


"Era uma vez um grupo de pessoas que decidiu reunir histórias e memórias para que nunca fossem esquecidas. Juntos, alunos, professores, dinamizadores e utentes do centro de dia criaram este livro, um verdadeiro tesouro de lendas e tradições. Agradecemos a cada um de vocês, que ajudaram a manter viva a magia dessas histórias."
Com gratidão.

Lenda Do Casal Da Velha
Há muitos, anos, no tempo da guerra um soldado andava a passear no seu cavalo, quando viu uma velhinha chorando e perguntou-lhe:
-Porque choras tanto, velhinha?
E a velhinha respondeu:
- Foi a minha mãe que me bateu de eu falar mal à minha avó.
O soldado , surpreendido deu nome aquele lugar de "Casal da Velha".
Lenda dos Potes Mouros
Os Potes Mouros, situados na freguesia de Alcobertas, são um dos mais extraordinários e enigmáticos sítios arqueológicos do Ribatejo. Diz-se que há mais de mil anos atrás, o mar chegava até Rio Maior. Então, com medo que as águas subissem e lhes estragassem as suas colheitas, aí foram construídos os potes. Diz-se ainda que pela proximidade do mar era mais fácil o escoamento dos cereais de barco.
Lenda dos Casais Monizes
Há muitos, muitos anos um homem chamado Moniz desobedeceu ao rei e como castigo o rei mandou-o ir viver para o alto da Serra dos Candeeiros sozinho e sem nada. Certo dia passou por aqueles lados uma linda moça que logo se apaixonou pelo Moniz e foi com ele que se casou. O tempo foi passando e foram nascendo os filhos. Para alimentar a família, Moniz começou a cultivar os terrenos à volta da sua casa de pedra, a qual
também foi aumentando. Esta tarefa não foi fácil, porque o terreno era pobre e tinha muitas pedras.
A água armazenada não chegava para regar as suas culturas e para beber. Moniz pensou em construir um grande depósito para armazenar água. Para isso cavou um buraco até encontrar uma rocha firme e utilizou a pedra que retirou dos terrenos para construir as paredes em seu redor e para cobrir. Desta forma, construiu a primeira cisterna de Casais Monizes.
O tempo foi passando e os filhos crescendo. Um belo dia, Moniz pegou nos seus filhos e foi apresentar-se ao rei a quem contou tudo o que tinha passado, mostrando o seu arrependimento. O rei impressionado com o que ouviu, desculpou-o e recompensou-o dando-lhe as terras de Casais Monizes.
Moniz regressou contente, com os filhos, às terras que agora eram suas e às quais tinha dado nome Casais Monizes.
Lenda de Rio Maior
Segundo consta, um leão estava a ser guardado em segredo num local abandonado e conseguiu fugir. O dia da fuga coincidiu com o dia do festival da eurovisão. O leão foi avistado por alguns pastores e após a entrevista que Fernando Pessa realizou para a televisão, nasceu o mito do leão de Rio Maior. Este relato aconteceu em 1972 e a história é a seguinte: Em 1970 passou um circo por Rio Maior e uma das leoas teve uma cria e sem ninguém perceber passou entre as grades.
Uns dias mais tarde o senhor José Diogo viu o que lhe pareceu ser um cachorrinho na berma da estrada e levou-o para casa. O animal teve de ser alimentado com leite pois estava muito fraco.
Para o alimentar o seu dono vestia uma bata branca para não sujar o fato.
O problema é que o animal cresceu e transformou-se num poderoso leão e acabou por fugir atacando um jumento e várias capoeiras.

Devido ao terror que o animal estava a causar entre as gentes de Rio Maior o próprio José Diogo vestiu a bata branca que o leão conhecia e com a sua espingarda foi à caça do animal.
Ao chamamento do José Diogo o leão respondeu e veio ter com ele, ao que o seu dono disparou à queima-roupa, matando-o. Os rugidos do leão a morrer deixaram comovidos todos os que estavam presentes.
Lenda da Santa Maria Madalena
Conta a tradição que, há muitos anos, os populares de Alcobertas decidiram desmantelar a antiga Anta, por a considerarem um símbolo pagão. No entanto, por poderes divinos, a anta foi reconstruída por intervenção de Santa Maria Madalena.
Segundo a lenda, a santa subiu à imponente Serra dos Candeeiros, onde encontrou três enormes pedras. Com uma força sobrenatural, transportou- as às costas até à aldeia. Ali, juntou as três
pedras e, com elas, reconstruiu a anta, devolvendo ao lugar a sua força e mistério.
Perante tal milagre, o povo desistiu da ideia de destruir a anta. Em vez disso, decidiu integrá-la na nova igreja que queriam construir, respeitando o local sagrado que ali se formara.



Lenda dos Sourões
Em tempos antigos, vivia naquela terra uma família cujo apelido era Soeiro. Os rapazes dessa família eram conhecidos pela sua elevada altura, destacando-se entre os restantes habitantes.
Com o passar do tempo, começaram a ser chamados carinhosamente de Sourões, em referência à sua estatura imponente. Aos poucos, o nome da família passou a dar nome à própria terra. Assim, o lugar que era conhecido como Soeiros, acabou por se transformar em Sourões, nome que se manteve até aos dias de hoje, guardando na memória a origem desta curiosa história.

Lenda de Barbines
Há muito, muito tempo, aquele lugar era habitado por um povo conhecido como os Bárbaros. Ali viveram durante muitos anos, deixando as suas marcas na terra e nas tradições da região.
Quando os Bárbaros partiram, o povo que ficou quis lembrar a sua passagem. Assim, o local passou a ser chamado de Barbines.
E foi assim que Barbines guardou para sempre no seu nome a memória de quem ali viveu há tantos séculos atrás.


Lenda da Fonte Longa
Conta-se que, antigamente, existia naquele lugar uma grande fonte, onde a água brotava abundante e cristalina. Era um ponto de encontro para todos os habitantes da aldeia, que ali se reuniam para conversar, descansar e matar a sede nos dias quentes de verão.
Certo dia, juntaram-se todos em volta da fonte e, maravilhados pela sua beleza e pelo comprimento do seu caudal, decidiram dar-lhe um nome especial. Assim, nasceu a "Fonte Longa".
Lenda da Moura Encantada
Numa das cavernas da Serra estava uma moura presa, por não corresponder aos amores de um príncipe. Certo dia, uma pastora que por ali passava com o seu gado, ouviu chamar. Dirigiu-se à moura e pediu-lhe um pão redondo, mas que fosse inteiro. A menina atendeu ao pedido e correu a casa para buscar um, mas ao pegar nele não reparou que faltava um pedaço que tinha sido roído por um rato:
-Este já não serve, disse-lhe a moura.
De novo a menina foi a casa e como não tinha mais pão, pediu à mãe para amassar e cozer um pão, rapidamente. Regressou à caverna, onde a moura a aguardava e deu-lhe o pão. Esta partiu-o em dois bocados. De um dos bocados surgiu um belo cavalo branco e do outro uma púcara que deu à serrana, pedindo-lhe que não a destapasse até chegar a casa. A rapariga aceitou, mas cheia
de curiosidade, passado algum tempo, abriu a púcara e lá dentro só viu carvão:
Não prestam para nada! - disse, e logo os deitou ao chão.
Ao chegar a casa, mostrou o recipiente à mãe e contou-lhe o que fizera. Mas ao abrir a púcara, viu no fundo uma pedra que brilhava: era ouro.
Ela tinha deixado, sem saber, uma pedra de carvão no fundo, que se transformou em ouro. Correu de imediato ao local onde fizera o despejo dos outros pedaços de carvão, mas nada, nem sombra deles. Levantou a cabeça e procurou em redor para ver se
via a jovem moura ou o cavalo. Ela, a pastora, libertou a moura que lhe pagaria bem pela sua fuga ,não fosse o caso de ter sido tão curiosa .
Lenda dos Carvalhais
Reza a lenda que numa determinada horta, na localidade de Carvalhais, da freguesia de Fráguas, onde estavam plantadas couves, na horta do pai do Sr. Miguel Pedro todos os dias ia um burro comer as couves, um dia o dono da horta escondeu-se para espreitar e eventualmente apanhar o burro. Levava com ele uma vara de picar os animais.
A determinada altura, lá veio uma vez mais o burro, comer as couves. O dono da horta correu e picou o
burro e fez-lhe uma ferida da qual brotou sangue, com o intuito de o afugentar. Mas qual não foi o seu espanto, que o dito burro ao ser picado se transformou num homem.
O pai do Sr. Miguel Pedro ficou muito admirado, o burro que virou homem ao ser picado, disse: “A partir de hoje, nunca mais serei burro, passarei a ser somente homem. Conseguiste quebrar o feitiço que me foi lançado”.
Assim reza a lenda, cuja pessoa que teria tal feitiço,
ao sair de casa, se transformava no animal cuja primeira pegada pisasse.
Lenda de Teira
A lenda de Teira, uma pequena aldeia na freguesia de Alcobertas, gira em torno da história de uma imagem de São Martinho que, após a destruição da capela por um raio, esta repetidamente “fugia” durante a noite para o local onde ficava a antiga capela. Os moradores, tentando manter a imagem na capela do Espírito Santo, falhavam, pois esta regressava sempre à sua antiga localização.
Lenda de Alcobertas
Consta que há muito, muito tempo quando os mouros andavam por estas bandas encontraram nesta terra uma pequena torre, que em árabe se diz, "al-coble", provavelmente referindo-se ao que hoje se conhece por anta/dolmén e que daí terá surgido o nome desta localidade. No entanto, conta-se que a verdadeira razão deste nome remete para um caso de polícia. Diz-se que um grupo de ladrões/malfeitores por aqui escondeu umas malas roubadas no meio do campo cobertas com feno e
ervas, mas logo foram descobertas e assim as pessoas começaram a referir-se ao local como as "mal cobertas".
Matança do porco
A matança do porco era, antigamente, um verdadeiro motivo de festa familiar, prolongando-se normalmente por dois dias, sábado e domingo. Muitas vezes, aproveitávamos para ficar em casa dos primos, tornando o momento ainda mais especial.
Para além da família direta, era habitual estarem presentes vários parentes, reunindo-se todos para participar e celebrar. A festa começava cedo, com o tradicional ritual de "matar o bicho", em que se
servia bacalhau com azeite e alho, acompanhado por pão quentinho, acabado de sair do forno.
Era costume a família criar um porco durante o ano — tradição que, em algumas casas, ainda hoje se mantém — e o animal era morto por alguém da família, normalmente o pai, o avô ou um tio.
O porco era chamuscado e lavado, e depois abriam-no para retirar as tripas, que eram cuidadosamente lavadas no "Olho de Água", na casa da minha tia, em Alcobertas.
A matança realizava-se sempre no tempo frio, não
só para ajudar na conservação da carne, mas também para evitar a presença de moscas.
Recordo-me de ver o animal ser colocado sobre uma banca de madeira, recebendo uma facada certeira no coração, utilizando uma faca grande e bem afiada. O sangue era recolhido num alguidar de barro e mexido continuamente para arrefecer e não coagular.
Ainda no dia da matança, fazia-se uma refeição com os produtos mais perecíveis, como o sangue, o fígado e os pulmões.
No dia seguinte, procedia-se ao desmanchar do porco: as carnes eram separadas e congeladas para assegurar o consumo até à próxima matança. Com o aproveitamento das tripas, muito bem lavadas em água com limão e cortadas em tamanhos adequados, faziam-se chouriças e morcelas de arroz típicas da nossa região. Nesse dia, já se comiam carnes grelhadas ou guisadas e, claro, as morcelas de arroz fresquinhas.
As chouriças eram penduradas por cima da lareira, em paus delgados, e ali ficavam a curar
lentamente com o fumo, até ficarem próprias para consumo.
A matança do porco era mais do que um costume:
era um momento de
partilha, união e
celebração da vida
em comunidade,
passado entre aromas,
sabores e histórias
de família que
atravessam gerações.

O Dia de Todos os Santos e o “Pão por Deus”
No dia 1 de novembro celebra-se o Dia de Todos os Santos, e com ele mantém-se viva uma tradição muito antiga: o “Pão por Deus”.
Este costume vem do tempo dos nossos avós e continua a ser passado de geração em geração. Nesse dia, as crianças juntam-se em grupos, normalmente misturando os mais velhos com os
mais novos, e vão de casa em casa pedir o “Pão por
Deus”. São sempre recebidas com sorrisos e
carinho, e recebem guloseimas, bolos, frutas e às vezes até umas moedinhas, enchendo os seus saquinhos à medida que vão percorrendo a aldeia.
Enquanto as crianças percorrem as casas, os pais acompanham-nas e, em muitas paragens, são convidados a provar o “vinho novo” ou a tradicional água-pé, celebrando também a chegada das novas colheitas. É uma tradição muito bonita, que reforça os laços da comunidade e mantém viva a memória dos tempos antigos, onde a partilha e a amizade eram (e continuam a ser) o mais importante.

A Descamisada do Milho
A descamisada do milho era um dos momentos mais aguardados do ano nas aldeias, marcada pela alegria, pelo convívio e pelo espírito de entreajuda.
Quando chegava a altura da colheita do milho, os agricultores reuniam família, amigos e vizinhos para, em conjunto, retirarem as palhas que cobriam as espigas. Sentados à volta de grandes montes de milho, todos ajudavam na tarefa, entre conversas, cantigas populares e muitas gargalhadas.
Mas o momento mais esperado era encontrar o Milho-Rei — uma espiga especial, com folhas vermelhas ou completamente diferente das outras. Quem tivesse a sorte de encontrar o Milho-Rei ganhava o direito de dar um beijo a alguém da roda, normalmente escolhido entre os sorrisos cúmplices dos participantes. Era um gesto divertido e simbólico, que trazia emoção à noite e, por vezes, até dava início a histórias de amor.
Depois do trabalho, havia sempre petiscos caseiros, vinho novo e, muitas vezes, música ao vivo, com
acordeões e danças que duravam até à madrugada.
A descamisada não era apenas uma tarefa agrícola — era uma festa da aldeia, um momento de união que deixava boas memórias gravadas no coração de quem nela participava.
A Tradição da Pulha
Nas Alcobertas, havia uma tradição divertida e muito esperada, conhecida como "a Pulha", que acontecia na quinta-feira antes do Carnaval.
Nessa noite, um grupo de rapazes juntava-se secretamente e colocava dentro de um saco pequenos papéis com os nomes de rapazes e raparigas da aldeia. Depois, subiam até ao ponto mais alto das Alcobertas, onde tinham uma boa vista sobre a povoação — e onde as suas vozes ecoavam por toda a aldeia.
Ali, em clima de brincadeira e expectativa, iam tirando ao acaso os nomes dos rapazes e das raparigas, formando assim os "casais" da Pulha. Com cada par, improvisavam quadras populares cheias de humor e rimas engraçadas, que recitavam bem alto para toda a aldeia ouvir. Um exemplo poderia ser:
“Aqui vai uma pulha de uma canela,
a comadre do Adelino é a Isabela!”
As raparigas, espreitando pelas janelas, ouviam com entusiasmo e curiosidade. Era dessa forma
que ficavam a saber quem seria o seu "compadre" — o rapaz com quem ficavam emparelhadas nessa brincadeira tradicional.
Mais tarde, na altura da Páscoa, a tradição continuava: a rapariga oferecia ao compadre uma camisa nova, e o rapaz retribuía com amêndoas, celebrando de forma simbólica este laço criado no tempo do Entrudo. A Pulha era mais do que uma brincadeira — era uma forma divertida de criar laços, provocar sorrisos e manter viva uma das tradições mais queridas da aldeia.
Serramento da velha
A lenda do serramento da velha é uma tradição popular em Portugal e tem raízes em antigos ritos de passagem e simboliza a renovação e a regeneração, especialmente associada ao fim do inverno e à chegada da primavera.
No entanto, em Alcobertas o significado é um pouco diferente, sempre que alguém se torna avó/avô pela primeira vez, alguns membros mais antigos da vila dirigem-se à sua casa durante a noite, de surpresa,
para cantar e dar os parabéns por ser avô ou avó.
Esta celebração é acompanhada de música e de uma refeição recheada de petiscos tradicionais e regada de boa bebida.
Título: Lendas, tradições e costumes da nossa terra
Autores: alunos 3º e 4º ano de Alcobertas, utentes do Centro de Dia de Alcobertas, professoras Carla Nabeiro, Cátia Paiva, Marisa Vieira e dinamizadora Ângela Carreira
Ilustradores: Alunos 3º e 4º ano de Alcobertas (24/25)
Apoios: Centro de Dia de Alcobertas, Escola Profissional de Rio Maior, Junta de Freguesia de Alcobertas e Agrupamento de Escolas Marinhas do Sal
Edição: junho de 2025

- < BEGINNING
- END >
-
DOWNLOAD
-
LIKE(1)
-
COMMENT()
-
SHARE
-
BUY THIS BOOK
(from $10.19+) -
BUY THIS BOOK
(from $10.19+) - DOWNLOAD
- LIKE (1)
- COMMENT ()
- SHARE
- Report
-
BUY
-
LIKE(1)
-
COMMENT()
-
SHARE
- Excessive Violence
- Harassment
- Offensive Pictures
- Spelling & Grammar Errors
- Unfinished
- Other Problem

COMMENTS
Click 'X' to report any negative comments. Thanks!