.
Ainda assim, Júlia sentiu uma enorme vontade de conhecer as suas raízes. Então, apoiada financeira e psicologicamente pelos seus pais adotivos, viajou para o Brasil, tendo como única informação o nome e a morada da agência onde fora adotada. Chegou ao Rio de Janeiro, no dia 20 de março de 2023 e, entusiasmada, dirigiu-se, de imediato, à instituição.
Júlia chegou no Rio de Janeiro, no dia 20 de março, cansada pela longa viagem e o fuso horário. Como sempre viveu em Portugal com os seus pais adotivos, tudo o que ela descobria era diferente do que ela estava acostumada a ver. Por conta disso, ela ficou com curiosidade em conhecer uma nova cultura tão rica. Empolgada com todas essas novidades, Júlia perdeu a noção do tempo e passou a metade do seu dia explorando, a cada segundo, mais desta cultura.
Testa os teus conhecimentos sobre o Brasil:
Quando olhou para o relógio, ela foi diretamente comer em um bar onde entrou cheia de fome e a ansiar para provar as especialidades locais.

Ao entrar, estranhou o uso de um cartão de consumo para encomendar a comida. Lá experimentou pão de queijo e, como sobremesa, dois brigadeiros. Nessa noite, nesse bar, Júlia aprendeu a dançar o samba. Na verdade, Júlia era uma moça muito bonita, não faltavam voluntários para lhe ensinar a sambar! Passou uma noite divertida e incrível a bailar.
Descobre o samba:
Voltou ao hotel para dormir. Precisava de descansar. De manhã, ela decidiu ir ver a agência onde foi adotada. Quando chegou ao endereço que lhe tinha sido dado, olhou para o prédio com muita emoção só de imaginar que tinha sido lá abandonada.

Decidiu entrar, subiu as escadas. Quando chegou à receção, uma mulher estava sentada à frente de um computador e falou:
- Oi, bom dia, como a posso ajudar, moça?
- Bom dia, em 2005, fui adotada aqui, nesta instituição, e gostaria de saber se, por acaso, a senhora conhece os meus pais biológicos ou se posso ter acesso aos arquivos?
- Pode, sim senhora. Qual é seu nome para eu ver nos arquivos se ainda tem o seu? Tem algum documento que comprove a sua identidade?
- Tenho, sim. Chamo-me Júlia da Silva, sou portuguesa, mas nasci aqui. Os meus pais são brasileiros.
- Então espere um momento, por favor, já volto.
A mulher saiu do balcão, foi para a sala dos arquivos e, depois de vinte minutos, volta e fala:
- Depois de ter procurado nos arquivos, a única informação que temos dos seus pais é o nome deles. Infelizmente, não temos a morada para vos dar. Os nomes deles são Elena e Diogo. Agora, eu dou por conselho ir ao consulado do Brasil para ter mais informações.
Júlia saiu do centro de adoção e pegou um táxi até o hotel. Entrando dentro do carro, percebeu que o homem estava ouvindo Luiz Gonzaga.
No hotel, encomendou pasteis de frango com catupiry, tapioca, caldo de cana e beijinho. A seguir, foi dar uma volta pelo centro do Rio: visitou o Cristo Redentor para onde se deslocou de bondinho. Finalmente, foi ao consulado e, felizmente, os arquivos eram acessíveis ao público.

Júlia recuperou as informações e soube aí que os seus pais já não viviam no Brasil, mas em África.
Depois deste dia repleto de novas informações, Júlia estava cheia de sono. Mas, decidiu ir jantar num restaurante perto do seu hotel. Lá, sentou-se e quando ia encomendar a sua comida, o garçom parecia espantado quando olhou para a cara de Júlia. Ela ficou preocupada:
- Com licença, está bem?
- Sim, desculpe. É que uma mulher trabalhava aqui, mas ela decidiu ir para África, e então foi embora. Essa senhora é parecidíssima consigo: chama-se Elena.
- Estou à procura dela, é minha mãe biológica. Sabe onde ela mora?
- A sua mãe e o seu pai voltaram para a Guiné-Bissau, a terra natal deles.
Com os olhos cheios de lágrimas, Júlia ouve uma música nostálgica que lhe lembra a infância.


Infelizmente, apenas ficou a saber que mal a tinham entregado para adoção, os seus pais regressaram à sua terra natal, a Guiné-Bissau, em África, tão longe do Brasil…
Curiosa em conhecer melhor as suas origens, Júlia decidiu familiarizar-se com a cultura africana, passando primeiro pelas ilhas de Cabo Verde e de São Tomé e Príncipe, antes de aterrar na Guiné.
Em Cabo Verde, ficou hospedada três dias na cidade da Praia, onde assistiu a alguns consertos de Morna, o género musical da cantora Cesária Évora, que os seus pais adotivos adoravam, entre outras descobertas.
Naquela noite, a Júlia foi a primeira a chegar ao recinto. Sentou-se na fila da frente, para ouvir e ver melhor a cantora Cesária Évora. No final, nos bastidores, pediu-lhe um autógrafo, pois adorara o espetáculo e ficara apaixonada pela Morna! Quando chegou ao hotel onde estava hospedada, na Cidade da Praia, lembrou-se de ligar aos seus pais adotivos, para lhes contar como correra o concerto. Foi então que reparou que não tinha o seu telemóvel! Tinha-o perdido ou tinham-no roubado, o certo é que ficou desesperada, pois não poderia contactar a sua família.
Decidiu regressar ao pavilhão, onde tinha decorrido o concerto. Apanhou um táxi e chegou lá muito rápido, mas o pavilhão já estava encerrado. Júlia desatou a chorar. Estava numa cidade onde não conhecia ninguém e nem sequer sabia onde se dirigir, para a ajudarem a procurar o telemóvel ou para reportar o seu desaparecimento.

Aliás, nem sequer tinha telemóvel para ligar a quem quer que seja. Ainda por cima, tinha, no telemóvel, toda a sua vida: aplicação bancária, códigos pessoais, fotografias e os seus contactos.
Felizmente, o taxista ainda não tinha ido embora e não ficou indiferente à aflição de Júlia, oferecendo-se de imediato para a ajudar. Telefonou para um número de telemóvel que estava indicado na porta do pavilhão. Era o número de telefone da equipa de segurança que, de imediato, se deslocou ao local, para ajudar a Júlia a procurar o telemóvel que, afinal, estava no banco onde ela se sentara.
Júlia ficou tão feliz e grata que convidou o jovem taxista, para tomar um café. O rapaz chamava-se José e era muito simpático. Neste café, também estava lá um cliente idoso, que tinha uma mochila ao seu lado. Começaram os três a falar. O velhinho chamava-se Manuel e era um antigo pescador.
Começou-lhes a falar de um conto de Cabo Verde.
- Conhecem “O conto de Blimundo”?
- Não mas estamos curiosos por conhecer, Será que nos o pode contar?
- Claro que sim! Teria muito gosto. Então começa assim: “Havia um boi chamado Blimundo. Era grande, forte e amante da vida e da liberdade. Além disso, era muito amado e respeitado por todos, pois sabia pensar por si próprio, além de ser muito gentil com todos. Ao saber da existência dessa criatura tão autêntica, o Rei perguntou-se que boi seria aquele, que ousava ser tão livre em seus posicionamentos e fazendo com que os outros bois lhe seguissem o exemplo. Se ele continuasse assim, quem faria depois o trabalho pesado do reino? Ordenou, então, que Blimundo fosse capturado morto ou vivo, e trazido até a sua presença. Os homens do Rei saíram em busca do boi, mas este encontrou-os primeiro e matou-os. Ao saber da notícia, o Senhor Rei reuniu os homens mais valentes do reino e mandou-os capturar Blimundo, e os homens partiram.
O boi, novamente, deu cabo dos homens. Quando recebeu aquela triste notícia, o Senhor Rei desesperou-se, mas logo ouviu falar de um rapaz que foi criado no borralho da cinza e que se prontifica a ir buscar Blimundo. O menino pediu um cavaquinho, um “bli” d’água e uma bolsa de “prentém”. Além disso, quando retornasse queria a metade da riqueza do reino e a mão da princesa. O Senhor Rei concordou e o jovem partiu. Então o jovem saiu em busca do boi cantando uma canção que deixou Blimundo encantado, na qual o jovem dizia que, se Blimundo fosse com ele, casaria com a Vaquinha da Praia. O boi perguntou se era verdade, o rapaz respondeu que sim. O jovem pediu a Blimundo que o deixasse montar, pois o caminho era muito comprido. Ele deixou com a condição de que o rapaz continuasse cantando. O Senhor Rei colocou a tropa em pontos estratégicos, para receber Blimundo. Ao ver o boi chegar, carregando o rapaz, cansado e feliz, o Senhor Rei não acreditou.
À porta do palácio, o rapaz pediu para descer do lombo de Blimundo, a fim de fazer a barba antes de ser apresentado à Vaquinha da Praia. O jovem contou o seu plano ao Senhor Rei e levou o boi a um barbeiro com seus materiais de trabalho. Atrás deles, seguiu o Senhor Rei. O barbeiro, enquanto Blimundo sonhava com o amor da Vaquinha da Praia, cortou-lhe a garganta com uma navalha afiada. Antes de morrer, o boi atingiu o rei com uma patada que o matou. O rapaz e o barbeiro fugiram, mas jamais esqueceram o último olhar de revolta de uma criatura cujo único erro fora acreditar na harmonia, na justiça e na liberdade.” E esta foi a história do Blimundo! Gostaram do conto?
-Sim! Mas tenho pena do boi, por ele ter sido morto injustamente...
-Não fiques assim, é só um conto, Júlia.
-Não fique assim, menina, Cabo Verde é um dos países mas magníficos que eu
conheço, tem praias esplendorosas cuja a água é quentinha e cristalina.
- Qual é a sua praia favorita?
- A praia de que eu mais gosto é Santa Maria, na Ilha do Sal, porém a que os habitantes mais visitam é a do Olho Azul. Mas, calma, o país não tem só praias, tem também vários locais para visitar. Como por exemplo: o farol de Maia Pia, a Cruz de papa, a prisão de Terrafal e também a Rua Banana. Na cultura de Cabo Verde destaca-se também a língua: a língua oficial Portuguesa, usada nas escolas, nas empresas e nas publicações e a língua nacional de Cabo Verde, o crioulo Cabo-verdiano.
- E quais são as roupas mais usadas nas festas?
- Bem, a roupa mais usada em Cabo Verde é o Pano di terra. O pano di terra ficou famoso em Cabo Verde, pois quando os escravos eram trazidos de outros países africanos para as ilhas, utilizavam teares rudimentares para fazer roupa, como o “pano di terra”. Ao longo do tempo tornou-se uma peça de roupa comum
que estava presente em todos os momentos importantes da vida dos Cabo-verdianos: desde do nascimento, dos casamentos e até aos funerais, o uso do pano di terra era obrigatório.
Sabes, Júlia, Cabo Verde é um arquipélago calmo e a maioria dos habitantes são muito simpáticos. Ah! E há outra coisa! Se quiseres ir a um centro comercial, pagas ainda com o escudo.
- Como é que me posso deslocar em Cabo Verde, além da utilização do barco?
- Podes voar entre as principais ilhas de Cabo Verde, opção que não é muito barata mas é prática. A companhia que opera estes voos em Cabo Verde é a BINTER.
- Meu Deus! Que país tão maravilhoso! Obrigada por nos dares a conhecer melhor este arquipélago.
Esta última noite da Júlia em Cabo Verde fora incrível!
Durante o voo para São Tomé e Príncipe, relembrou os bons momentos passados em Cabo Verde…
A beleza da cidade da Praia...
O concerto de Cesária Évora...


Após esta curta estadia, seguiu para São Tomé e Príncipe, mais precisamente para a cidade de São Tomé, onde visitou a Sé Catedral de Nossa Senhora da Graça, entre outros locais, e teve a oportunidade de degustar alguns pratos tradicionais no restaurante Celvas, um dos mais conhecidos da zona. Os dias passados nestas ilhas permitiram-lhe fazer uma imersão na cultura africana e refletir sobre a sua identidade e o seu futuro, antes de se encontrar com a sua família biológica.
Quando o avião aterrou, a rapariga dirigiu-se ao aeroporto e sem querer foi contra um rapaz que derrubou os seus pertences. Sem hesitar, Tomé ajudou-a a apanhar as coisas e foi aí que começaram a conversar. Tomé contou-lhe que vinha de Portugal, onde trabalhava, para São Tomé e Príncipe, que era a sua terra Natal.



Depois desse acontecimento constrangedor, o rapaz convidou Júlia para jantar no seu restaurante preferido. Assim que chegaram ao
restaurante Celvas, não hesitaram em pedir
Calulu e Blabla que a rapariga adorou!
Como Júlia não tinha onde ficar, o rapaz levou-a para a sua casa onde descansou. No dia seguinte, cheios de energia, Tomé foi apresentar a cidade e os monumentos a Júlia. Estavam em São Tomé; observaram a Sé Catedral e viram um grupo de turistas com um guia. Cheios de curiosidade, aproximaram-se mais um pouco para ouvir melhor.



Quando começaram a prestar atenção as palavras do guia, perceberam que ele estava a contar a história de São Tomé e Príncipe às pessoas. Um dos turistas perguntou:
- Mas então, qual é a origem dos nomes da região.
- De uma forma que poderá parecer inesperada, são muito pequenas e rápidas as explicações por detrás de cada um dos dois nomes. Em
relação à Ilha de São Tomé, o seu nome deve-se à data em que foi descoberta pelos portugueses, 21 de dezembro de 1470, dia que está associado ao santo em particular. Na altura, a ilha estava vazia de qualquer ocupação humana, pelo que, para quem estiver curioso, nem faria sentido per-guntar-se qual o seu nome entre os nativos.
- Muito interessante! Pode contar-nos um pouco mais sobre isso?
- A segunda ilha, bem mais pequena que a primeira, foi descoberta a 17 de janeiro de 1471, no Dia de Santo Antão. Ou seja, aparentemente havia uma política portuguesa horizontal de dar às ilhas recém-descobertas o nome do santo associado ao dia da sua descoberta. Mas, se assim o era, porque tem essa segunda ilha hoje um outro nome? Bem, diz-nos a história que algum tempo depois, quando o único herdeiro do Rei D. João II nasceu, o rei ficou tão feliz com a ocorrência que mudou o nome da Ilha de Santo Antão para o seu atual, dedicando-a assim ao seu amado filho e príncipe. coisas sobre a região e sobre o mundo.
Mas os pensamentos da jovem logo foram interrompidos por Tomé, que a alertava que se não fossem ver o próximo monumento naquele momento, não haveria tempo para ver todos com calma. Logo se digiram ao Forte de S. Sebastião e a seguir ao Marco do Equador. Procuraram também atrações naturais como a Cascata de S. Nicolau, a Boca do Inferno, o Pico Cão Grande, um grande pico montanhoso e a Praia Banana.





Apesar disto tudo, Júlia ainda procurava os seus pais biológicos e então tinha de se apressar. A rapariga agradeceu a Tomé por esta incrível jornada. Quando lhe disse que procurava os seus pais, este prometeu-lhe que se soubesse de alguma informação ou pista, a contactava. Partiu desta bela ilha com o coração cheio e segura de ter feito uma bela amizade.


Chegou a Bissau, capital da Guiné, e dirigiu-se à Embaixada de Portugal, para onde já tinha sido enviada toda a informação sobre os seus pais biológicos. Júlia foi informada de que a sua família paterna residia a poucos metros dali. Uma ótima notícia! Infelizmente, mais uma vez, o destino estava a pregar-lhe uma partida: os seus pais tinham viajado, há alguns anos, para Moçambique, onde vivia a sua família materna.
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