Ao senhor João Santos, diretor do Museu de Santa Maria, à artesã Aida Bairos, à presidente da Cooperativa de Artesanato de Santa Maria, Eduarda Costa, à senhora Almerinda Bairos e a todas as pessoas que contribuíram para a elaboração deste livro, os nossos sinceros agradecimentos.
Mª Fátima Teixeira e Vera Massa
Santa Maria, 2017


GASTRONOMIA
PRINCIPAIS PRATOS
Sopas do Espírito Santo ou Sopas do Império
Sopa de peixe
Caldo de nabos
Bolo na panela
Sopas do Espírito Santo ou
Sopas do Império
Estas sopas são servidas nas festas em honra do Espírito Santo. Trata-se de uma sopa de pão caseiro que depois é recoberta com água de cozer carnes e carne de vaca. Depois de cozinhada, é colocada dentro de sopeiras, enfeitadas em cima com hortelão e endro.

As sopas são acompanhadas de vinho de cheiro ou sumo.
São servidas nas copeiras e abertas a toda a comunidade.

Copeira de Santo Antão
Caldo de nabos

Os nabos de Santa Maria, dadas as condições geológicas do seu solo, são diferentes dos nabos vulgares e, quando transplantados para as outras ilhas, degeneram perdendo as suas características.
Do nabo de Santa Maria apenas se aproveita a cabeça, com a qual se confeciona o célebre e delicioso caldo.
DOÇARIA
Biscoitos de orelha
Biscoitos de aguardente
Biscoitos brancos
Biscoitos encanelados
Cavacas
Biscoitos de orelha

Estes biscoitos, também conhecidos por “cagarrinhos” ou “afilhados”, eram presença habitual nos lares marienses, nas ocasiões festivas, como por exemplo na matança do porco, casamentos, festividades do Espírito Santo e pelo Natal.
No Natal era tradição os padrinhos oferecerem aos afilhados um biscoito de orelha que traziam alegremente ao peito, a penderem de cordões.

O biscoito de orelha, confecionado pela Cooperativa de Artesanato de Santa Maria, foi certificado em 2014 pelo governo regional como produto da marca coletiva de origem “Artesanato dos Açores”.

RECEITAS
Sopas do Império ou do Espírito Santo
Ingredientes:
Carne de vaca
Repolho
Pão de trigo caseiro
Hortelã
Endro
Água q.b.
Sal q.b.

Preparação:
Põe-se a cozer a carne de vaca e, quando esta está a meia cozedura, adiciona-se o repolho e tempera-se de sal.
Previamente, coloca-se o pão de trigo caseiro nas sopeiras e deita-se por cima ramos de hortelã e endro.
Vaza-se o caldo fervente sobre as sopas e deixa-se abeberar, ficando assim prontas a serem servidas.
Na freguesia de Santa Bárbara, em substituição do endro e da hortelã, as sopas são polvilhadas com canela.
Biscoitos de orelha
Ingredientes:
3kg de farinha de trigo
10 ovos
1kg de açúcar
500g de banha de porco
250g de manteiga
Fermento caseiro (tipo fermento de pão)
1 pitada de sal

Preparação:
Prepara-se o fermento que pode ser de massa de pão de trigo, deve ser feito de véspera, e deixa-se a levedar bem.
Misturam-se todos os ingredientes e amassam-se até que a massa comece a criar bolhas de ar que rebentam ao virar as “folhas”.
Deixa-se levedar e, quando está lêveda, tendem-se os biscoitos de orelha com 3 cantos, cortando com uma tesoura cada uma das orelhas.
Untam-se tabuleiros com banha ou manteiga e polvilham-se de farinha, colocando ali os biscoitos que devem ir ao forno bem quente, como se fosse para cozer o pão de trigo.
Sensivelmente uma hora depois estão prontos a sair do forno.
Confeção dos biscoitos de orelha


Bolas de massa
Sovando a massa


Fazendo as tiras
Enrolando


Cortando as orelhas
Colocando os biscoitos no tabuleiro


Colocando os biscoitos no forno
Biscoitos de orelha prontos

FOLCLORE
Na ilha de Santa Maria existem dois grupos de folclore, o grupo de folclore de Almagreira e o grupo de folclore de Santo Espírito.
Grupo de folclore de Almagreira

O grupo de folclore de Almagreira foi fundado em 1990 e pertence à Casa de Povo de Almagreira.
O rancho possui cerca de quarenta elementos que se reúnem uma vez por semana para ensaiar, assumindo desse modo um papel importante na dinamização da freguesia.
O grupo mantém uma atividade relevante, tendo já no currículo diversas atuações não só em vários pontos da ilha, como noutras ilhas açorianas, e até no continente e no estrangeiro.
Grupo de folclore de Santo Espírito
O grupo de folclore da Casa do Povo de Santo Espírito foi criado em 1985.

O grupo, com quarenta e dois elementos, já efetuou numerosas atuações, tanto nas freguesias da ilha, como nas diversas ilhas dos Açores, Continente, Estados Unidos da América e Canadá.
Uma das árias que mais popularizou o grupo foi “O alfinete”.
ARTESANATO
Olaria
A olaria Mariense é quase tão antiga como a vida humana nesta ilha, porque cedo os primeiros povoadores se aperceberam da ótima qualidade da argila.
No século XVI já se extraía barro em Santa Maria para fins industriais e se fabricava louça vermelha.
Em tempos, existiram doze fornos de cal, doze fornos de telha e quatro tendas de oleiros.


Vestígios de um forno ainda existente na "Rua dos Oleiros".
Muitas foram as peças de barro saídas das mãos hábeis dos oleiros marienses:
potes;
alguidares;
tigelas;
pratos;
púcaros;
jarros;
talhões.


Alguidar
Jarro
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