Esta é a 2.ª parte da história do "Marujinho", escrita por Cristina Pinto.Ilustração Emília Morais.
This book was created and published on StoryJumper™
©2015 StoryJumper, Inc. All rights reserved.
Publish your own children's book:
www.storyjumper.com


Compenetrado na sua tarefa ortográfica,
ao contornar a primeira letra, e como
fazia muita pressão sobre o lápis, fez
o seu ‘‘M’’ manuscrito, associando-o às ondas
que a sua professora Maria Lúcia ensinara.
Começou a idealizar que o Mar poderia ser
uma montanha onde pudesse descer e subir
sempre que lhe apetecesse como o alpinista
faz. Bem equipado e contra todas as
intempéries imaginava que subia a montanha
mais alta do mundo.
Também ouvira falar que as ondas do mar
traziam espuma e ficou a pensar: ‘‘Será que
a minha mãe vai buscar ao mar espuma?’’
Pois, sempre que vira a mãe a lavar a roupa
no tanque, naquele recipiente que se enchia
com muita água, a roupa parecia que se
espumava toda, libertando um aroma
perfumado.
De seguida, quando contornou a segunda
letra, o ‘‘A’’, lembrou-se da quantidade de
água salgada que o mar possui, que sua mãe
lhe falara, e que o mesmo percorria milhas e
milhas e, mais uma vez, ficou a matutar:
‘‘De onde virá tanta água? Será preciso chover
para que o mar nunca seque?’’; ‘‘Será que
São Pedro, por se sentir tão só, num
lugar que ninguém o vê, enche o mar, pois chora inúmeras vezes como o
bebé-chorão?
Por fim, contornou a sua última letra, o ‘‘R’’ e pensou nas rochas. Tal
como as rochas talvez o mar seja duro e forte. E, de repente, sem se
aperceber, adormeceu sobre a sua folha de papel e sonhou que
ondeava na sua palavra predileta: MAR.
Tivera um sonho azul e a cor azul abrilhantava o seu sonho a mar. E
associava o azul ao céu, algo que ninguém podia tocar, ou
simplesmente abraçar, por ser imenso. Pois, imenso como o mar.
Seu avô, nos tempos que já l á vão, fora mestre e ensinara, a
muitos jovens audazes e vigorosos, a arte de pescar. E todas as
noites contava ao seu netinho as suas odisseias…
Escutando o marulhar das palavras do seu avô Mariano, Marujinho
adormecia e sonhava com o mar. E sonhava que os lençóis que sua
mãe aconchegava ao seu corpo eram os lençóis de espuma do mar
que o abraçavam e que o embalavam.
Adormecia, ouvindo as histórias do mar. E sonhava que nele
navegava…
O tempo foi passando… Marujinho foi crescendo. Se tudo corresse
bem, aquele seria o seu último ano naquela escolinha primária. Estava
no seu quarto ano de escolaridade.
Um dia, numa aula de Estudo do Meio, a professora Maria Lúcia
abordou a época dos descobrimentos e falou da heroicidade dos
nossos navegadores portugueses que foram uns valentes
marinheiros, em busca do desconhecido, de novas culturas, de novos
horizontes. Então, para avaliação, a professora sugeriu que os
meninos e meninas realizassem um trabalho de pesquisa sobre um
dos navegadores portugueses que, outrora, enfrentara o mar
tenebroso. Falou, também, do Padrão dos Descobrimentos, localizado em
Lisboa, onde todos os navegadores céleres veneram o rio.
Certo dia, chegou o momento de Luana apresentar o seu trabalho e
falou do seu avô paterno.
Outrora, seu avô fora pescador, no Seixal, distrito de Setúbal. Vivia na
Margem Sul e o Rio Judeu fora o seu sustento e de sua família
durante muitos anos. Era uma vida dura, de muitos sacrifícios e, antes de
partir, sua avó rezava para que ele chegasse são e salvo. Também
trouxe fotografias desse tempo. Mas que belas fotos a preto e branco!
Passeando nas margens do Rio Judeu, cuja extensão é tão larga,
lobrigava-se a Ponte 25 de Abril e o Cristo-Rei. Por sua vez, os barcos
levavam as pessoas para o outro lado, e o barco atracava no Cais do
Sodré.
Nesse dia, Marujinho aprendera que o Seixal era uma terra de
quintas senhoriais e a terra dos pescadores e que de lá partira Vasco da
Gama. Ficou deliciado. E, mais uma vez, ficou a matutar: ‘‘Quando poderei
ir ver o mar?’’.
Entretanto, tocou…
No dia a seguir, seria a vez de Marujinho apresentar o seu trabalho.
Quando chegou a casa, eufórico, contou tudo à mãe e solicitou-lhe que,
nas férias de verão, o levasse à terra do avô, a Vila do Conde.
Marujinho gostava imenso de ler e lera bastante, aliás, lera inúmeras
obras que abordavam o mar, tais como: ‘‘O Romance das Ilhas
Encantadas’’ de Jaime Cortesão; ‘‘Lendas do Mar’’ de José Jorge Letria; ‘‘As
Naus de Verde Pinho’’ de Manuel Alegre; ‘‘O Guarda da Praia’’ de
Maria Teresa Maia Gonzalez; ‘‘A Menina
do Mar’’ de Sophia de Mello Breyner
Andresen; ‘‘Ulisses’’ de Maria Alberta
Menéres e outros que tais.
Ele pesquisara muito sobre Vila do
Conde, sobre a vida dos pescadores, mas,
à última da hora, decidiu que apresentaria um
novo trabalho.
Dirigiu-se à barraquinha onde seu
avô, no seu tempo livre, construía
barquinhos (uns enormes e outros bem
pequenos), construídos minuciosamente.
Usava apenas fósforos, cola, o seu
canivete e as suas sábias mãos, enrugadas pelo
tempo, mãos mágicas que faziam com que
qualquer artefacto em desuso ganhasse uma
nova vida, uma nova utilidade, transformando
essa peça numa noutra reluzente e pronta a
ser novamente reutilizada. Com o avô não
se desperdiçava nada.
Para o Marujinho todas as
construções manuais eram bonitas e optou
por escolher um barco de tamanho médio.
Sorrateiro, pegou nele e fechou-se no
quarto. Entrava e saía do
quarto apenas para procurar o material d e que precisava. Da cozinha,
pegou em duas colheres de pau. Da arrecadação, pegou em dois
novelos de lã e também pegou nalguns retalhos de roupa que sua mãe
usava para limpar o pó da casa. Da casa de banho, pegou num pouco de
algodão. Por conseguinte, na despensa do seu quarto, pegou em duas
bolas de pingue-pongue. Pondo em prática toda a sua
criatividade e imaginação, começou a construir as duas personagens,
ambas do sexo masculino. Terminado o trabalho, colocou as suas
personagens dentro do barco e olhou-as fixamente. Começou a
idealizar a sua história e acabou por adormecer, sonhando,
novamente, com o mar.
Quando a sua mãe o chamou para jantar, Marujinho acordou
sobressaltado. Arrumou toda a bagunça, pegou num cartão e colocou o
seu barco com aquelas duas personagens.
No dia a seguir, Marujinho estava excitado, mas um pouco
apreensivo. Sabia que o seu trabalho seria o último a ser apresentado.
À chegada da escola, todos lhe
perguntaram o que ele levava naquela
caixinha, mas a curiosidade mata o gato.
Marujinho disse-lhes que dentro daquele cartão
residia o seu sonho.
De entre a multidão, cresceu, ainda mais,
a curiosidade de desvendar aquele mistério.
De manhã, tiveram aulas de Português e
de Matemática. De tarde, seria a vez de
Estudo de Meio.
Chegou a hora de apresentar o seu
trabalho.
Marujinho retirou aquele barquinho lindo.
Todos ficaram maravilhados com aquela
construção tão perfeita. E todos desejaram vê-
la de perto…
Pouco tempo depois, dera um nome
àquelas personagens: Marujinho e António.
Afinal, António era o nome de seu pai que
nunca conhecera.
E começou a relatar uma história…
You've previewed 9 of 15 pages.
To read more:
Click Sign Up (Free)- Full access to our public library
- Save favorite books
- Interact with authors

- < BEGINNING
- END >
-
DOWNLOAD
-
LIKE(1)
-
COMMENT()
-
SHARE
-
SAVE
-
BUY THIS BOOK
(from $2.99+) -
BUY THIS BOOK
(from $2.99+) - DOWNLOAD
- LIKE (1)
- COMMENT ()
- SHARE
- SAVE
- Report
-
BUY
-
LIKE(1)
-
COMMENT()
-
SHARE
- Excessive Violence
- Harassment
- Offensive Pictures
- Spelling & Grammar Errors
- Unfinished
- Other Problem

COMMENTS
Click 'X' to report any negative comments. Thanks!